360 | Crítica

Novo filme de Fernando Meirelles mostra a dor de quem trai

Marcelo Forlani
17 de Agosto de 2012

360

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Reino Unido, Áustria, França, Brasil , 2012 - 110 min.
Drama

Direção:
Fernando Meirelles

Roteiro:
Peter Morgan

Elenco:
Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weisz, Ben Foster, Vladimir Vdovichenkov, Maria Flor, Lucia Siposová, Gabriela Marcinkova, Johannes Krisc, Dinara Drukarova, Jamel Debbouze, Juliano Cazarré

Bom
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Trair é relativamente fácil. Basta uma briga mais feia, uma dose excedente de tequila ou um olhar enviesado para que a faísca chegue à pólvora. Difícil mesmo é conviver com as consequências de seu ato. A trama de 360, novo filme dirigido por Fernando Meirelles, não vem para analisar os motivos da traição, mas para apontar justamente os problemas que ela pode causar. Adaptação da peça A Ronda, o roteiro de Peter Morgan (Frost/Nixon, A Rainha) mostra que neste mundo globalizado em que vivemos, uma noite ao lado de uma prostituta na Bratislava pode repercutir em um casal desapaixonado que mora em Paris, em mafiosos russos e até em uma brasileira que, traída, pega suas coisas e resolve voltar para casa.

O elenco utilizado para contar essas histórias é o primeiro destaque. Se Jude Law faz suas caras de maria-arrependida e Rachel Weisz vai da mulher decidida a terminar com o amante (o brasileiro interpretado por Juliano Cazarré) à luxúria ao seu lado em poucos segundos, precisamos destacar os trabalhos de Anthony Hopkins e Ben Foster, que contracenam com a brasileira Maria Flor, e o russo Vladimir Vdovichenkov.

Segundo Maria Flor contou ao Omelete, Sir Hopkins chegou ao set dizendo que neste filme interpretaria a si próprio, pois seu personagem lhe lembrara muitos fatos de seu passado. E o faz muito bem. Suas cenas não devem somar 15 minutos de tela, mas a franqueza de seus olhares vazios valem mais do que qualquer interpretação de galãzinhos de comédias românticas. Já Foster, adepto do método Stanislavski, é quem tem o arco mais interessante do longa todo. Recém liberado da prisão após cumprir pena por estupro, ele vive no limite do autocontrole e da tentação, e permite a Meirelles, o diretor de fotografia Adriano Goldman e o montador Daniel Rezende criar na telona suas sensações e paranoias.

Por fim temos a história de Sergei (Vdovichenkov), a mais completa. Ele sai de Paris, onde seu casamento com a espanhola Valentina (Dinara Drukarova) está com os dias contados, para viajar de carro até Viena. Na capital austríaca ele encontra seu chefe, o mafioso interpretado por Mark Ivanir. Depois de ser tratado como cachorro, como ele mesmo diz, Sergei se vê em uma encruzilhada que pode mudar sua vida. E faz sua opção. A metáfora da bifurcação é repetida no início e no final da história, fechando o círculo e mostrando que nossas vidas são construídas por escolhas.

Mas apesar do que o título pode deixar parecer, nem tudo volta para o mesmo lugar. Os personagens cumprem seus arcos, sejam eles mais longos ou curtos. Tem muita gente por aí dizendo que o filme é muito superficial, com personagens que não se aprofundam. Peço licença para discordar ao menos um pouco. Se pode causar um certo desconforto o excesso de "coincidências" que faz este grupo se tornar o círculo do título, cada drama pessoal ali fica bem entendido. Não há entrelinhas nas histórias. De um jeito ou de outro, todo personagem acaba tendo sua história contada.

360 é como um Babel, mas sem ser político. Sai de cena a bala perdida e entra no seu lugar o amargo sentimento de rever seu companheiro(a) após passar algumas horas com o(a) amante. São dores diferentes. São repulsas distintas e que igualmente levam à reflexão. Em vez de perguntarmos "que mundo é este em que vivemos?" a questão agora é "que relacionamento é este em que estou vivendo?".



Comentários (26)

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Jorge Luís Jorge Luís (20/02/2013 11:03:31)   76 0
Apesar de trazer boas interpretações, e até mesmo bons questionamentos a cerca do alcance, e das consequências de nossos atos - mesmo em se tratando de pessoas que nunca chegamos a conhecer de fato - "360" não consegue desenvolver todo o potencial dramático do material que pretende explorar.

Em parte pela evidente escolha por uma abordagem mais intimista e distante do diretor Fernando Meirelles, o longa em grande parte do tempo soa indiferente aos seus próprios personagens, e esse tom monótono prejudica o resultado final.

Sem efetivamente emocionar o público o filme perde grande parte de seu apelo, e mesmo como exercício de reflexão torna-se apenas parcialmente bem sucedido.

6.0/10.0



sem avatar Roberto (12/11/2012 21:24:40)   0 0
Gostei muito do filme, a trilha é tudo de bom e faz um contraponto com o clima reflexivo do filme. Nada chato. Bom demais.



Felipe Felipe (11/11/2012 22:02:40)   5 0
Acabei de assistir e achei muito bom o filme, mas discordo da comparação com Babel, justamente por conta da carga política. Achei que ficou mais parecido com "Idas e Vindas do Amor", ou "Ele não está tão Afim de Você", ou ainda o que deu origem a esse estilo recortado de histórias: "Simplesmente amor", só que numa versão mais "cult".


Túlio Túlio (31/12/2012 10:37:55)   19 0
"Simplesmente amor" deu origem? Já ouviu falar de "Short Cuts"?


Ronny Ronny (05/09/2012 08:37:53)   114 0
queria ver meirelles dirigindo um filme mais "animadinho" as vezes,ta bom,ele curti filmes que vao mais pela arte da coisa,mas se torna meio chato as vezes.

Cidade é de uma qualidade brutal,é um filme artistico,mas interessante de se assistir. Eu infelizmente nao consigo ver seus filmes mais de uma vez,talvez eu devesse evoluir tambem um pouco....



sem avatar joaquim (22/08/2012 08:01:04)   -19 0
ir prá hollywood prá fazer filme agua com açucar ficasse por aqui mesmo,o cara fez cidade de deus prá mim uma obra prima,corre atrás e faz um filme em hollywood do porte de cidade de deus,aí sim cara todo mundo vai bater palmas e nao meia duzias que vao ver esses filmes soniferos tipo ensaio da cegueira outra bosta carregando seu nome.


sem avatar Ulisses (22/08/2012 10:57:01)   30 0
Joaquim, sinto dizer mas Meirelles NÃO foi para Hollywood.

Nenhum dos seus filmes internacionais foi produzido nos Estados Unidos. São todos coproduções de outros países:

O Jardineiro Fiel: Reino Unido - Alemanha
Ensaio Sobre a Cegueira: Canadá - Brasil - Japão
360: Reino Unido - Áutria - França - Brasil

Mas concordo: queria ver Meirelles voltando a filmar no Brasil. Aqui, ele parecia deixar a criatividade fluir mais e lá fora ele parece ficar preso aos roteiros. Espero que ele retome o seu Grande Sertão Veredas.


Breno Breno (21/08/2012 17:32:16)   123 1
Fernando Meirelles é um grande charlatão!



Glenda Glenda (20/08/2012 08:38:00)   91 1
Sou fã do Anthony Hopkins, qualquer cena com ele, não importa o tempo, fica excelente.


Raul Raul (20/08/2012 15:17:45)   1069 -1
Verdade. O cara não tem atuação ruim!

Acabei de assistir. O filme é bom.


Guilherme S. Guilherme S. (19/08/2012 10:34:01)   170 0
A trilha sonora desse filme é excelente, consegue nos envolver junto a trama.



Caio Caio (18/08/2012 23:03:12)   102 1
Também li em outras críticas que faltou "profundidade" dos personagens, mas sinceramente eu achei que todas as histórias tiveram seu propósito, apesar de achar algumas melhores do que outras. Dentre delas, destaco a do Anthony Hopkins/Ben Foster/Maria Flor, que foi o ponto alto do filme ( se o filme tivesse acabado após o discurso do personagem do Hopkins, não teria o que reclamar). As "coincidências" só me incomodaram na parte final do filme, que prolongou uma história desnecessária. Mas, no geral, é um ótimo filme ( com uma trilha sonora incrível, diga-se de passagem) e vale muito a pena o ingresso



Marcus Santana Marcus Santana (18/08/2012 12:45:00)   3488 0
Que critica gostosa de se ler!

Meirelles e muito inteligente em seus filmes e as fotografias sao um show a parte,resultado?

La vou eu pagar pau de novo para ele!



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Raul Raul (18/08/2012 11:12:19)   1069 0
Irei dar uma conferida, mas não nas telonas. O filme deve ser interessante, mas não espero muito.

Agora, Ben Foster.. tai um ator que merecia espaço em grandes filmes. Não vejo 5 atores atuais melhores que esse cara.


Marcus Santana Marcus Santana (20/08/2012 07:08:32)   3488 0
Ben Foster e foda mesmo!

Ate em Contrabando ele apaga Mark Whalberg e Kate Becksinlale!


LordMarcio LordMarcio (17/08/2012 23:23:11)   87 -1
Eu não sei, nem o Forlani, nem o Hessel estão no nível pra julgar filme do Meirelles!...

Esperava o Borgo!

*se bem que o Forlani era o cozinheiro que mais batava fé, mas dar 3 ovos apenas??
Não sei não!

O Meirelles só faz filme acima da média!

***vou conferir e postar minha crítica aqui.



sem avatar Jonas (17/08/2012 21:38:25)   0 0
Bom, por isso não podemos levar muito essa de ovos a sério... esse filme aqui ganhou 3 ovos. o ultimo homem aranha ganhou 3 ovos tb...
são estilos diferentes de filmes, mas dá pra ver claramente qual é melhorzinho...

a verdade é que um raio de apenas 5 ovos é mto pouco, devido à grande variância existente entre as qualidades dos filmes...


Leonardo Leonardo (17/08/2012 23:41:45)   13 1
E vocês olham ovos?? Eu só leio a crítica e nada mais.


sem avatar Santos D. (17/08/2012 20:26:20)   1260 0
Eu espero que o Fernando Meirelles continue sua carreira internacional fazendo apenas filmes independentes como tem feito até hoje.

Dizem que o Meirelles já recebeu varias propostas de Hollywood mas sempre recusou. Ele é esperto, sabe que trabalhar pros estudios é complicado pois os diretores costumam ter pouca liberdade no sistema de Hollywood.



Majin-Boo Majin-Boo (17/08/2012 19:12:01)   540 0

Já que fizeram o filme do 360, bem que poderiam fazer o filme do PS3.



Luan Luan (17/08/2012 19:26:18)   235 1
Haha, isso foi pra rir, né?

Majin-Boo Majin-Boo (17/08/2012 19:49:34)   540 -1

Rir? Rir por que? é um pedido mesmo, eu sou sonysta, por que só os caixistas podem ter seu filme?



Rômulo ,the Joker Rômulo ,the Joker (17/08/2012 18:11:37)   1445 3
vi o filme uma semana atras no piratão e só digo uma coisa:
Chato.
Chato ,chato ,chato ,insuportavelmente chato.E olha que eu costumo ter bastante paciência para filmes chatos.


Rômulo ,the Joker Rômulo ,the Joker (17/08/2012 23:17:00)   1445 0
A única coisa que se salva são as atuações excelentes ,mas nem isso salva o roteiro vazio e desinteressante.



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