Crítica: Amor Sem Escalas

Diretor de Juno volta para nova comédia dramática

Marcelo Forlani
21 de Janeiro de 2010

Amor Sem Escalas

Amor Sem Escalas

Up In The Air
EUA , 2009 - 109
Comédia / Drama / Romance

Direção:
Jason Reitman

Roteiro:
Jason Reitman e Sheldon Turner

Elenco:
George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga

Ótimo
Amor Sem Escalas
Amor Sem Escalas
Amor Sem Escalas

Quem não sabe que Amor Sem Escalas (Up In The Air, 2009) é uma adaptação de um livro lançado em 2001 pode achar que filme é datado, criado para este momento de crise econômica. Nada mais justo, afinal seu protagonista é Ryan Bingham (George Clooney), um Conselheiro de Transições de Carreira. Resumindo, ele é um executivo contratado por empresas desesperadas que precisam mandar pessoas embora, mas não têm coragem de sujar suas mãos e fazer isso elas mesmas. Ele é o cara que vai chegar sem ser anunciado, se sentar numa sala reservada e começar a chamar as pessoas que serão dispensadas. As reações, claro, vão do desdém ao desespero, passando por choro e ameaças de morte.

O atual cenário financeiro realmente deixa o filme bastante atualizado, mas ela é apenas pano de fundo para algo completamente atemporal: o comportamento humano. Depois de anos fazendo este trabalho, Bingham desenvolveu técnicas eficientes. Em sua mente já há um roteiro do que fazer em cada situação com respostas prontas e bem ensaiadas. Tudo para tornar o processo o mais humano possível, mostrando ao recém-desempregado que ele pode aproveitar aquele momento triste e tirar proveito para mudar sua vida, recomeçar. A cara de cachorro abandonado que Clooney faz ao levantar suas sobrancelhas e a sua voz sussurrada são ideais para o papel (e para manter as mulheres apaixonadas por ele).

Viajando de um lado para outro dos Estados Unidos, revezando check-ins de aeroportos e hotéis, Bingham tornou-se metódico e impessoal (suas dicas de como sobreviver em aeroportos valem ouro!). Seu único hobby é acumular milhas. Aliás, mais do que um hobby, é uma obsessão. Não há uma azeitona que não vire milhagem. Suas experiências na estrada serviram também de inspiração para uma palestra motivacional para outros executivos. Nela, Bingham prega que você deve viver apenas com aquilo que não é um peso em seus ombros, deixando de lado até mesmo família, amigos e casa.

Porém, duas mulheres entram em suas vidas. Quem vem primeiro é Alex (Vera Farmiga), uma versão de saias do próprio Bingham, que passa mais tempo viajando do que na sua casa, em Chicago. Igualmente sem comprometimentos, os dois abrem seus notebooks e começam a agendar encontros entre voos e trocar mensagens pelos seus blackberries. A outra é Natalie (Anna Kendrick), uma jovem recém-saída da faculdade que chega para implementar um sistema que possibilita demitir as pessoas usando videoconferência, um toque ainda mais impessoal ao processo.

Isso é tudo o que o diretor Jason Reiman (Juno, Obrigado Por Fumar) e o roteirista Sheldon Turner precisam para começar a mostrar os sentimentos escondidos (ou deveríamos dizer controlados?) do seu protagonista. Com Alex, Bingham revisita sua infância e acaba em um casamento. Com Natalie, mostra todo o seu profissionalismo que no início se confundia com uma falta de humanidade.

O título nacional pode dar a impressão de uma comédia romântica. Mas Amor Sem Escalas é mais do que isso. Há, sim elementos cômicos e algum romance no ar, mas há também toda a dramaticidade que vem de carona no emprego de Bingham. Pode até não ser o filme da sua vida, mas é um filme que certamente vai te fazer parar e pensar no que você está fazendo com sua vida.



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Comentários (7)

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Matheus Albano Matheus Albano (08/03/2011 21:04:36)   133 0
Alguem vai discordar mas eu acho que deveria ter ganho o Oscar



DDanilo DDanilo (12/01/2011 03:25:29)   -136 1
Excelente filme!!
E olha que não gosto nem um pouco do Cloney!!
Mas o filme é realmente um daqueles raros exemplos de filme que falam sobre como é complicado essa relação inter pessoal para algumas pessoas!



sem avatar Valdeci (29/08/2010 16:25:09)   2 0
Após assistir ao filme Up In The Air, dirigido por Jason Reitman fiquei matutando com meus botões a razão do título em português desta produção: Amor Sem Escalas. O título brasileiro sugere uma comédia romântica ou mais um daqueles filmes “água com açúcar” e tudo mais. Claro que um filme estrelado pelo galã George Clooney (que faz a mulherada suspirar) deva ter influenciado o cara a pensar: “Vou colocar um nome bem bonitinho e romântico para fisgar a mulherada!” Nada mais falso e enganador. Não sou contra as comédias românticas e açucaradas, muito antes pelo contrário. Eu as adoro! Mas não é o caso de Amor Sem Escalas. Com roteiro de Jason Reitman e Sheldon Turner é a história do solitário Ryan Bingham (Clooney) que vive entre um aeroporto e outro como um “Conselheiro de Transição de Carreira”. Eufemismo de executivo contratado para fazer o trabalho sujo de dar o pontapé na bunda de funcionários das empresas americanas uma vez que os chefes não possuem coragem, ou estômago, para este serviço ingrato.

Na primeira cena já somos apresentados a Ryan e a sua especialidade e capacidade em organizar sua mala de viagem de maneira rápida, extremamente eficiente e milimetricamente organizada. Tudo feito com maestria de alguém acostumado a fazer e desfazer malas e acumular milhas e milhas em viagens. Aliás, seu grande objetivo de vida é acumular 10 milhões em milhas. Até seus truques em como evitar filas demoradas em aeroportos na hora do chek-in é motivo de grande orgulho. Suas artimanhas em estar sempre preparado para embarcar no próximo avião e estar satisfeito com tudo isso nos coloca frente a frente a um sujeito prático, sem problemas afetivos algum e sem laços familiares ou de amizades a lhe “pesarem” nas costas. Qualidades estas que costuma propagar em suas palestras motivacionais com grande orgulho.

No decorrer do filme percebemos que Ryan está feliz com sua profissão e plenamente realizado e de consciência tranqüila de ser o cara que chega às empresas e demite pessoas com um sorriso no rosto e palavras previamente ensaiadas e cartilhas impressas motivacionais para deixar o “demitido”’ consolado e motivado a seguir em frente (mesmo desempregado). Como não tem vínculos com ninguém e sua vida é completamente destituída de quaisquer laços humanos mais íntimos, consegue colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir feliz da vida com a sensação do dever cumprido. Para fazer o contraponto a esta filosofia de vida surge no seu caminho asséptico e incolor Nathalie.

Nathalie (Anna Kendrick) é uma mulher que também tem como profissão demitir pessoas e foi admitida na empresa de Ryan por ter desenvolvido um sistema para fazer este “servizinho” via internet para evitar o contato pessoal com a “vítima” da vez e reduzir os custos operacionais da corporação em viagens de seus executivos. Mas apesar de todo este distanciamento humano a que ela se propôs profissionalmente, é uma mulher que acredita no amor; nos relacionamentos afetivos estando inclusive, noiva e prestes a realizar seu sonho de casar com o homem da sua vida. Usa este sistema até como defesa para não ter que enfrentar face a face o constrangimento de dar a triste notícia e presenciar a dor alheia. Acompanha Ryan Bingham por algum tempo em suas viagens para aprender o ofício e aprimorar seu sistema. Nestas viagens ambos irão fazer um duelo verbal muito interessante sobre a conveniência – ou não – do casamento, família, relacionamentos e tudo mais.

Para dar equilíbrio a estas propostas antagônicas aparece então Alex (Vera Farmiga) uma mulher com o mesmo estilo de vida de viver em aeroportos e hotéis. Claro que o relacionamento de Alex e Ryan será entre um hotel e outro. Nada muito complexo. Sexo casual, bom papo sobre hotéis e restaurantes e uma companhia agradável para passar o tempo. Suas afinidades são comparar Cartões de Fidelidades de companhia aéreas, empresas de aluguéis de carros e restaurantes. Aliás, interessante notar aqui que na carteira de Ryan não existem fotografias de sua família (pai, mãe, irmãs ou outro ser humano qualquer). Só cartões de crédito e de empresas para acumular milhas e vantagens de serem “Vips” por onde passam. Seu apartamento também é muito prático e vazio. Mais parece um quarto de hotel tal a “funcionalidade” e ausência de calor humano e aconchego. O que pareceria uma convivência harmoniosa e conveniente para Ryan, Alex tem alguns laços familiares e não é tão distante assim dos relacionamentos humanos. Não sabemos muito sobre sua vida além da sua atividade profissional. Mas percebe-se que ela tem onde jogar “âncora” após suas viagens. O que não é o caso de Ryan. Temos assim um extremado anti-social Ryan que jura não o ser já que vive rodeado de pessoas em aeroportos e hotéis (sua concepção de convivência com outras pessoas); Alex uma pessoa que vive no meio-termo de hotel/lar e na outra ponta Nathalie uma pessoa que necessita de família e laços afetivos (apesar da sua profissão a tornar uma pessoa que desfaz vínculos).

Este triângulo “profissional” irá fazer com que o espectador pense sobre a busca da felicidade, os relacionamentos humanos, as escolhas na vida e as razões que temos em viver desta ou daquela maneira. Além é claro de fazer questionamentos sobre a possibilidade de se ser feliz sozinho sem laços afetivos algum. Ryan acredita que sim. Alex vive, aparentemente, da mesma forma, mas não acredita numa vida tão solitária. Nathalia, apesar da profissão, acredita piamente no amor.

O filme é interessante sobre todos os aspectos levantados acima e faz com que o espectador fique atento aos diálogos e discussões sobre estes temas tão relevantes que são os relacionamentos humanos. Ficou muito estranho, e até certo ponto muito contraditório, o momento em que Ryan convence o cunhado - que estava prestes a desistir do casamento - a subir ao altar. Bem ao estilo de “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Como alguém tão convicto no celibato convence alguém a casar? Então ficamos com a pulga atrás da orelha. Mas não por muito tempo. Percebe-se igualmente que Ryan, apesar de toda sua ojeriza ao casamento, em certo momento está disposto a viver com Alex. A cena em que ele aparece à porta da casa de Alex para, com certeza pedi-la em casamento ou mesmo para pedir que ela venha a viver em sua companhia, é ilustrativa. Seu constrangimento e sua tristeza por não realizar este sonho são evidentes e porque não dizer dolorosos.

Para quem não viu os extras do DVD vai aqui uma mostra do quanto esta vivência solitária era mais uma questão de rotina profissional do que propriamente um preferência pessoal. Estava mesmo era muito a fim de ter uma companhia e estava, de certo modo, a procura de sua cara metade. Só não tinha encontrado ainda alguém que o tivesse fisgado. E quando encontrou Alex, suas teorias foram por água abaixo. Mas o diretor Jason Reitman preferiu deixá-lo sozinho no limbo da “felicidade possível”. O que de certa forma foi toda a tônica do filme. Mas nos tais extras do DVD como eu ia dizendo, aparece Ryan adquirindo (ou alugando) um aconchegante apartamento, comprando móveis e o decorando completamente para torná-lo um ambiente muito humano e acolhedor. Inclusive espalhando flores por todos os cantos. Ou seja, estava feliz e disposto a lançar também sua “âncora” em um porto seguro ao lado da mulher amada. Mas confesso, tristemente, que ficou muito clichê realmente e o diretor preferiu excluir esta vivência do personagem (ou mesmo esta ruptura do discurso de toda a trama). Ficamos assim na dúvida se as escolhas deste estilo de vida de Ryan eram suas convicções profundas ou só uma questão de rotina profissional. O Diretor escolheu pela felicidade possível. Ficou coerentemente triste. Ficou ao menos honesto com todo o desenrolar e o discurso da trama proposta pelo roteirista. Outra cena excluída talvez seja parte de um sonho de Ryan em que ele aparece vestido de astronauta chegando ao aeroporto, pegando um taxi e ao chegar ao seu edifício começar a subir e subir como um balão até ver a cidade do alto. Nada mais sozinho que um astronauta. Sua visão angustiada do cenário aos seus pés imaginando talvez as pessoas abaixo com suas felicidades de uma vivência a dois.

Meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com



gisele gisele (18/07/2010 15:51:46)   1 0
mediano , mas ate hj eu nao sei em que genero eu devo enquadrar este filme,suspeito que no drama.



Natália Natália (10/06/2010 14:55:13)   1 1
Bom, na verdade
assisti o filme na aula de adm de RH
intao ja imaginaja que nao fosse romantico!!!

Gostei da proposta do filme iclusive do final!! rsrs

Muito bom o comentário sobre o filme estava procurando algo e este aqui foi o melhor!!!!



Erik Erik (04/06/2010 02:32:50)   7 0
(meu comentário tem spoiler)
Cara, eu vi esse filme com minha namorada e putz...
Ela chiou tanto do filme...
Principalmente pelo filme vender uma imagem de "Romance" (QUE NÃO TEM NADA DE ROMANTICO)
O desfecho do filme é um banho de agua fria para quem esperava algo mais caloroso (beijinho de final e coisas desse tipo ala "alguem tem que ceder").

Bem, esse filme vendeu no Brasil uma pizza com gosto de inhame.

Ou seja, um gosto bem amargo, que não tem nada a ver...

Eu até gostei da moral que o filme quis mostrar lidando com "cara eterno solitário" que no fim das contas sempre ficará sozinho se não voltar as suas raízes ou criar umas raízes.
Uma vez desfeito os laços, difícil será conquistar um novas amizades, tal , e por ai vai...

Descordo, Forlani, não por esse filme vender uma imagem errada de "romance" . Mas pela afirmação que o filme foi algo mais que um romance...

Bem, ou é romance ou é não é...
O calculo seria -1(romance) +2(dramal,comedia)

Eu classificaria esse filme apenas como "drama/comédia" porque de romantico, não tem nada.

RECOMENDO QUEM QUEIRA VER ESSE FILME PREPARE-SE PARA VER UM FILME INTERESSANTE e político.
E só, abraço!



sem avatar Emerson (19/03/2010 10:28:38)   1 0
Filme Sensacional!




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