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A fonte da vida

O novo trabalho do genial Darren Aronofsky

Mario “Fanaticc” Abbade
23 de Novembro de 2006

A fonte da vida

A fonte da vida

The fountain
EUA , 2006 - 96
Ficção científica

Direção:
Darren Aronofsky

Roteiro:
Darren Aronofsky e Ari Handel

Elenco:
Hugh Jackman, Rachel Weisz, Marcello Bezina, Alexander Bisping, Ellen Burstyn, Cliff Curtis, Sean Gullette, Mark Margolis, Donna Murphy, Ethan Suplee, Sean Patrick Thomas

Excelente
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A Fonte da Vida (The Fountain, 2006) do talentoso cineasta Darren Aronofsky (Pi, Requiem para um sonho) desperta reações de amor e ódio. O projeto levou cinco anos para sair do papel e teve problemas a partir da pré-produção. Brad Pitt abandonou as filmagens por diferenças criativas com o diretor e foi naufragar em Tróia. Por conta disso, Cate Blanchett também saiu e o orçamento de 75 milhões de dólares foi reduzido para 35 milhões. Todavia, mesmo com todos esses percalços, o filme é brilhante. Um lindo poema sobre o amor entre duas pessoas e a aceitação da morte como parte da evolução e da vida.

A história foi escrita por Ari Handel e Aronofsky e produz enorme reflexão ao final da sessão, aqueles momentos únicos que só o cinema de qualidade consegue proporcionar. Não apenas as imagens, mas os temas e idéias permanecem na memória por dias. A narrativa é complexa, mas não é difícil de entender, basta querer pensar.

Nela, Hugh Jackman é Tommy Creo, um cientista que está em busca da cura do câncer. Para ele é pessoal, já que Izzi (Rachel Weisz), sua esposa, esta morrendo com um tumor cerebral. A chance de sucesso chega juntamente com seu time de pesquisadores, que traz uma amostra de uma árvore singular das selvas da América do Sul. A planta pode ser a cura que ele tanto busca. Enquanto isso, Izzi escreve um livro sobre um conquistador (também interpretado por Jackman) que viaja para o Novo Mundo em busca da Árvore da Vida a pedido da rainha Isabel (também interpretada por Weisz). A terceira parte da história é passada no futuro, quando o cientista (ainda Jackman) viaja pelo espaço.

Pode parecer complicado, mas, ao final, algumas peças do quebra-cabeça se encaixam. Outras ficam inteligentemente vagas e cabe ao espectador (tentar) decifrá-las. Dessa forma, não há uma solução definitiva para o filme, já que seu entendimento em muito se deve às crenças e experiências da cada um.

O tema é conceitualmente denso e ao mesmo tempo rico emocionalmente. Da mesma forma que 2001 - Uma odisséia no espaço (1968), do lendário cineasta Stanley Kubrick, provoca uma reflexão sobre a vida, a morte e a existência, A Fonte da Vida trilha um caminho parecido. Mas o combustível de Aronofsky é o amor.

Filosofias à parte, os saltos cronológicos do longa são apenas variações psicológicas do tema. Só o presente realmente esta acontecendo. As outras épocas ajudam a preencher algumas lacunas da história, mas a trama pode ser analisada de forma cartesiana através dos detalhes, como as tatuagens no braço do protagonista. O recurso dá espaço de sobra para que teorias sejam formuladas e essa é a brilhante proposta do cineasta. É fantástico que ainda existam diretores que procuram criar algo mais do que simples entretenimento.

Em relação as atuações, o filme também é um achado. Hugh Jackman (X-Men) revela um lado não conhecido pelo grande público. Ele é carismático. Já provou que sabe cantar e dançar (na Broadway ano passado) e aqui surpreende com uma interpretação emocionalmente devastadora. Conseguimos sentir sua essência em cada gesto e olhar. Suas cenas como o conquistador são boas. As do presente são tocantes e comoventes. As do futuro são brilhantes e complicadíssimas, já que ele está sozinho e consegue ser ao mesmo tempo um lunático, uma alma perdida, um Buda.

Rachel Weisz (O jardineiro fiel) não fica atrás. Ela interpreta sua personagem que irá morrer sem os habituais clichês. A atriz proporciona níveis de complexidade, camadas de medo e aceitação, no pequeno espaço de tempo em que aparece. Ela tem olhos lindos e os usa para contar a sua história, registrada de maneira apaixonada pelo diretor - até porque eles são casados - e ele aproveita o tema para mostrar todo seu sentimento por ela.

Todo esse carinho ajudou na concepção de cenas belíssimas. Os recursos reduzidos não impediram Darren de ser criativo. Os efeitos especiais foram filmados num laboratório por meio de experiências químicas. Podemos até notar várias influências de Pi, seu primeiro filme. Temas como a busca incansável e a obsessão reaparecem. A diferença está na montagem. Se antes ela era picotada e com efeitos, agora Darren equilibra os cortes com sons para dar um compasso sutil ao filme. Tudo isso embalado numa trilha sonora hipnótica, escrita por Clint Mansell no estilo de Phillip Glass.

Definitivamente o filme não foi feito para ser exibido em multiplexes e muita gente deve sair revoltada do cinema, como aconteceu em festivais por aí. Mas quem consegue se despir de preconceitos e busca no cinema algo diferente, será recompensado com uma viagem inesquecível.


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Comentários (12)

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sem avatar Bruno (07/11/2011 00:45:02)   1 1
Dificilmente um filme consegue reproduzir com tanta profundidade um tema como o medo da morte e da continuidade da vida após a morte. Este filme realmente é uma das mais belas obras já produzidas. Porém, o que é mais impressionante é como a maioria das pessoas não compreende e nem ao menos reconhece o valor desta grandiosa produção. Talvez seja o medo de se fazer essa pergunta a si mesmo? Medo de fazer uma reflexão interior? Recentemente eu li artigos sobre insatisfações por parte das pessoas sobre as legítimas produções "Holywoodianas", nas quais já existe um roteiro "pré-fabricado", se assiste sabendo o que vai acontecer, tudo sempre no mesmo padrão. No entanto, quando somos presenteados com um filme tão belo quanto "Fonte da Vida", não damos o devido valor. Minha vontade é de agradecer imensamente os atores, diretores e produtores por acreditarem numa idéia tão bela e colocá-la em prática, este sim, é um filme que deve ser visto e analisado de um ponto de vista que vai muito além da metodologia utilizada pelos "pseudo-críticos" da atualidade... Fonte da Vida é uma das mais belas expressões da arte, do amor, da filosofia e da espiritualidade que se pode exibir em uma tela... Este filme é para ser visto por quem não tem medo do seu próprio "eu desconhecido". Obrigado Aronofsky por ter sido tão feliz neste trabalho. Digno de nota 10!!!



Saulo Victor Saulo Victor (22/05/2011 21:48:13)   4 1
Pra mim esse filme é a obra prima do Aronofsky. Inesquecível!

Uma das melhores experiências cinematográficas que tive na vida!



DDanilo DDanilo (26/04/2011 00:23:44)   -165 1
@Marc

Existem filmes que precisam ser sentidos e...

Espera ai!!

Você usou Matrix pra comparar o filme????

Hhehehehehehhehe

Faz o seguinte cara,se limita a comentar as criticas do Matrix e deixa esse aqui pra quem gosta de uma "história trivial"
valeu???



sem avatar Marc (09/04/2011 16:14:09)   0 0
Se você, caro leitor, quiser assistir a um filme com bela fotografia digital, cenários muito bonitos e trilha sonora inspiradora, assita este filme. Se não, nem precisa.

A história é trivial, bem trivial, e o diretor se vale dos belos cenários e música para sustentar uma idéia supervalorizada. O que eu vi foi uma história comum com trilha sonora bem feita e cenários idem. Nada mais.

Não vi nenhuma surpresa, nada inovador. Aliás, é tudo muito confuso.

Para ser inteligente, não é necessário que o seja confuso.

The matrix, por exemplo (o 1, claro), é inteligente, complexo e inteligível. Não precisa apelar para trechos herméticos sem explicação.



DDanilo DDanilo (30/01/2011 14:43:25)   -165 0
Darren Aronofsky é um dos gênios do cinema moderno, junto com Christopher Nolan,David Fincher,Danny Boyle e outros!
E esse com certeza,pelo menos pra mim é o seu melhor filme(por enquanto)!



Penny Penny (10/09/2010 15:57:44)   0 0
É maravilhoso, e muito mais simples de entender do que se imagina. Pena que no Brasil ainda estamos engatinhando no que se refere a essa "filosofia" cinematográfica.



André "@xdesgracerax" André "@xdesgracerax" (02/09/2010 18:48:31)   55 0
É o filme mais belo que já vi.
Visualmente belo, o roteiro é belo, as atuações, trilha sonora...TUDO nesse filme é maravilhoso.



Leandro Leandro (30/08/2010 20:48:19)   -2 0
É excelente o filme. Quando assisti, senti dificuldade de entender algumas engrenagens da narrativa, mas senti que a mensagem era mais clara. Lindíssimo visualmente, intelecutalmente, cinematograficamente e espiritualmente.



Vinícius - Membro da Liga OMELETE! Vinícius - Membro da ... (08/08/2010 21:50:56)   4 0
gosto muito desse filme. Darren aronofsky é um dos melhores em atividade, e considero esse filme o seu mais ambicioso. pena que no Brasil não há planos de publicar o quadrinho da vertigo, que darren aronofsky escreveu e Kent williams desenhou e funciona como uma versão do diretor.



Júlio César Júlio César (18/07/2010 01:51:22)   -1 0
Obra-prima!
100+



Pablo Lupércio Pablo Lupércio (29/05/2010 17:22:46)   5 0
Eu já ouvir falar de um titulo, mas não sei se era esse.



Akminarrah Akminarrah (16/04/2010 16:55:10)   0 0
O filme é incrível e essa crítica mostra bem isso. É imperdível pra qm gosta de cinema bom.




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