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Crítica: A Fita Branca

Michael Haneke aplica a relação de crime e castigo de Caché para a Alemanha pré-nazismo

Marcelo Hessel
07 de Outubro de 2009

A Fita Branca

A Fita Branca

Das Weiße Band
Alemanha / França / Áustria / Itália , 2009 - 145
Drama

Direção:
Michael Haneke

Roteiro:
Michael Haneke

Elenco:
Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner

Bom
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Crimes de ódio não são novidade nos filmes de Michael Haneke (Violência Gratuita), e em A Fita Branca (Das Weiße Band), Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2009, ele procura a origem do crime de ódio mais filmado e analisado do século 20, o Holocausto.

Estamos em um vilarejo na Alemanha às vésperas da Primeira Guerra Mundial, e o vínculo com o nazismo é montado já na fala do narrador, que conta que ali, naquela comunidade, pequenos eventos prenunciam o que aconteceria com o país todo, anos depois. Haneke começa o filme, portanto, amarrado conscientemente nessa analogia com o Holocausto - e, ao seu modo habitual, começa a ditar o tipo que reação que espera do público.

O primeiro mistério é filmado com impacto: o médico do vilarejo está voltando para casa, montado num cavalo, quando um arame esticado entre cercas derruba o animal. Não se encontra o culpado pelo arame. Tempos depois, o filho do barão local se torna vítima. Em comum, os crimes têm a forma de castigo. Como em Caché, esse flerte com o subgênero do whodunit se reveste de comentário social - existe algo escondido ali, e não é só a identidade do criminoso.

O fato é que a punição, embalada como disciplina, está enraizada no vilarejo - e a fita branca do título, que o pastor local força dois de seus filhos a usar, como sinal de vergonha por pecados cometidos, é obviamente a antevisão da futura etiquetação antissemita de judeus nos princípios da Segunda Guerra. Costuma-se crer que Hitler chegou ao poder auxiliado pelo rancor que os alemães sentiam após a devastação do país na Primeira Guerra, mas para Haneke o embrião do mal é anterior.

E a maneira que o diretor austríaco encontra para dar rosto a esse mal é agressivamente despojada: close-ups de caras limpas, de feições sem traços de culpa ou de remorso, sem traço mesmo de ódio - ainda que esse ódio, nós sabemos, exploda de tempos em tempos. Um personagem diz, em algum momento, certeiro, que se trata de um ódio pior: os linchadores odeiam a si mesmos. De novo, como em Caché, a questão é entender quem é de fato a vítima.

Se A Fita Branca está preso à analogia com o nazismo, pelo menos a exerce com lampejos de brilhantismo, como no plano final, da missa na igreja, com sua arquitetura que lembraria depois um salão do Terceiro Reich. Independente da crítica que se faça à postura de Haneke diante do espectador, é inegável que ele está se fazendo entender.

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Comentários (4)

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sem avatar Dory Hélio (01/11/2011 00:16:24)   0 0
Olha, assisti a esse filme 2 vezes, e em minha opinião ele é excelente. A fotografia...a atuação do professor, brilhantes!



Pedro Paulo Coelho Pedro Paulo Coelho (11/01/2011 23:42:53)   1 0
O filme é lento, difícil, complexamente compassado. Só porque não tiveram paciência pra assistir, não quer dizer que o filme seja ruim.



Ad Samp Ad Samp (11/01/2011 22:54:06)   182 0
Se Hassel comparou a Caché do mesmo diretor, então vou passar batido.

Caché é podre.

Ele faz uma ODE aos filmes parados. Onde nada acontece literalmente.

Parecendo aqueles filmes asiáticos dos anos 90, tipo "O cheiro da Papaya verde" e outras pérolas.



sem avatar lucio (17/04/2010 23:01:53)   0 0
A fotografia é bonita..mas o filme é PÉSSIMO.Extremo mau gosto. Histórias profundas não são sinônimas de histórias pesadas que se arrastam ao longo de mais de 2 horas. Faz o expectador pensar: Pensar o que ele está fazendo ali.




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