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Crítica: A Vida Marinha com Steve Zissou

A Vida Marinha com Steve Zissou

Marcelo Hessel
19 de Maio de 2005

A Vida Marinha com Steve Zissou

A Vida Marinha com Steve Zissou

The Life Aquatic with Steve Zissou
EUA , 2004 - 2004
Comédia

Direção:
Wes Anderson

Roteiro:
Wes Anderson e Noah Baumbach

Elenco:
Bill Murray, Owen Wilson, Cate Blanchett, Anjelica Huston, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Michael Gambon, Noah Taylor, Burd Cort, Seu Jorge, Robyn Cohen, Waris Ahluwalia, Niels Koizumi, Pawel Wdowczak,

Excelente
A Vida Marinha com Steve Zissou
A Vida Marinha com Steve Zissou
A Vida Marinha com Steve Zissou

Como cineasta, Steve Zissou (Bill Murray) é um ótimo oceanógrafo.

Os filmes que registram as suas expedições no mar já não fazem o mesmo sucesso de antes. Pessoas o hostilizam na première no Festival de Locarno, riem na coletiva de imprensa. A segunda parte da série que mostra a caçada ao mítico tubarão-jaguar, peixe que ninguém conhece mas ele diz ter comido o seu melhor amigo no episódio um, periga não sair por falta de dinheiro.

Eu achei a primeira parte muito artificial, diz a repórter Jane Winslett-Richardson (Cate Blanchett), convidada ao navio Bellafonte para fazer a matéria de capa que pode atrair investidores e salvar a carreira do decadente protagonista de A vida marinha com Steve Zissou (2004). Ele não gosta, mas Jane tem razão. Tudo nos pretensos documentários do oceanógrafo é ensaiado. Não há naturalidade. Zissou se apóia no leme como se recitasse Shakespeare. Os enquadramentos ultra-formais parecem aquelas molduras de fotos de pescarias.

Cinema para falar de cinema, pelo que se vê. Seria só uma porção de metalinguagem se o diretor Wes Anderson não começasse a brincar, aí, com a sua própria carreira.

Caça a Moby Dick no Yellow Submarine

Pois é justamente como um esteticista que Anderson é julgado, principalmente por Três é demais e Os Excêntricos Tenenbaums, respectivamente segundo e terceiro filme de sua carreira. Acusam-no, como a Zissou, de artificializar situações, de caricaturar personagens sem alma. Os enquadramentos simétricos de Tenenbaums são idênticos aos dos filmes do marinheiro.

O cineasta, portanto, tem nele o seu alter-ego. As ações do personagem de Murray - o primeiro protagonista do ator depois de coadjuvar para Anderson nos dois anteriores citados - devem ser interpretadas como uma declaração de princípios do diretor e, em última análise, como uma resposta aos seus críticos. A boa notícia é que Anderson pode até declarar seus princípios, mas não perde a piada.

A vida marinha potencializa, para o bem ou para o mal, todas as impurezas até hoje apontadas na antologia de Anderson. As situações forçadas são mais forçadas ainda, com direito a tiroteio tosco de festim com piratas filipinos. O esteticismo se desdobra em psicodelismo de cardumes multicoloridos criados em stop-motion. As caricaturas são muito mais caricatas, usam sunga Speedo listrada, tênis Adidas e gorro vermelho. A trilha sonora, que já se sobrepunha à trama, agora tem canto cativo com versões de David Bowie em português no violão de Seu Jorge.

Em resumo, é a caçada de Moby Dick a bordo do Yellow submarine guiado por Afonso Brazza.

Isto é uma aventura.

Onde quer que passe as pessoas dizem que A vida marinha é um filme difícil. Por quê? Não é nenhum iraniano com planos longos e tempos mortos. Não é um Godard de trás pra frente. É difícil, isso sim, na medida em que se tenta encontrar significados profundos nessa metalinguagem. O apego de Zissou por um memorialismo afetivo, a busca por um filho, sua carência de amor, seria reflexo do medo de Anderson de ser criticado.

Mas não é essa, aparentemente, a intenção do diretor. Ele gosta de fazer rir, não de ser analisado. Entende-se, portanto, que essa overdose de Anderson a cada segundo é seu pedido para que não seja levado muito a sério. Só alguém que goza de si mesmo colocaria uma orca fazendo piruetas no fundo de uma tensa cena dramática. Ele e Zissou desejam - como Fellini, que adorava uma cenografia megalomaníaca com pedestais, elefantes e multidões - dar vida às imagens oníricas de suas imaginações assim que alguém queira pagar por elas. Basicamente.

Por isso mesmo é que Zissou, em sua última fala, sentado no chão com o seu baseado, diz: Isto é uma aventura. Os filmes de Anderson sempre tiveram problemas de catalogação, transitando entre o drama e a comédia sem estacionar em nenhum. Não se preocupe com rótulos, diz ele nas entrelinhas. Aceitar A vida marinha - aliás, qualquer um dos seus filmes anteriores - apenas como um despretensioso mergulho nonsense pode melhorar a experiência do público.


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Comentários (3)

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sem avatar Capitão Obviedade (15/02/2012 14:32:12)   -2 0
que filme idiota.



Carlos Carlos (31/12/2010 20:48:00)   1362 1
Assisti ontem o filme, e gostei bastante...

Wes Anderson realmente é um diretor de primeira e sabe como fazer um bom trabalho!

Eu daria 4 ovos.

Pois gostei mais do Viajem A Darjeeling...



Davidson Davidson (17/03/2010 12:05:01)   -2 0
A verdade é que o filme apresenta personagens interessantes que dialogam de maneira que somente Anderson pode fazer os personagens falarem, o que representa sim uma boa coisa, mas a história do filme não envolve tanto quanto as histórias de seus outros filmes. Pra sorte de Anderson, ele conta com um elenco de primeira, que inclui uma Anjelica Huston mostrando que pode interpretar o papel que quiser. Não é um filme que recomendo ninguém a assistir, mas qualquer um que tiver interesse não será desencorajado.

Essa resenha completa e outras resenhas de filmes em: http://resenhafilme.blogspot.com/




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