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Conduta de Risco

George Clooney e Tony Gilroy trazem de volta os thrillers políticos da década de 70

Érico Borgo
06 de Dezembro de 2007

Conduta de Risco

Conduta de Risco

Michael Clayton
EUA , 2007 - 119
Suspense

Direção:
Tony Gilroy

Roteiro:
Tony Gilroy

Elenco:
George Clooney, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Michael O'Keefe, Sydney Pollack, Danielle Skraastad, Wai Chan

Ótimo
Conduta de Risco
Conduta de Risco
Conduta de Risco

George Clooney tem uma das carreiras mais sérias de Hollywood. O ator fez a difícil passagem da televisão para as telonas primeiro com papéis em filmes de ação - mas aparentemente isso foi apenas para que ganhasse um fôlego financeiro, empregado mais tarde no trabalho em filmes inteligentes e conscientes, seja como ator, produtor ou diretor. Se ele esteve no pior Batman de todos ou no esquecível O Pacificador, fez pelo menos três vezes mais bons filmes. Todas escolhas acertadíssimas, como Syriana, Boa Noite Boa Sorte, O Segredo de Berlim, Confissões de Uma Mente Perigosa... e agora volta a acertar em Conduta de Risco (Michael Clayton), outra dessas excelentes produções que ele seleciona tão bem.

Mas se inicialmente é difícil separar a imagem glamurosa e vencedora dele na série iniciada por Onze Homens e Um Segredo, não tarda para que percebamos que aquele ali é outro cara, completamente diferente. Não que Michael Clayton (Clooney) tenha menos recursos ou charme que Danny Ocean, mas certamente tem muito menos sorte e ambição.

O personagem-título vive na trama o pior dia de sua vida. Seu bar fechou, ele deve dinheiro a agiotas e seu amigo Arthur (Tom Wilkinson, perfeito, alucinado e indicação certa ao Oscar de coadjuvante em 2008) surtou enquanto cuidava do maior caso da gigante empresa de advocacia na qual ambos trabalham. Cabe a Michael encontrá-lo e devolvê-lo à razão. Mas em seu caminho estão os mesmos motivos pelos quais Arthur teve seu colapso.

Trata-se de uma história sobre ética profissional e social - e a linha que não deveria separar as duas -, cuidadosamente elaborada pelo talentoso roteirista Tony Gilroy, em seu primeiro trabalho também como diretor. Ele já havia provado ser ótimo escritor de diálogos (O Advogado do Diabo) e de personagens e suspense (franquia Bourne), mas aqui simplesmente atinge um equilíbrio digno dos grandes thrillers políticos setentistas. A tagarelice (é um filme de advogados, afinal) é constante e variada. Ele escreve com a mesma competência os ácidos comentários de uma mesa de pôquer, conselhos paternos e verborragias jurídicas. Do outro lado, a tensão não dá trégua e o único grande respiro do filme, o metafórico momento em que Michael sai do carro no campo, dura apenas o suficiente...

Gilroy acerta também na seleção fortíssima de elenco (não dá pra errar com Clooney, Wilkinson, Tilda Swinton e Sydney Pollack); na confiança na direção de fotografia inspirada e atmosférica, mas sem excessos, de Robert Elswit (também de Syriana e Boa Noite Boa Sorte); e ao optar pela montagem de seu próprio filme, algo que faz de maneira não-linear, com grandes blocos de flashbacks e apresentações desencontradas de personagens. Leva um tempo para que entendamos todos os jogadores em campo, mas quando eles, bem como suas posições, são revelados, a partida vira clássico.

E se o final pode soar um tanto equivocado para alguns (eu mesmo tive uma certa dificuldade em aceitá-lo), imediatamente após creditei a ele tudo o que o filme não mostra, mas insinua. Essa, aliás, é outra das qualidades do roteiro. Nunca vemos o personagem de Clooney efetivamente tendo sucesso no que todo mundo diz que ele faz tão bem (ele diz que é um "faxineiro", alguém que corrige os erros dos outros na empresa), mas acreditamos que ele é capaz. Os personagens e ambientações são tão bem desenvolvidos que não precisamos ver determinadas situações para entendê-las. E não há maior elogio para um roteirista.


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Comentários (1)

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sem avatar Tiago (11/09/2011 22:09:10)   5 1
Excelente realmente digno de comparações com grandes thrillers dos anos 70 como TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE E TRÊS DIAS DE CONDOR.




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