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Albert Nobbs | Crítica

As três indicações ao Oscar são mais do que justas, mas não salvam história

Marcelo Forlani
23 de Fevereiro de 2012

Albert Nobbs

Albert Nobbs

Albert Nobbs
2011 , Irlanda - 113 min.
Drama

Direção:
Rodrigo García

Roteiro:
Glenn Close, John Banville, George Moore

Elenco:
Glenn Close, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Jonathan Rhys Meyers

Bom
Albert Nobbs
Albert Nobbs
Albert Nobbs

Albert Nobbs (Glenn Close) era o garçom perfeito: pontual e preciso nas suas entregas, silencioso e praticamente invisível aos olhos dos patrões. Seu tamanho diminuto ajudava na discrição, o resto vinha de sua postura. Em uma cena do filme, a jovem Helen Dawes (Mia Wasikowska) diz apenas "Sr. Nobbs, você é muito estranho". Ele realmente é e tem um motivo para isso. Albert Nobbs é na verdade uma mulher que se veste e vive como um homem há mais de 30 anos. O único momento em que se solta e é ela mesma é quando se tranca no quarto, olha para a foto de sua falecida mãe, e começa a contar as moedas que poupa com seu trabalho. Centavo por centavo, ela vai juntando dinheiro para um dia abrir sua tabacaria.

Seu segredo é maculado quando a dona do hotel onde trabalha contrata um pintor para dar um jeito em algumas paredes e o coloca para dormir no mesmo quarto (e cama) de Nobbs. O estranho se chama Hubert Page (Janet McTeer) e ao descobrir que Nobbs é uma mulher promete não contar para ninguém. Neste ponto de mudança para o rumo da história, descobrimos que Page também é uma mulher que se traveste para conseguir trabalhar e sobreviver na difícil Irlanda do século 19, é casada com uma costureira e muito feliz. Os sonhos de Nobbs passam a parecer mais próximos de se concretizar do que ela própria imaginava antes.

O diretor colombiano Rodrigo García (Nove vidas, Destinos Ligados), que despontou com o belo Coisas que Dizemos Só de Olhar para Ela, não carrega para o cinema vícios que poderia ter adquirido fazendo séries de TV - talvez por ter trabalhado basicamente na HBO, onde comandou episódios de Família Soprano, Carnivale, A Sete Palmos e Em Terapia. Albert Nobbs (2011), inspirado no conto "The Singular Life of Albert Nobbs", de George Moore, e com roteiro da própria Glenn Close em parceria com John Banville, tem o ritmo de um filme europeu de época, com poucos (mas importantes para a trama) acontecimentos e muitos silêncios.

Passadas estas características - que podem ser um bloqueio para muita gente - é preciso dizer que as atuações de Glenn Close e Janet McTeer são excelentes. É quando estão conversando que finalmente vamos conhecendo melhor Albert Nobbs e sabendo como ele/ela chegou até ali. São nestes momentos raros de guarda baixa que Nobbs se engasga com uma piada e quase demonstra um pouco de sentimento. Na melhor cena das duas juntas, quando caminham na praia, é possível ver na dureza de seus passos, o sofrimento de todos os anos que passaram se escondendo atrás das calças.

As atuações das duas eclipsam o restante do elenco. O romance vivido por Mia Wasikowska (Alice no País das Maravilhas) e Aaron Johnson (Kick Ass) só serve para tentar dar algum sentido ao desfecho da história. E Jonathan Rhys-Meyers aparece de forma descartável como um bon-vivant, em papel que nada acrescenta à trama.

A mudança de sexo é uma dessas transformações a que um ator se submete e sempre foi cara à Academia de Cinema de Hollywood, que já premiou Dustin Hoffman em Tootsie e Hilary Swank em Meninos Não Choram. Pena que Close e McTeer não tenham um filme à altura dos papéis que criaram.


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Comentários (20)

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sem avatar André (31/03/2012 22:58:44)   0 0
Adorei o filme. A melhor cena é quando as duas amigas se vestem de mulher e Albert empaca na porta antes de sair. Essa parte que elas saem é o que paga o filme inteiro. Neste momento eu estava realmente acreditando que Albert agia como homem vestido de mulher.
Me impressionou também a interpretação dada ao Sr Page. No começo eu desconfiei que ele também era mulher, mas fiquei na dúvida até ela se revelar. Com Nobbs e seu jeito andrógino eu sabia, também porque sabia do disfarce previamente.
Enfim, merece elogios. Só não gosto de filmes que o protagonista sofre uma vida inteira e no filnal vem a tragédia. Queria que Nobbs realizasse seu sonho e pudesse viver em paz sem se esconder.



sem avatar MARISA EDNA (12/03/2012 16:15:58)   1 0
Ao assistir a esse filme, me perguntei se foi merecido o Oscar de melhor atriz à gloriosa Meryl Streep, lógico, maravilhosa. No entanto, a Glenn Close está fantástica, esbanjando talento e se superando a cada filme. Espetacular!



Raul Raul (24/02/2012 15:20:39)   555 0
Só uma coisa a falar desse filme: Glenn Close e Janet McTeer estão FANTÁSTICAS!



Diego Francisco Diego Francisco (24/02/2012 08:31:46)   810 1
Essa atuação dela é demais, não dá para perceber que é uma mulher. SE eu não soubesse informações sobre o filme juraria pela minha mãe que é um homem.



Lady Octarina Lady Octarina (23/02/2012 22:09:19)   514 3
Se ela já era a cara do George Washington normalmente, vestida de homem então não dá para ver a diferença! O.O

Deixando a brincadeira de lado, já tinha visto o trailer e me animado com o filme, mais pela atuação dela, que sempre adorei, do que pela trama em si.


Romualdo Romualdo (23/02/2012 22:32:38)   1413 2
Hahahahahahahahaha... Eterna Cruela Devil!


Rogue Rogue (23/02/2012 21:24:25)   594 3
putz mas essas fotos acima da glen close, não tem quem afirme que não é homem...


sem avatar BETH (23/02/2012 21:34:01)   166 0
Concordo!

André B André B (23/02/2012 22:13:22)   663 1
Pois é... fiquei até meio decepcionado por saber antecipadamente. Assistir o filme no escuro seria interessante, não sei se eu pegaria de primeira.

Márvio Márvio (23/02/2012 23:50:18)   15 1
Agora o povo reclama que uma foto da crítica é spoiler. Pelo amor de Deus, se não queria saber sobre o filme para que veio ler a crítica. O filme é divulgado como uma transformação de Close em um homem e ainda querem ver o filme no escuro.

Afff, poupe me.

Esses leitores do Omelete a cada dia me surpreendem mais.

André B André B (24/02/2012 10:24:56)   663 0
Quem tá reclamando? Fiquei decepcionado por saber antecipadamente, pois seria interessante ser surpreendido. Só.

A crítica não é spoiler, bem como saber o elenco antecipadamente tb não é.

Fiz um comentário sobre o que a Rogue falou.

Duro é ter que explicar isso para outro "leitor do omelete".

Rogue Rogue (24/02/2012 11:43:07)   594 2
Eu entendi o seu comentário, @André B, e o seu tom não me pareceu nem um pouco de alguem reclamando, apenas expressando uma opinião.



André B André B (24/02/2012 12:43:43)   663 0
Valeu, Rogue. Foi por aí mesmo.






sem avatar fernando (23/02/2012 20:54:53)   0 0
O final do filme é triste, mais a glenn soube passar todos os sentimentos de seu personagem #GlennOscar2012



Marcos Marcos (23/02/2012 20:34:24)   71 1
A Academia não deu o Oscar a Dustin Hoffman por Tootsie. Quem ganhou naquele ano foi Ben Kingsley.



André B André B (23/02/2012 20:34:04)   663 7
A atuação de Glenn Close foi tão boa que ela deveria ser indicada a melhor ator.


Rogue Rogue (23/02/2012 21:21:38)   594 1
loguei só para dar uma boa risada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Laerte Laerte (23/02/2012 21:36:15)   128 2
kkkkkk ela devia concorrer nas duas categorias: Melhor Ator e Melhor Atriz.


sem avatar heitor (23/02/2012 20:28:57)   29 3
Forlani, Hoffman não ganhou o Oscar por Tootsie. Quem venceu em 82 foi Ben Kingsley por Gandhi.

Boa critica, parabéns.



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