Bobby
EUA
, 2006
- 119
Drama
Direção:
Emilio Estevez
Roteiro:
Emilio Estevez
Elenco:
William H. Macy, Anthony Hopkins, Heather Graham, Elijah Wood, Laurence Fishburne, Helen Hunt, Martin Sheen, Joshua Jackson, Christian Slater, Sharon Stone, Demi Moore, Lindsay Lohan
Normalmente, os filmes têm um ou dois personagens principais e alguns coadjuvantes orbitando pela trama. Mas existem os cineastas que não se prendem às regras e vão além para contar suas histórias.
Era este o caso do mestre Robert Altman, falecido no ano passado, que criava filmes cheios de personagens, todos eles riquíssimos. Guardadas as devidas proporções, é assim Bobby (2006), de Emilio Esteves. Apesar de ter o irmão mais novo de John F. Kennedy no título, a história é centrada nas outras pessoas que estavam no Ambassador Hotel no dia em que Robert Kennedy, então candidato à presidência dos EUA, foi baleado.
Ao todo, são 23 personagens que entram e saem de cena e todos eles com tempo suficiente para mostrar sua raison d'être, e o seu papel naquele microcosmo desenhado pelo diretor e roteirista Esteves. Estão lá os jovens sonhadores que se voluntariaram para ajudar na campanha, a garçonete que vem do interior com o sonho de ser atriz em Hollywood, o hippie, o jovem que se casa para fugir do Vietnã, os negros, os latinos, os trabalhadores da classe média, a alta sociedade.
Ajuda bastante o fato do diretor contar com ótimos atores, que enchem o pôster do filme e também a telona. Para não ficar exaltando as já conhecidas qualidades de atores como Anthony Hopkins e William H. Macy, destaco o trabalho de Joshua Jackson (finalmente deixando para trás o "fantasma" de Dawson's Creek). Estão igualmente irreconhecíveis Sharon Stone e Demi Moore, respectivamente como a cabelereira do hotel e a cantora alcóolatra em decadência.
Robert F. Kennedy também aparece, claro, mas apenas em imagens recuperadas de arquivo. São mostrados ali discursos e reportagens em que ele aparece ao lado do povo estadunidense. Não os nova-iorquinos e californianos saudáveis, mas sim os pobres que não tinham a atenção do governo da época e por isso idolatravam o jovem senador. E é aí que está a grande "sacada" do filme, os paralelos com os dias atuais.
Bobby, que havia perdido os dois irmãos mais velhos, carregava a bandeira da coexistência pacífica, da integração entre raças não apenas para o seu país, mas para um mundo melhor. Enquanto seu compatriota George W. Bush demora para mostrar a cara em uma Nova Orleans destruída pelo Katrina o então candidato a presidência visitava o delta do Mississipi para ver de perto a miséria que teria de combater. Isso sem falar na óbvia comparação entre os soldados que nos anos 60 iam para o Vietnã e hoje são mandados para o Iraque.
Dizem que a bala que atingiu Bobby matou também a esperança de um mundo melhor. Mas o mundo não pode depender de apenas uma pessoa. Cabe a nós fazermos as nossas partes. Emílio Esteves está fazendo a dele... e muito bem feita!
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