A diferença das mídias cinema e quadrinhos, em relação a storytelling :
Nos quadrinhos como os paineis são estáticos o autor pode colocar muita informação do que esta acontecendo e o leitor estaciona a visão naquele quadro e lê tudo, Moore abusa disso, basta ler Miracleman, Swamp Thing, Watchmen, que encontramos imediatemente os paineis recheados de descrições, pensamentos, percepções, ( quem não se lembra dos gigantescos paineis do Monstro do Pantano, descrevendo uma experiência psicodélica quando teve uma espécie de relação sexual com a Abby ? O leitor viajava junto lendo aqueles painéis..)
No cinema é bem diferente, é difícil expressar exatamente todas as infos em apenas uma cena, e o pior dependendo da forma que o diretor colocar essas infos pode estragar o contexto.
Exemplo: muitas pessoas acharam que o filme Watchmen parecia algo "narrado" demais, mas como o diretor faria para explicar apenas com imagens e poucos dialogos, situações como os longos pensamentos do Rorschach, ou quando o Dr Manhattan começa a descrever a paisagem marciana e logo depois temos situações de ida e vinda no tempo, junto com descrições super detalhistas ?
Se o diretor colocar tudo para ser narrado, existe o perigo do espectador se sentir assistindo uma espécie de " filme narrado" o que não é exatamente a experiência que alguém deseja ter quando vai ao cinema.
Existe o risco de tentar repassar tanta informação para que a maioria das pessoas entendam a trama, que pode acabar fazendo com que espectadores que tenham uma curva de entendimento mais rápida achem o filme "bobinho demais" .
Me recordo de um exemplo desse tipo de falha, no filme Código Da Vinci a mulher coadjuvante acha um artefato ( criptex acho que era esse o nome... ) e quando pega na mão começa explicar que era um Criptex e que esse artefato faz tal e tal coisa, explicando demais ... O espectador já havia sacado o que era, mas o diretor insistiu em colocar mais infos para ter certeza que todo mundo no cinema entendeu. No mesmo momento o espectador sente aquela sensação inconsciente de "já sei o que vai acontecer em seguida" ou "esse artefato será importante na trama, pois explicaram demais".
Em um documentário o próprio Alan fala isso, que o que ele escreveu para midia quadrinhos fica dificil de ser adaptada ao cinema de maneira fiel e que fique boa.
Mas como não poderia deixar de ser existem exceções a regra, no 2001 uma odisséia no espaço, Kubrick consegue mostrar o despertar do homem, a parte da violência que o ser humano tem, a dominição utilizando a força e ferramentas, etc...
Sem diálogos, e todo mundo entende exatamente o que ele tentou expressar.