Death of a President
Reino Unido
, 2006
- 90
Drama
Direção:
Gabriel Range
Roteiro:
Gabriel Range e Simon Finch
Elenco:
Hend Ayoub, Brian Boland, Becky Ann Baker, Robert Mangiardi, Jay Patterson, Jay Whittaker, Michael Reilly Burke, James Urbaniak, Neko Parham
No fim de cada ano, você sabe, realizamos aqui no Omelete uma votação sobre o que aconteceu de melhor nos últimos 12 meses e aproveitamos também para escolher aquilo que mais desagradou, prêmio nada carinhosamente apelidado de Omeleca. Em quase todos os anos, os filmes da Xuxa foram eleitos a maior tosquice que vimos. A única exceção foi em 2004, quando a reeleição de George W. Bush arrasou não apenas os Estados Unidos, mas o mundo todo. É desta época o site http://www.sorryeverybody.com/ em que estadunidenses pediam desculpas ao mundo utilizando fotos, montagens e desenhos. Deve ser dessa época também a idéia do inglês Gabriel Range de matar o presidente George W. Bush.
Range não é um terrorista, mas sim um cineasta. E suas armas se restringem a câmeras, imagens de arquivos e uma montagem afiada. Sua idéia era arriscada: mostrar o dia em que o presidente George W. Bush seria ficcionalmente assassinado (em outubro de 2007, depois de um discurso para empresários em Chicago) e as conseqüências que este crime traria para o povo norte-americano e o resto do planeta. Esperto e bem respaldado pela experiência anterior, quando havia utilizado imagens de arquivo para criar filmes sobre problemas que atingiam o Reino Unido, Range usou, por exemplo, o discurso que o vice-presidente Cheeney havia feito na morte do ex-presidente Reagan como se ele estivesse se referindo ao Bush.
O resultado é tão polêmico quanto criativo. Feito para a TV em um formato de documentário, o filme vai entrevistando pessoas envolvidas no episódio, como agentes da segurança presidencial, jornalistas, e apresentando suspeitos do assassinato, cada um com seus motivos reais ou criados durante a investigação. Não faltam o jovem manifestante, o veterano de guerra e, lógico, o árabe.
Há quem diga que o filme é de mau gosto, por incitar a morte de alguém que está vivo. Há ainda os que vêem problemas históricos na trama, já que os líderes assassinatos tendem a ser quase beatificados após violenta morte. Para mim, é apenas um interessante e criativo jeito de fazer filmes, que pode não funcionar sempre, mas que neste caso se encaixa tão bem quanto ovos e bacon - para fazer uma analogia que o atual residente da Casa Branca entenderia.
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