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Ato de Coragem | Crítica

Filme de guerra com militares de verdade perde na comparação contra qualquer shooter de videogames e sequer é tão "de verdade" assim

Marcelo Hessel
02 de Agosto de 2012

Ato de Coragem

Ato de Coragem

Act of Valor
EUA , 2012 - 110 minutos
Ação / Guerra

Direção:
Mike McCoy e Scott Waugh

Roteiro:
Kurt Johnstad

Elenco:
Tenente-comandante Rorke, Comandante Dave, Comandante-sênior Van D., Alex Veadov, Roselyn Sanchez, Nestor Serrano, Ailsa Marshall, Jason Cottle

Ruim
ato de coragem
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ato de coragem

Não tem nada mais vago do que dizer que os filmes estão cada vez mais parecidos com os games. Parecidos como? Por causa da ação cronometrada, ininterrupta? Isso é mais uma reação de Hollywood a um suposto déficit de atenção do público do que, necessariamente, uma aproximação com os games. São os jogos, aliás, que hoje emulam as narrativas dos filmes, e não o contrário.

Dito isso, não há nada em Ato de Coragem (Act of Valor) que o público-alvo desse filme já não tenha visto e jogado em qualquer Call of Duty. O longa-metragem dos diretores Mike McCoy e Scott Waugh é vendido como ineditismo, por ser protagonizado por militares de verdade, mas seu interesse é muito limitado para quem já se habituou a encarnar "militares de verdade" nos cada vez mais realistas shooters de guerra da atual geração de videogames.

O roteiro de Kurt Johnstad - que não por acaso tem no seu currículo de cinema apenas um filme, frequentemente comparado com games, 300 - coloca os Navy SEALs, a principal equipe de operações especiais da Marinha dos EUA, para impedir que um jihadista checheno e um traficante infiltrem homens-bomba no país pela fronteira mexicana. Embora no começo o filme diga que a trama é "baseada em atos de bravura reais", a premissa é obviamente fictícia e os coadjuvantes e vilões são vividos por atores profissionais.

Só os SEALs são "de verdade", enfim, mas isso não impede que eles sejam pintados no filme como idealizações do Herói Americano. Na vida real, o grosso dos homens que os EUA mandam para o front são jovens latinos e negros, frequentemente desempregados, que buscam na vida militar não só uma professada glória mas também um sustento para suas famílias. Em Ato de Coragem, os dois SEALs protagonistas, o tenente-comandante Rorke e o comandante Dave, são os estereótipos do quarterback fotogênico do colégio da Costa Oeste: casam-se com uma bela loira magra, orgulham-se de sua prole, pegam onda e fazem aquele churrasco entre amigos antes de embarcar numa missão.

Daria pra ficar aqui questionando outras liberdades poéticas (a cena do interrogatório parece um chá das cinco; cadê o waterboarding da vida real?), mas entrar na jogada de Ato de Coragem e testar cada ponto desse suposto realismo seria um erro; cinema é fabulação, afinal, independente do que diga a campanha de marketing do filme. Mesmo porque o que Ato de Coragem tem de "fiel" é muito aborrecido; só um fetichista deve se importar se o subordinado responde ao capitão com um "check" ao invés de "sim, senhor".

O que sobra é um filme que evita qualquer tipo de reflexão sobre a guerra que não seja repetir mantras da direita, e que mimetiza a estética dos shooters a ponto de tornar a câmera em primeira pessoa a sua principal perspectiva na hora do combate (mas só do ponto de vista dos heróis, claro). Ato de Coragem não percebe que só tem a perder nessa comparação, porque não tem como reproduzir a experiência de interatividade dos games. E até os personagens de computação gráfica de um Modern Warfare atuam melhor que os SEALs de Ato de Coragem.

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Comentários (25)

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Roberto Roberto (10/08/2012 00:09:25)   25 0
Valeu Hessel, gostei demais da crítica.



sem avatar byron (08/08/2012 10:28:02)   -1 0
Hessel é o típico esquerdinha chiliquento dando um piti antiamericano...
Vamos aos fatos:

"Só os SEALs são "de verdade", enfim, mas isso não impede que eles sejam pintados no filme como idealizações do Herói Americano"
E não são mesmo? do jeito que vc falou parece se tratar de uma quadrilha.

"Na vida real, o grosso dos homens que os EUA mandam para o front são jovens latinos e negros, frequentemente desempregados"
Não. Esse tem sido um clichê liberal desde os 60's. Os militares americanos são majoritariamente brancos oriundos da classe média, incluindo os mortos e feridos de combate. Se tratando das Special Forces, + D 90% brancos (só 2% dos Seals são negros). Dá uma olhada nessas estatísticas:

http://www.statista.com/statistics/214869/share-of-active-duty-enlisted-women-and-men-in-the-us-military/

http://usmilitary.about.com/od/joiningthemilitary/a/demographics.htm

http://sbpdl.net/2011/05/05/how-white-was-the-navy-seals-team-that-military-too-white-navy-seals-diversity-black-people-seals/

"são os estereótipos do quarterback fotogênico do colégio da Costa Oeste: casam-se com uma bela loira magra..."

Sinceramente, vamos pelo menos concordar
que essa übervalorização do loser, do nerd, do outsider, já encheu o saco né? E todo herói agora tem que ser anti-herói,porra, os protagonistas são heróis ao estilo John Wayne, coisa muito rara no cinema de hoje em dia.

"cadê o waterboarding da vida real?"

Também senti falta... de ver um terrorista FDP levando pau.

"O que sobra é um filme que evita qualquer tipo de reflexão sobre a guerra que não seja repetir mantras da direita"

Leia-se: o filme comete o crime horrível de não ser esquerdista, de não demonizar os militares americanos, de não deslegitimar o patriotismo ianque,
enfim, de não ser a típica chatisse de diretor democrata tosco que quase todo filme de guerra hollywoodiano é. Se fosse mais uma porcaria a la Oliver Stone e cia, o Hessel daria 5 estrelas.

"Mimetiza a estética dos shooters a ponto de tornar a câmera em primeira pessoa a sua principal perspectiva na hora do combate (mas só do ponto de vista dos heróis, claro)"

Ficou com peninha dos terroristas e narcotraficantes Hessel? leva pra casa e põe pra dormir com sua mulher.

"até os personagens de computação gráfica de um Modern Warfare atuam melhor que os SEALs"

A atuação é mesmo no nível de Paris Hilton, Hanna Montana. Mas um filme sobre os 'Rambos' da vida real não tem obrigação de ser Shakespeariano. Podia ser, mas não precisa ser..

Merece umas 3 estrelas só pela diversão.

E dá um desconto pro diretor ter escolhido milicos de verdade Hessel, pense bem, Hollywood hoje é um antro de metrossexuais afeminados, quem ele iria convocar pra interpretar os Navy Seals fodões? Shia Labeouf? Ryan Reynolds? Jake Gyllenhaal? ou o Tobey Maguire? porra!são tudo bicha!








Cresstiano Cresstiano (08/08/2012 13:30:53)   16 0
Assino embaixo de tudo que vc disse.
Quem procura esse tipo de filme são entusiastas por ações militares, tão pouco ligando pra historia, querem ver manobras reais feitas com a maior fidelidade possive. Aquele lance deles se comunicarem apenas com toques nos ombros são detalhes que não foram percebidos pelo Hessel. Eu por exemplo só queria ver taticas de invasão reais e não aquela galhofa costumeira de hollywood onde os diretores e atores inventam só pq fica legal na telona.
Pra mim Ato de Coragem tá mais como documentario sobre Seals do que um filme normal pois a historia está ali só pra encher linguiça e eu nem me importei com ela.

3 OVOS FÁCIL.

George George (22/11/2012 18:14:17)   8 0
Também concordo com tudo com o que você falou. Vi o filme agora há pouco tempo, e sinceramente gostei demais. As ações militares são fodas demais, apesar da costumeira confusão em filmes de ação, as coisas acontecem tão rápido que você perde um pouco a noção do tempo e espaço do filme, mas se vc desencana dá pra curtir muito.

Eu não tinha lido nada sobre o filme antes de ver, então não sabia que o filme era estrelado por militares de verdade, mas isso fica claro vendo o filme, realmente os militares do filme estão muito longe dos nanicos baitolas de Hollywood. Acho que isso traz uma nostalgia que filmes de ação eram estrelados por homens de ação de verdade (Shwarzeneger, Stallone, Van-Dame, Seagal). E hoje temos um bando de magrelóides cheio de frescuras.

Agora uma coisa que o Hessel esqueceu de comentar sobre o filme são os exemplos de amizade e companheirismo, isso está o tempo todo evidente no filme

Agora é claro também que o filme é feito de patriotas para patriotas norte americanos, pois se o mundo os odeia, é porque existem motivos, e de fato milhares de pessoas morrem em campo de batalha pra defender os interesses deste pais que deseja impor seus interesses ao mundo inteiro


sem avatar Bruce (07/08/2012 14:45:34)   127 0
Por mais crítico que eu seja da política norte-americana, seria interessante se o Hessel não misturasse suas opiniões a esse respeito na hora de analisar o filme. Se fosse por isso eu consideraria Einsenstein um babaca de primeira por defender a causa comunista através da estética criada por ele.



Cresstiano Cresstiano (06/08/2012 23:48:31)   16 0
Esse filme me deu pela 1ª vez a sensação de quanto é ruim a sensação de atirar em alguém, chega a convencer que os alvos morrem mesmo principalmente na cena da selva.



Cresstiano Cresstiano (06/08/2012 23:45:21)   16 0
Pô Hessel eu assisti o filme e gostei mas não pelo enredo e sim como são as taticas militares reais no campo de batalha, parece um balé da morte de tão entrosados, muito bom mesmo, isso é o que eu estava buscando num filme militar e nunca tinha visto antes.

Descordo do Hessel e dou 3 ovos fácil pra ele.



Luis Cesar Luis Cesar (05/08/2012 12:03:20)   22 0
É estranho o Hessel não ter gostado do filme,a produção obteve ótimos resultados financeiros nos EUA.Mas como bilhteria não serve de parâmetro para apontar a qualidade de um filme vamos pra frente né...


sem avatar Wellington (06/08/2012 04:17:02)   4 2
Mas esses filmes militarizados patrióticos costumam arrecadar boa bilheteria nos States. Se existe uma coisa que eles gostam de se gabar é dos feitos e da tecnologia dos seus militares.


Majin-Boo Majin-Boo (03/08/2012 17:48:48)   409 1

A CallofDutização dos jogos chegou aos filmes. Ou sera que foram os filmes que CallofDutizaram os Jogos?




sem avatar Alessandro (03/08/2012 12:22:59)   -11 1
Tudo bem que o filme possa ser chato (eu não vi ainda),

Mas o critico errou feio em comparar os seals com fuzileiros comuns, os fuzileiros comuns sim, feitos de grande parte de pessoas que muitas vezes não tiveram outras opções, já os homens que fazem parte dos seals, tem uma carreira promissora, após deixar o grupo, muitos vão montar suas próprias empresas assessorar o governo etc..Os Seals são totalmente independentes das forças armadas americanas, tem orçamento próprio os melhores equipamentos tecnológicos, e exigem pessoas altamente qualificadas.

Para fazer o critica o autor não teve o minimo de cuidado em apurar a realidade.



sem avatar Ademar (03/08/2012 08:06:21)   -3 -1
Eu já vi, quero dizer tentei ver, o filme é bem chato.



sem avatar Alacoque (03/08/2012 07:20:45)   7 0
Gostei muito da critica. Os clichês americanos são um saco. Mas isso não estraga um filme na minha opinião. Se estraga, vocês têm que tirar todos os ovos de Os Vingadores por causa do Capitão América. Vou ver o filme, mas já preparado para ignorar esse americanismo.



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nilton nilton (03/08/2012 01:24:31)   -898 0
é isso ai hessel, esculacha mesmo, peace not war



sem avatar Paulo André (02/08/2012 21:24:24)   -1 -3
Comentário mal avaliado pelos leitores. Clique para ler.

Nino Nino (03/08/2012 10:05:08)   -3 -1
concordo

sem avatar Vinícyus (03/08/2012 11:02:59)   8 1
bem, eu discordo!
Que filme lixo!
Quem dera eu tivesse lido a critica antes...


sem avatar sergio (02/08/2012 19:53:23)   10 3
O jeito é assistir novamente o Batman ...



LordMarcio LordMarcio (02/08/2012 19:04:03)   59 0
POxa, pensei q fosse bom!

Trailers enganam mesmo.
Afinal, as melhores partes estão ali em 2min e meio.

Por isso que digo, não existe trailer ruim e caso vc tenha achado ruim o trailer corra pra bem longe do filme.

valeu Hessel, vou ver outra coisa agora.



Everton Everton (02/08/2012 18:55:19)   -4 0
particulamente eu assisti e gsttei pra caramba do filme :)



Nino Nino (02/08/2012 18:51:14)   -3 -2
Vi esse filme faz um tempo já, e não vi nada de ruim. Tem atuações fracas? Tem. Tem patriotismo americano? Sem dúvida. Tem clichês? Também tem.

Mais nem por isso é ruim, é um filme divertido de assistir. Merecia pelo menos uns 3 ovos.



Rafael Rafael (02/08/2012 18:40:10)   30 1
"até os personagens de computação gráfica de um Modern Warfare atuam melhor que os SEALs de Ato de Coragem." Gostei dessa Hessel



Red Leader Red Leader (02/08/2012 18:28:08)   -76 0
Rá, fico imginando a cara do Hessel nessa cabine.



Kainã Kainã (02/08/2012 18:24:10)   57 0
CARAMBA! Ruim?! Nossa, vamos ver.




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