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A Sombra do Inimigo | Crítica

Tyler Perry faz, na volta do detetive Alex Cross ao cinema, um filme mais engraçado do que suas comédias habituais

Marcelo Hessel
06 de Dezembro de 2012

A Sombra do Inimigo

A Sombra do Inimigo

Alex Cross
EUA , 2012 - 101 minutos
Policial / Suspense

Direção:
Rob Cohen

Roteiro:
Marc Moss, Kerry Williamson, James Patterson (livro)

Elenco:
Tyler Perry, Matthew Fox, Edward Burns, Rachel Nichols, Jean Reno, John C. McGinley, Carmen Ejogo, Cicely Tyson, Giancarlo Esposito, Stephanie Jacobsen, Werner Daehn

Ruim
a sombra do inimigo
a sombra do inimigo

Quando o ator Tyler Perry foi escolhido para ser o novo Alex Cross no cinema, substituindo Morgan Freeman, que viveu em Beijos que Matam Na Teia da Aranha o detetive criado nos livros de James Patterson, muita gente reclamou. Conhecido por suas comédias para o público negro, como a cinessérie da desbocada Madea, Perry "não estaria no nível" da gravidade exigida pelo papel.

Ironicamente, A Sombra do Inimigo (Alex Cross) se leva tão a sério que, neste fim de ano, com certeza é um dos mais fortes candidatos a comédia involuntária de 2012. E de todos os responsáveis por isso, Tyler Perry é o menor.

Na trama adaptada por Marc Moss e Kerry Williamson a partir do livro Eu, Alex Cross - publicado no Brasil em 2011 - o detetive de homicídios vai atrás de um matador de aluguel, Michael Sullivan (Matthew Fox), conhecido como o Açougueiro de Sligo, que pode estar por trás de assassinatos de figurões em Detroit. Depois de um tumultuado primeiro encontro entre o herói e o bandido, o acerto se torna pessoal.

Moss e Williamson respondem pelos primeiros sorrisos: o volume de platitudes, perguntas retóricas e situações descabidas em A Sombra do Inimigo. Filmes policiais nasceram como gênero B e ninguém espera deles o peso dos diálogos de Shakespeare, mas não tem como ouvir sem rir - uma autodefesa mesmo - as discussões entre Perry e seu parceiro Tommy (Edward Burns), como a hora em que eles inspecionam uma cena de crime inteira, cheia de minúcias, para depois Tommy soltar que "quer dizer que provavelmente estamos lidando com um profissional aqui".

Como Cross é doutor diplomado em psicologia, isso permite, além das platitudes, ótimos monólogos de reflexão em que Perry solta diagnósticos prontos da mente perturbada de seus suspeitos. Junte com os dois piores clichês dos thrillers psicológicos - as pistas em forma de quebra-cabeça e o laço criador-criatura entre detetive e homicida - e temos aqui uma oferta bastante diversa de alívios cômicos. Sem ficar listando momentos, digamos apenas que Cross descobre uma pista dobrando uma folha ao meio, como aquelas terceiras capas da revista Mad, e que um dos bandidos confessa seus crimes via Skype.

O cronicamente inepto Rob Cohen (Triplo X, A Múmia 3) contribui sobremaneira na direção, menos pela ação do que pela forma como ele - com a ajuda do seu elenco e de seus roteiristas - caracteriza os personagens. A ideia de A Sombra do Inimigo é fazer uma inversão dos estereótipos clássicos de buddy movies e blaxploitations - em que o negro sempre é o destemperado ou o tagarela - e apresentar Alex Cross como o cara equilibrado e cerebral. A princípio, é uma ideia muito bem-vinda. Só que, para renegar esse clichê, Cohen transforma Alex Cross no estereótipo oposto, um coxinha que joga xadrez (ele é muito inteligente) e mora num comercial de margarina.

O estereótipo economizado com Cross recai todo sobre os coadjuvantes. Como parceiro e ajudante, o pobre Ed Burns faz as vezes do tagarela destemperado ("Preciso que você se acalme, Tommy", diz Cross) e às demais etnias cabem seus pré-conceitos consagrados - asiáticos são mafiosos, franceses são pedantes, alemães são rigorosos ("Somos todos aqui ex-policiais da Alemanha", diz um deles para deixar claro).

Obviamente, o ponto alto da (des)caracterização é a performance de Matthew Fox, o doutor Jack de Lost, que faz aqui um sádico-masoquista bombado de passado misterioso. Tudo indica que ele foi abandonado pela mãe e criado por mímicos, porque o Açougueiro de Sligo é uma versão exagerada daqueles maníacos frios de movimentos calculados e caretas de agonia e espanto. Dá pra saber que A Sombra do Inimigo se leva bem a sério porque em certa cena Fox discursa contra as pseudo-análises de Cross olhando direto pra câmera, num flerte com a quarta parede que torna este filme um estudo de caso ainda mais intrigante.

Tem gente que diz que não existe filme "tão ruim que fica bom", apenas filmes ruins que as pessoas não assumem que curtiram. Bem, eu assumo que me diverti com A Sombra do Inimigo, primeiro porque não paguei um centavo para assisti-lo, segundo porque rir da seriedade alheia é a maior terapia.

A Sombra do Inimigo | Trailer legendado

A Sombra do Inimigo | Cinemas e horários



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Comentários (26)

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Marco Aurélio Marco Aurélio (07/01/2013 21:12:15)   -4 0
E aí pessoal! Disponibilizo meu site de críticas para quem quiser acessar e dar uma conferida...

http://www.cinemarcocriticas.blogspot.com.br/



sem avatar Maycon (01/01/2013 17:38:25)   0 0
Concordo com a crítica do Hessel e não discordo muito do pensamento dele.
Também confesso que o que me atrai no Omelete é o fato das críticas serem pessoais, pois acho que ai sim temos um reflexo verdadeiro da opinião do crítico.
Apenas achei desnecessário este parágrafo da crítica:
"Bem, eu assumo que me diverti com A Sombra do Inimigo, primeiro porque não paguei um centavo para assisti-lo, segundo porque rir da seriedade alheia é a maior terapia."
Acho que independente do filme ter sido bom ou ruim o elenco deve ser respeitado. Criticar é uma coisa, fazer pouco caso ou desreipeitar é falta de profissionalismo e maturidade.




Alexandre Alexandre (14/12/2012 13:14:33)   25 0
Bom, eu ainda não assisti a esse filme, mas, pelos trailers que eu vi e também pelos comentários que eu li, parece que o que salva o esse filme é a atuação do "Matthew Fox".

Alguma coisa seja no filme que for, tem que prestar.



sem avatar Adonay (14/12/2012 10:08:38)   10 0
Poxa galera... Fui ao cinema, pois um amigo me chamou. Confesso que fui meio sem saber o que esperar. Ache a atuação do Matthew Fox, muito boa, mas confesso que realmente a família do Alex Cross era bem "margarina" mesmo. Daria uns 3 ovos.



Giovani Giovani (08/12/2012 12:46:03)   125 1
Aí os caras tem coragem de colocar em um único filme o Tyler Perry e o Rob Cohen em uma série que já teve Lee Tamahori e Morgan Freeman, entre outros e maioria dos comentários é sobre a crítica do Hessel??? O Hessel foi é muito espirituso com essa bomba. Fala sério...
(Rindo até agora com a piada do coxinha que joga xadrez...)



sem avatar Santos D. (07/12/2012 16:48:06)   1261 0
A critica americana detestou esse filme e o resultado nas bilheterias americanas foi um tremendo fracasso.
Os produtores acreditaram que o Tyler Perry seria capaz de atrair o grande publico embora até hoje seu sucesso nos EUA só exista junto ao publico afro-americano.
A produção fez uma aposta arriscada e perdeu.



Bruno Bruno (07/12/2012 14:52:25)   61 1
Nossa! Esse pessoal não tem amor no coração! Falam mal de graça da crítica como se tivessem sido obrigados a acessar o site pra ler...
Particularmente eu achei uma crítica muito bem escrita pelo Marcelo! Deixou as impressões dele sobre o filme, o que é o seu trabalho!
Até onde eu saiba, uma crítica é quando alguém com embasamento dá sua opinião sobre algo que ele domina.



sem avatar Bruce (07/12/2012 13:52:24)   141 -1
Foi mal, Hessel, mas sua crítica me lembra muito a do Roger Ebert pro mesmo filme, em que ele até brinca que esse Alex Cross tá mais pra Falstaff que Sherlock.

Minha curiosidade é se, apesar dos erros do roteiro, Tyler Perry e Matthew Fox mostraram versatilidade em papeis diferentes daqueles que costumam fazer. Enfim, nem o Hessel nem o Roger conseguiram dizer.

Quanto a alguns que culparam o Rob Cohen... bem, o roteiro em si parece ruim, e aí não há diretor que salve. Mas o apelo dele é mesmo o visual, embora "The Rat Pack", sobre o grupo de mesmo nome informal, tenha sido um ótimo filme apesar de ter sido feito pra TV. Pelo visto, Cohen pode muito bem ser um daqueles diretores que precisam de um trabalho mais pé no chão pra render algo de bom, estilo o Lee Tamahori ("Mulholland Falls").



sem avatar Eduardo (07/12/2012 13:43:32)   42 -1
Esse filme não está na minha lista de gastos com certeza. Já que não tenho como ir de graça neste ao contrário de outros como Tropicália e Uma História de Amor e Fúria (o primeiro mais ou menos e o segundo ótimo)

http://www.imagoquadratum.com/2012/12/quando-historias-em-quadrinhos-sao.html

http://www.imagoquadratum.com/2012/12/sebos-desinformados-e-baratos-bons.html



Dylan Dog - Dylan Dog - (07/12/2012 13:26:30)   1357 0
Não dá pra esperara muito de um filme dirigido pelo medíocre Rob Cohen que só faz filmes burocráticos como Stealth e Velozes e Furiosos.O único filme bom dele,na minha opinião,é "A Múmia".



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Raul Raul (07/12/2012 13:08:25)   1069 -1
Pensei que seria melhor, mas anda assim verei pela atuação de Jack, ops.. Matthew Fox.



Ronny Ronny (07/12/2012 12:49:36)   129 2
ontem passou na tv o Stealth - Ameaça invisível .

engraçado a primeira frase da critica,alias,feita pelo proprio marcelo:Rob Cohen quer ser Tony Scott, mas deve chegar, no máximo, a Michael Bay.

ele consegue ser pior q

vamos ver esse novo filme,vai q de repente.



Lauro Lauro (07/12/2012 12:47:39)   3706 1
Gostei muito da crítica!

Me rachei de rir com as expressões que o Hessel usou, como "um coxinha que joga xadrez", "Tudo indica que ele foi abandonado pela mãe e criado por mímicos"...

Mas a melhor, e mais honesta, foi "eu assumo que me diverti com A Sombra do Inimigo, primeiro porque não paguei um centavo para assisti-lo"...

;))



nilton nilton (07/12/2012 11:17:32)   -2016 -2
ja esperava uma critica ruim do filosofo de kaboom, o filme no trailer passa a impressao que deveriam ter gasto mais com um ator negro mais convincente tanto intelectualmente como fisicamente para confrontar o mathew bombadao fox, sei la, um idris elba quem sabe

e se a vida comercial de margarina durar pouco tempo na tela vale a pena assistir ainda, isso o filosofo9 de kaboom nao deu spoiller que droga




sem avatar Tales (07/12/2012 10:57:07)   3 -2
Platitudes são as críticas às críticas do Hessel.. Tudo um bando de pedante!

(pelo menos a galera aprende palavras novas hohoho)



sem avatar Marco A (07/12/2012 03:44:27)   699 0
Pô, tinha esperança que fosse melhor...



Monique Monique (07/12/2012 03:31:01)   -197 -2
A crítica nao tem spoiler. É uma das raríssimas bem feitas do Hessell e ao contrario das demais, não é prolixa nem pseudo.

O ruim mesmo é saber o que todo mundo já sabia:

Hessell é um falastrao que só quer assistir filme na mamata por causa da boa vontade alheia (nossa que faz o site continuar de pé e das distribuidoras, que nao sao obrigadas a convidar "criticos")



giuseppe giuseppe (07/12/2012 00:29:13)   59 0
Nao de atencao aos chatos, Hessel. Essa critica ficou linda. Ate me deu vontade de ver o filme, o que depois de se ter visto o trailer se torna um feito notavel.



Fabio Julio Fabio Julio (06/12/2012 21:33:17)   45 1
Pelo menos eu me diverti com o texto do Hessel! hahahhha



Tyler Durden Tyler Durden (06/12/2012 21:24:28)   2891 -1
Querido Hessel,

Por favor evite spoilers; respeite a quem fez o filme e quem irá assisti-lo pois toda vez que você não gosta de tal filme sempre o desrespeita. Não gostou ? Diz apenas que é ruim e pronto.

E lembre-se seja profissional e julgue o filme pelo seus defeitos e qualidades tecnicas pois Bom ou Ruim é relativo, se você não gostou não quer dizer que é ruim.


sem avatar Daniel (06/12/2012 21:52:51)   3 1
Não sei pq essa galera ainda tem a ideia de que a crítica tem que ser impessoal. Pelo amor de deus...

sem avatar Cristiano (07/12/2012 09:22:46)   -9 0
A questão é justamente isto, a falta de respeito ou a maneira pejorativa como algums criticas do Hessel são escritas.

Mas isto tem um motivo, como dizem todo critico é um diretor fracassado, então seguindo esta linha é mais interessante para o nosso amigo em questão esnobar e denegrir o trabalho alheio do que simplesmente se esforçar para alcançar seus objetivos.

Não estou pedido que a critica seja impessoal, apenas estou pedindo que respeite o trabalho alheio.


Tyler Durden Tyler Durden (07/12/2012 15:06:39)   2891 -2
Exato Cristiano.


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Comentarista Comentarista (06/12/2012 21:24:04)   500 1
Platitude (s.f.):

1. comentário a primeira vista inteligente porém banal, trivial;
2. monotonia, mesmice, insipidez, ausência de aspectos marcantes.

Exemplo: essa crítica se mostrou uma platitude.


sem avatar Cristiano (07/12/2012 09:19:57)   -9 -1
Fiz questão de fazer o login só pra dar um joinha!

ian ian (07/12/2012 09:23:32)   103 -1
O hessel é uma platitude ambulante. É claro que comparar o Alex Cross de Morgan (um dos melhores atores de todos os tempos) com o interpretado por Tyler Perry chega ser injusto. Uma coisa deve-se admitir: toda diretor e ator levam o filme para um determinado rumo e foi o que aconteceu com este que, claro, é inferior aos protagonizados por Morgan, mas ainda sim é um bom filme. E não nos esqueçamos que o hessel gosta de filmes da estirpe de resident evil 5 que para ele foi o melhor filme do ano!



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