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Crítica: Águas Verdes

Suspense, humor e paranóia à beira-mar

Érico Borgo
28 de Outubro de 2009

Águas Verdes

Águas Verdes

Aguas Verdes
Argentina , 2009 - 90
Comédia / Suspense

Direção:
Mariano De Rosa

Roteiro:
Mariano De Rosa

Elenco:
Jorgelina Amedolara, Diego Cremonesi, Alejandro Fiore, Milagros Gallo, Maxi Gigli, Maximiliano Gigli, Julieta Mora, Efrat Wolns

Ótimo
Aguas Verdes
Aguas Verdes

Quando o argentino Águas Verdes começa, faz lembrar de O Pântano (La Ciénaga, 2001).

Inicialmente, o ritmo, tom e enquadramentos sugerem um filme de observação. Mas logo o diretor Mariano De Rosa deixa para trás qualquer comparação com Lucrecia Martel. Cenas bem-humoradas com o turrão Juan (Alejandro Fiore) e sua família desarmam o público, que passa a esperar uma comédia leve sobre desventuras em uma viagem à praia.

No entanto, o cineasta estreante em longas não para de surpreender. Depois de um início de viagem desgraçado, saindo de La Plata em direção ao balneário de Aguas Verdes, as excentricidades do patriarca, sua esposa (Milagros Gallo) e casal de filhos - um gordinho esquisito (Maximiliano Gigli) e uma ninfeta adolescente tomando corpo (Julieta Mora) - começam a perturbar. De Rosa introduz personagens que nada têm de estranho, como o viajante Roberto (Diego Cremonesi), mas que ao serem vistos pelos olhos de Juan parecem esconder segredos.

O diretor, filmando em coloridíssimo Super16mm, cria tensão com facilidade. Fotografa os protagonistas e personagens periféricos com interesse voyerístico. Vez por outra, sobe uma música sombria e ritmada, fazendo parecer que um acontecimento terrível é iminente... mas isso jamais acontece. Conforme cresce a paranóia de Juan, que acha que todas as pessoas que o cercam na praia pretendem de alguma forma ferir sua família, aumenta também a desconfiança do público, que aguarda ansioso a reviravolta. Como ela não vem (ou pelo menos não da maneira esperada), o humor vira uma certa tristeza. Há algo errado com o pai.

Águas Verdes é curioso - tem aspecto e situações absurdas de comédia, mas se apoia em um suspense crescente. Parece até um desses exercícios de edição que existem aos montes na internet, em que estudantes pegam filmes consagrados e montam trailers deles trocando o gênero (O Iluminado como comédia, por exemplo).

É como se M. Night Shyamalan dirigisse Férias Frustradas. Uma estranha e equilibrada mistura que merece atenção.

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