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Blade Runner

Andróides sonham com carneirinhos elétricos?

Renato Góes
02 de Agosto de 2002

Críticos de cinema torcem o nariz para os filmes de ficção científica por terem uma idéia arbitrária de que o gênero é composto por produções em que a prioridade é dada apenas os efeitos especiais, deixando de lado a continuidade do roteiro e a própria atuação do elenco. No entanto, Blade Runner - O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982), foge dos parâmetros pré-estabelecidos e traz adjetivos suficientes para agradar até mesmo os que não são fãs do gênero.

A história é ambientada no início do século 21, mais precisamente em Los Angeles. O clima quente e ensolarado é substituído por uma metrópole de formas e cores sinistras, onde uma superpopulação se amontoa em arranha-céus decadentes, corroídos por uma incessante chuva ácida que teima em não parar de cair.

É nesse decadente planeta Terra que vive o detetive Deckard, interpretado por Harrison Ford. Ele é convocado por seus superiores a realizar um último trabalho. Exterminar quatro andróides desertores, chamados carinhosamente de replicantes, que fugiram à cidade após uma rebelião em um sistema estelar. O detalhe é que essa geração de andróides é o mais próximo que os humanos chegaram da perfeição robótica. Além de dotarem de grande inteligência, agilidade e força física, os replicantes têm um objetivo a ser alcançado. A busca por mais tempo de vida.

A produção

A história é baseada na obra de Philip K. Dick, Do Androids Dream of Eletric Sheep?, e foi adaptada pelos roteiristas Hampton Fancher e David Peoples. A direção ficou a cargo de ninguém nada menos que Ridley Scott (Gladiador), que anos antes já havia feito o também cult Alien - O 8º Passageiro (considerado por muitos, inclusive eu, o melhor da série). Um dos destaques do longa-metragem é a sua direção de arte, que se deixou inspirar nos filmes noir da década de 50 e em outro clássico da ficção científica, Metrópolis, de Fritz Lang.

O elenco de Blade Runner é composto por Sean Young, Edward James Olmos, Daryl Hannah e Rutger Hauer, em seu melhor papel. É dele um dos melhores momentos do filme, quando profere a célebre frase todos esses momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Poético, não?


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