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Crítica: Amelia

Cinebiografia exagera ao transformar a aviadora em ícone caricato

Érico Borgo
25 de Março de 2010

Amelia

Amelia

Amelia
EUA / Canadá , 2009 - 111 min
Biografia / Drama

Direção:
Mira Nair

Roteiro:
Ron Bass, Anna Hamilton Phelan

Elenco:
Hilary Swank, Richard Gere, Ewan McGregor, Christopher Eccleston, Joe Anderson, Cherry Jones, Mia Wasikowska, Aaron Abrams

Regular
Amelia
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Cinebiografias de figuras históricas famosas são verdadeiros caça-Oscar. O público, os atores e os votantes da Academia adoram esse tipo de produção, que costuma sair laureada de premiações quando bem realizada. Frequentemente, porém, a certeza de sucesso é tão grande que parece que todos os envolvidos se deslumbram com as vidas retratadas e transformam pessoas normais - ainda que de destaque em suas épocas - em versões um tanto caricatas de quem elas devem realmente ter sido.

É o caso com Amelia, filme sobre a vida da aviadora e ativista dos direitos da mulher Amelia Earhart (1897-1937).

Duas vezes premiada com o Oscar de melhor atriz, Hilary Swank assume o papel principal. Seus traços pouco convencionais para uma atriz hollywoodiana são perfeitos para a estranha piloto masculinizada que desafiou a sociedade às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Seria um casamento perfeito, não fosse o péssimo roteiro de Ron Bass (Rain Man) e Anna Hamilton Phelan (Na Montanha dos Gorilas) que despeja sem dó frases clichê a cada diálogo. Para os autores, Amelia não é uma pessoa, mas uma ideia.

Era de se esperar que a diretora indiana Mira Nair (Feira das Vaidades, Nome de Família) não deixasse que o roteiro engessado dominasse a produção, mas ela parece atarefada demais com a reconstituição de época para dar a atenção devida aos atores. Richard Gere pela enésima vez sendo Richard Gere é outro ponto falho. Seu George Putnam, o editor dos livros de Amelia e futuro marido da aventureira, é limitado às três caras que o ator se limita a fazer quando opera no automático. Com frases feitas e inexpressividade, simplesmente não há sensualidade alguma na interação dos dois, nem quando um terceiro elemento forma um triângulo amoroso, o especialista em aviação Gene Vidal (Ewan McGregor).

Mas se Nair realmente se empenhou em dirigir a reconstituição, ao menos algo ela fez direito. Os figurinos, a pesquisa dos aviões e os cenários são perfeitos, retratos realistas dos tempos de Amelia Earhart. As cenas aéreas, fotografadas por Stuart Dryburgh, são igualmente empolgantes. Mas é como dizem... quando o que salta aos olhos é o trabalho de outros e não o do diretor, algo está muito errado...

A trama acompanha o auge da carreira de Amelia. De sua bem-sucedida viagem sem escalas através do Atlântico a bordo do Friendship até o inédito primeiro vôo ao redor do planeta. No meio, a criação da associação de mulheres piloto, o interesse por George e Gene, a atenção da mídia, os preparativos para a última missão e a sua transformação em figura inspiradora para a nação na era pessimista da grande depressão.

Mas se o desenvolvimento é falho e caricato, ao menos o clímax é carregado de tensão. De qualquer forma isso é fácil de explicar, afinal, todo o desfecho quase não tem diálogos, o grande problema do filme. É interessante também a opção da cineasta em não se concentrar nas derrotas de Amelia (a primeira tentativa da volta ao mundo é mostrada apenas indiretamente), o que aumenta a emoção do final, que evita ainda todas as teorias da conspiração sobre a aviadora. Um fim digno para uma cinebiografia apenas medíocre.

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Comentários (5)

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sem avatar ivan (08/09/2010 13:23:50)   1 0
Acabei de ver o filme em DVD e impressão que eu tenho (principalmente depois de ver as cenas deletadas)é que o filme foi decapitado. a edição é extremamente confusa. até mesmo o close em determinados pontos é claustrofóbico, explico melhor, as vezes a câmera coloca closes muito próximos dando uma sensação de confinamento e até mesmo corta metade da cabeça da atriz Hilary Swank, inclusive os olhos. como Borgo falou a cenografia é caprichada, mas fica nisso. Além do mais, Richard Gere só é muito do mesmo quando é mau dirigido, o que mostra o desleixo da diretora Mira Nair, que praticamente deixou o filme na mão dos atores. As cenas deletadas incluem tomadas inteiras, inclusive modificando a história, a exposa do personagem de Gere, interpretada por Virgínia Madsen sumiu da edição final, até mesmo algumas panorâmicas aéreas belíssimas cruzando cachoeiras e arco íris e por cimas das nuvens foram deixadas de lado. Para mim, o filme foi um completo desperdício de um bom trabalho.



G. brucew G. brucew (24/07/2010 18:49:32)   5 0
nao vi nada demais, cenas aereas legais, mas a swank um tanto caricata e... mais nada. Um filme comum demais.



sem avatar Tatiana (18/04/2010 20:51:17)   0 0
Como leitora diária do www.omelete.com e, obviamente, amante do cinema, fiquei frustada quando li a crítica de Érico Borgo a respeito do filme "Amelia". Nada contra Borgo. É só que o trailer do filme, tinha me parecido interessante e me feito planejar vê-lo no telão. Enfim, influenciada pelo texto, havia desistido da idéia. Mas, o nome "Amelia Earhart" é forte e atraente, me levando a fazer algumas pesquisas no Google. Confesso que não sabia nada a respeito da pessoa, bastando um apanhado breve de matérias para perceber que, como toda mulher que desafia os limites de uma época, Amelia só poderia ser um bom motivo para virar cinema e, porque não, para te levar até um. Sendo assim, sucumbi à tentação de comprar o meu ingresso, apesar de considerar a crítica do Omelete em 90% dos casos. Embora saibamos que toda obra biográfica é sempre e, nada mais que, um mero fragmento do todo que fôra uma vida, fui ver o filme movida pela mesma coisa que me induziu a ver Chanel: o desejo de entender um pouco dessas mulheres fortes, ousadas e sonhadoras, tão passíveis à admiração. Resulta que concordei com Borgo, mas apenas em parte: a produção é impecável; a fotografia: belíssima e a similaridade da atriz Hilary Swank com a verdadeira personagem, é impressionante. Mas em muitas outras coisas tive de discordar - Borgo que me desculpe. Primeiro, o roteiro não me pareceu tão ruim. Me senti bem conduzida no desenrolar da história. As inserções de imagens reais ou de manchetes dos jornais da época, estão longe de serem massantes na minha opinião. Tão pouco achei difícil me emocionar e, até, me identificar com a personagem que, talvez masculinizada para Borgo, em nada se difere no visual prático do vestir e arrumar os cabelos da mulher moderna nos dias de hoje. Achei interessante ser sensibilizada toda vez que, por exemplo, um avião levantava vôo no filme e a piloto acenava à platéia da pista - nesses momentos, torcia por ela também. E não será isso indício de que as atuações não estavam assim tão no automático? Ou que, mesmo estando, eram ótimas e suficientes para a história? Ou seja - segundo ponto: não me pareceu fraca a atuação do elenco principal. Eu diria: na medida certa! Nada de cenas de amor tórridas ou de discussões exageradas e apelativas! São pessoas normais, vivendo histórias sólidas. Afinal, para que dar a todo romance de uma vida um caráter holywoodiano intempestivo? Desculpe-me o Borgo novamente, mas não há nada de mal em Richard Gere ser Richard Gere - com suas caras e poses - posso garantir que nenhuma mulher na sala espera que ele seja diferente... Alguém critica Jack Nicholson por ser Jack Nicholson? E divagando: quantas vezes, atualmente, nos pegamos - seja por rotina de trabalho ou pela felicidade das férias - olhando para as vidraças de um aeroporto, em busca de uma mão agitada, nos saudando e desejando boa sorte ao nos arriscarmos sentar dentro dessas enormes giringonças, que insistem em arrancar nossos pés do chão - os aviões? E o que dizer daquele frio na barriga quando o avião decola? Ou do explendor de estar ganhando o céu, flutuando entre os famosos flocos de algodão? Tudo isso são simplicidades que o filme enaltece e que o fazem, no mínimo: bom. Posso dizer que me identifico com Earhart muitas vezes durante a narrativa, imaginando a satisfação que ela tinha -acompanhada de uma incrível coragem - em romper com os próprios limites, seja de uma sociedade onde a mulher ainda buscava espaço, seja nas dificuldades financeiras, seja pelas cobranças internas que se fazia - coisas que em nada me soaram caricatas. O grande amor de Amelia está muito evidente: é voar. E mais uma vez ela se aproxima do público expectador: quantas vezes somos completamente envolvidos e arrebatados por nosso trabalho, nosso último projeto, um livro que seja - simplesmente algo que nos faz esquecer do sono, da fome, das horas? O filme nos revela então essa paixão, que tantas vezes dá sentido à vida e que, certamente, foi o que conduziu a de Amelia. Como disse Borgo, concordo que o fim da história tenha sido digno, mas considero que a cineobiografia está longe do medíocre.Para quem gosta do tema e do estilo, digo que não daria à "Amelia" um oscar. Nem é um filme que se precise ver propriamente no cinema - ficará bem no dvd de casa. Mas considero que valeu o ingresso e merecia ter ganho uns 4 ovos do meu amado Omelete. Abraços a todos e obrigada pela atenção, Tati



sem avatar SERGIO (18/04/2010 19:45:40)   -1 0
Bom filme. Mesmo sendo dificil filmar
biografias. A diretora de nacionalidade indiana Mira Nair nao faz feio. Nos brinda com uma bela producao e a atriz Hilary Swankm como sempre, e soberba. Recomendo. Mais ainda. Va ao cinema e crie sua propria personalidade para comentar filmes. De maneira alguma fique com opinioes de terceiros. Tenho dito.



Diego Diego (27/03/2010 11:30:02)   117 0
triste =/




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