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Crítica: Asterix nos Jogos Olímpicos

Comédia francesa sabe rir do ideal de beleza olímpico, mas não tem mesma qualidade narrativa da HQ

Marcelo Hessel
07 de Agosto de 2008

Asterix nos Jogos Olímpicos

Asterix nos Jogos Olímpicos

Astérix aux Jeux Olympiques
França / Alemanha / Itália / Espanha / Bélgica , 2008 - 116
Aventura / Comédia

Direção:
Frédéric Forestier e Thomas Langmann

Roteiro:
Franck Magnier, Thomas Langmann, Alexandre Charlot, Olivier Dazat, inspirado na HQ de René Goscinny e Albert Uderzo

Elenco:
Gerard Depardieu, Clovis Cornillac, Benoît Poelvoorde, Stéphane Rousseau, Vanessa Hessler, Alain Delon, Jamel Debbouze, Zinedine Zidane e Tony Parker

Regular
asterix

Olimpíadas, a celebração do belo. Não por acaso os Jogos são uma invenção dos gregos, cultores do corpo. E em Asterix nos Jogos Olímpicos desfilam alguns, de peitos nus - egípcios torneados, gregos perfeitos, germânicos fortes, italianos belos. E aí para representar os gauleses surge o rotundo Gerard Depardieu com aquele inchado nariz de francês que prefere cultuar um bom vinho.

A nova adaptação ao cinema da irredutível criação de René Goscinny e Albert Uderzo conserva a essência da HQ: uma grande piada interna eurocêntrica em que a especialidade dos franceses (além de preservar na marra a cultura da velha Gália) é tirar sarro dos outros. Obelix é uma bola e Asterix é um nanico, e por serem diferentes é que podem muito bem ridicularizar os ideais de beleza do mundo romano.

Como nos gibis, em que a dupla se vira ao canto do quadro para rir em voz baixa, no filme Asterix e Obelix parecem se divertir alheios ao que acontece ao redor. Está em curso um plano de Brutus (Benoît Poelvoorde) para se casar com a princesa da Grécia (Vanessa Hessler), algo que o gaulês Apaixonadix (Stéphane Rousseau, o filho de Invasões Bárbaras), enamorado por ela, quer evitar - e para tanto almeja vencer a Olimpíada. Depardieu dá o show de sempre como Obelix e Clovis Cornillac (Eterno Amor), o novo Asterix, dá ao papel o tom de galhardia que ele merece.

Goscinny e Uderzo aliavam esse descompromisso com um grande senso de narrativa - e é isso que falta ao filme. Desde o começo os diretores Frédéric Forestier e Thomas Langmann mostram que sabem pouco da arte com que estão lidando - é só tomada aérea, tomada de grua e música genérica... Asterix nos Jogos Olímpicos é o filme mais caro da história da França, e dá pra ver que seus estimados 90 milhões de dólares foram torrados com efeitos digitais. Sobram perfumarias, sobram referências que só europeus vão pegar (como músicas pop de lá) e falta o bom e velho começo-meio-e-fim.

E falta literalmente, já que o longa se estende além de seu desfecho ao redor do banquete. O filme já deveria ter terminado, mas surgem em uns dez minutos de cena as participações especiais de Jamel Debbouze, Zinedine Zidane e Tony Parker. É mais uma prova de que Forestier e Langmann estão mais interessados nos floreios do que na narrativa, o que nessa hora beira o constrangimento.

Assista ao trailer


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