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Antes de Partir

Com Jack Nicholson e Morgan Freeman, perfis opostos que se completam, fica difícil errar

Marcelo Hessel
21 de Fevereiro de 2008

Antes de Partir

Antes de Partir

The Bucket List
EUA , 2007 - 97
Comédia / Drama

Direção:
Rob Reiner

Roteiro:
Justin Zackham

Elenco:
Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow

Bom
the bucket list
the bucket list
the bucket list

Rob Reiner não é o típico diretor-de-aluguel hollywoodiano. Quem tem no currículo This is Spinal Tap (1984), Conta Comigo (1986) e Harry & Sally (1989) já se põe acima da média. Mas o fato é que Reiner nem faz muita diferença em Antes de Partir (The Bucket List). A comédia dramática se justifica e se apóia, independente de qualquer outra coisa, no carisma de Jack Nicholson e Morgan Freeman.

Nicholson vive Edward Cole, milionário gestor de hospitais cujo lema é um número: dois leitos por quarto, nunca menos. Freeman é Carter Chambers, um mecânico que abandonou seus sonhos de juventude quando viu que teria uma família para alimentar. Quando os dois ficam fulminantemente doentes, seus caminhos se cruzam.

E se cruzam porque, para não desonrar seu lema, Edward, o dono do hospital, acaba no mesmo quarto de Carter. O estranhamento inicial logo se transforma em apoio mútuo. Ambos têm poucos meses de vida, e só um doente terminal para entender o tipo de drama que o outro vivencia. Do nada, Edward convence Carter a fugir e botar em prática uma lista de últimos - e excêntricos - desejos antes de "baterem as botas". Nos EUA, a expressão usada nesses casos é "chutar o balde", daí o título original do filme, A Lista do Balde.

Pouco antes das filmagens, por uma funesta coincidência, Nicholson teve que ser submetido a uma intervenção cirúrgica que o deixou de molho por meses. O fato de interpretar um personagem turrão à beira da morte evidentemente transtornou o ator - e o filme se beneficia do estado de espírito indômito de Nicholson. Ele atua com um senso de urgência que enriquece o personagem, em interessante contraste com a pose sempre professoral de Freeman.

São as personas opostas dos dois atores que sopram ar em Antes de Partir, mas há momentos de direção burocrática de Reiner em que mesmo Nicholson não impede o fastio do espectador. Particularmente, as cenas das viagens da lista. Quase todo rodado em estúdio, o filme não consegue se esquivar do artificialismo da mise-en-scène. Seja no Egito ou na Índia, Reiner começa com um plano aéreo para identificarmos o ponto turístico, depois passa para um plano geral da dupla entre alguns figurantes caracterizados, e termina com um plano mais próximo de Nicholson e Freeman conversando em frente a um fundo falso. Mais broxante que isso só a cena do paraquedismo com os rostos dos dois recriados via hedionda computação.

Em entrevistas, Reiner diz que sua intenção principal era equilibrar bem o drama da pesada premissa com algum humor, e fazer com que o sentimento não descambasse para o sentimentalismo. Nesse ponto, ele realmente sai vitorioso. Antes de Partir lembra-nos a todo instante da situação pela qual passam os dois personagens - e, principalmente, faz isso com uma dureza visual que inviabiliza o água-com-açucar.

Exemplos: a hora em que Feeeman percebe que o catéter estourou e sua camisa ficou toda suja de sangue, ou a gigantesca cicatriz na careca de Nicholson. Rob Reiner não se furta a filmar a doença em close-up; meias-palavras e esquivas, ademais, não são muito frequentes nos filmes do diretor. O tratamento que Antes de Partir dá ao drama chega a ser estranho, como quando o personagem de Nicholson recebe, com um close-up em seus óculos refletores, a notícia de que tem poucos meses de vida. É um plano de um anti-sentimentalismo realmente estranho, absurdo até.

E dizer que um filme é estranho e absurdo, vale lembrar, conta sempre como elogio.

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Comentários (5)

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- Muuka - Muuka (14/05/2011 19:14:23)   104 0
O filme nos leva a uma profunda analise da nossa vida , do que estamos fazendo , e principalmente do realmente deviamos fazer . Os ano passam tão de pressa , e deixamos tantas coisas pra depois , e me pergunto quem disse que haverá um "Depois" , um "mais tarde" ou até mesmo "um amanha" (?) .

Grande Historia , grandes atores , grande filme .

Recomendo.


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Falou tudo .



sem avatar Jonathan (11/01/2011 14:49:02)   0 0
Adorei jack ta impecavel como sempre e morgan errebentou um filme do genero drama
e comico ao mesmo tempo é muito bóm de se ver principalmente quando o filme é bém feito, o Hessel errou na clasificação dos óvos valia 4 óvos esse filme.



Evellin Evellin (06/01/2011 02:14:19)   9 1
Esse filme é incrível. Nicholson e Freeman são um show e toda a história acontece de uma forma que não dá pra não se comover. E a trilha sonora com a música 'Say' tem tudo a ver. Um dos melhores!



sem avatar Lilly (17/10/2010 07:35:13)   0 0
Extraordinario!!! é um filme sem dúvidas emocionante que traz uma boa historia envolvendo o mais sincero sentimento de amizade!!! sem falar que é engraçadinho... Jack e Morgam estão como sempre... impecaveis!!!




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