Crítica: Atraídos pelo Crime

Diretor de Dia de Treinamento volta ao gênero policial e multiplica as decisões morais por três

Marcelo Hessel
01 de Abril de 2010

Atraídos pelo Crime

Atraídos pelo Crime

Brooklyn's Finest
EUA , 2009 - 133 minutos
Policial

Direção:
Antoine Fuqua

Roteiro:
Michael C. Martin

Elenco:
Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke, Wesley Snipes, Brian F. O'Byrne, Will Patton, Ellen Barkin, Jesse Williams, Lili Taylor, Shannon Kane

Regular
atraídos pelo crime
atraídos pelo crime
atraídos pelo crime

Em Atraídos pelo Crime (Brooklyn's Finest), o diretor Antoine Fuqua (Rei Arthur, Lágrimas do Sol, Atirador) volta ao gênero do filme que o tornou conhecido, Dia de Treinamento. Como todo policial, envolve decisões morais em um ambiente corrompido. No caso, três decisões.

Richard Gere, Ethan Hawke e Don Cheadle interpretam três policiais do Brooklyn, Nova York, cada um protagonista de sua subtrama. Gere vive o veterano que está a uma semana de se aposentar, descrente do ofício mas instigado pela sede de ação dos novatos. Hawke é o policial católico com esposa doente que se vê tentado a tomar para si o dinheiro de batidas contra o tráfico. E Cheadle é o detetive infiltrado numa gangue que, depois de anos, já não consegue separar suas duas personas.

O fato de serem três arquétipos um tanto batidos - o personagem de Hawke é praticamente uma versão derrotada de seu policial em Dia de Treinamento - já coloca Atraídos pelo Crime em desvantagem, e o overacting do trio desde o começo do filme também não ajuda. Falta um Denzel Washington para assumir a responsabilidade e servir de motor? Falta, mas se Fuqua optou pelo filme-mosaico um ator forte só desestabilizaria as duas outras subtramas.

Vamos com o que temos, portanto.

É louvável o esforço do diretor em pensar em uma mise-en-scéne mais sofisticada. Nas cenas de diálogos entre duas pessoas, ele usa truques para economizar um contraplano. Ao colocar o reflexo de Gere no espelho do quarto da prostituta, por exemplo, ambos ficam em enquadramento e Fuqua não precisa ficar cortando do rosto de Gere para a mulher o tempo todo. O problema é que o estoque de ferramentas do diretor é limitada; o lance do espelho ele já havia usado para mostrar a tatuagem de Hawke. O mesmo vale para a iluminação de cena; uma sacada com a fonte de luz na última cena de Hawke se repete na última cena de Cheadle.

Fuqua não é um grande encenador ou diretor de atores (conte quantas vezes os personagens atormentados ficam de costas para a câmera e esmurram a parede ou a mesa), mas o principal problema de Atraídos pelo Crime é mesmo o roteiro do iniciante Michael C. Martin. Desde a primeira fala - nos filmes policiais em geral e no Brooklyn em particular tudo se relativiza, não há o "certo" ou o "errado", e sim o "righter or wronger" - o texto de Martin martela temas de maneira pouco sutil.

Você já está cansado de saber do dilema moral do personagem de Ethan Hawke, por exemplo, e ainda assim todas as cenas são montadas de modo funcional para reiterá-lo: no jogo de pôquer, no dinheiro sujo de sangue, no trem que passa atrás da casa, na cena do hospital calculada para intensificar o dilema. Que função tem a atriz Ellen Barkin (na subtrama de Cheadle) além de reforçar uma situação que já estava bem exposta?

Quando um roteirista se prende a um discurso antes de pensar nas situações, o texto se enfraquece. No fim, Atraídos pelo Crime não tem vigor para fazer filme-mosaico com o mesmo descaramento do chantagista Crash - No Limite, nem alcança o pluralismo de um The Wire (e olha que eles até colocam Isiah Whitlock em cena para emular a série da HBO). Ficar no meio termo é sempre a pior opção.

Assista a clipes
Saiba onde o filme está passando

 



Vídeos relacionados

Publicidade

Comentários (13)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

sem avatar mailo (29/11/2010 02:45:10)   0 0
Se levasse a crítica em consideração, perderia um bom filme!

Não é nenhuma obra-prima, mas prende atenção, cria bom suspense, e a história é bem amarrada e dirigida, com boas interpretações, então assista para tirar suas conclusões, o final tbm é bastante interessante.

vale a pena.



sem avatar MARCUS (20/10/2010 21:26:02)   0 0
Acabei de assistir ao filme. Realmente nõ é um filmaço, mas até onde pude observar, o estilo do diretor (que é pouco) está lá.

Uma pena a participação do Wesley ter sido tão curta. Don e Ethan estão bem, mas os dramas de Don ficaram um pouco rasos. Quanto ao Richard, apesar de canastrão foi bem, principalmente na sala da corregedoria.

Vale como diversão.



Jim Jim (03/08/2010 01:02:54)   37 0
Sou da seguinte opinião: Wesley Snipes fez muitas bombas nos últimos anos , com exceção da trilogia Blade. Já Richard Gere, dificilmente faz um filme ruim, só assistindo mesmo pra bater o martelo.



sem avatar Valdeci (10/07/2010 19:30:21)   2 0
Na primeira cena do filme Atraídos Pelo Crime, dirigido por Antoine Fuqua, dois sujeitos estão conversando em um carro estacionado numa rua deserta em uma noite qualquer no Brooklin. O diálogo que se segue é interessante e vai dar a tona do roteiro e a premissa que será tratada durante o decorrer dos próximos 132 minutos do filme e as nuances dos personagens envolvidos nesta trama policial como se verá. Aliás, mensagem esta nada subliminar já que mais explícita seria impossível. A frase que vai dar sentido a tudo é: “Não se trata do que é certo e errado, mas do que é mais certo e menos errado”. Nesta corda bamba de moral e ética (ou a falta deles) é que os personagens vão circular e interagir com bandidos e mocinhos. Aliás, quem é mocinho e bandido é outra questão interessante, visto que a fio da navalha (ou o cano do revólver) é um tanto quanto tênue para um lado ou outro. Dependendo da situação e do desenrolar dos fatos. Para entender melhor o contexto que a frase acima mencionada é incluída nessa história é interessante debruçar-se sobre o perfil psicológico de cada um dos personagens bem como sua co-relação com a mesma. Todos os personagens possuem suas histórias paralelas e as razões para agirem desta ou daquela maneira (ora mocinho - representado pelo distintivo policial - ora bandido).
Caz (Wesley Snipes) traficante recém-libertado e o ponto central deste quadrilátero vicioso por onde circulam os outros personagens. Ele é a pessoa a quem os demais estão imbuídos a prender e colocar ordem no bairro. Sua gangue é a veia aberta por onde esvai todo o sangue humano de inocentes e o grande responsável pelos viciados anônimos, cafetões inescrupulosos e demais habitantes do Brooklin dispostos (ou não) a serem atraídos para o crime.
Tango (Don Cheadle) é um policial infiltrado na gangue de traficantes com todos os elementos humanos perniciosos contidos neste tipo de grupo social e liderados por Caz. Todavia, esta relação acabou infiltrando-se na sua personalidade e agora não consegue mais “situar-se” como indivíduo. Não sabe mais se é o mocinho ou o bandido. Sua relação com o líder da gangue deixou marcas profundas na sua psique e sua moral e ética já se encontram muito tênues, pra não dizer perigosa. Sua luta interna é cruel na medida em que tem o dever, como autoridade policial, de por fim a tal gangue, mas não consegue desvencilhar-se das amizades que surgiram nestes dois anos de convivência. Para manter-se na gangue sem levantar suspeitas praticou igualmente alguns crimes e precisa igualmente encontrar uma maneira de sair desta enrascada antes que seja tarde demais. Gosto muito deste ator e ele faz uma boa interpretação.
Eddie Dungas (Richard Gere) é um “tira” que tem uma vida solitária que está a sete dias da tão aguardada aposentadoria. Sua única relação humana mais íntima restringe-se a uma prostituta. Por décadas foi policial de rua e por certo enfrentou muitas dificuldades, perigos e, mesmo com seu distintivo e autoridade, viu seu distrito ser tomado pela violência e caos. Agora sem falsas ilusões e descrente da autoridade policial vive indiferente a contar os minutos para deixar seu uniforme e levar sua vida medíocre. Seu ideal de policial foi perdendo-se com o passar dos anos dando lugar à indiferença. Vive entre o suicídio (que tentou por duas vezes) e a apatia. Apesar da sua indiferença (omissões no dever) e das relações tumultuosas com seu chefe e colegas, é uma pessoa íntegra que está perdida neste ambiente de caos e desordem. Richard Gere pode até ser o queridinho das mulheres, mas como ator... Felizmente não compromete muito a dramaticidade do personagem.
Sal (Ethan Hawke). Sem sombra de dúvida é o personagem mais interessante e o que vive no fio da navalha. Está num beco sem saída, literalmente. Tem uma penca de filhos; sua esposa sofre de asma e está grávida de gêmeos; sua casa está tomada pelo mofo e o salário não cobre todas as despesas. Tem desejos de comprar uma casa nova com quartos individuais para os filhos e uma piscina, mas a grana não é suficiente no fim do mês. Tem consciência da sua obrigação moral de ser o homem da lei e defender os interesses dos cidadãos, mas sabe que sua tarefa é inútil e o dinheiro que recolhe em suas investidas contra o tráfico acabam servindo para comprar “móveis de mogno” e em tapeçarias para os escritórios da chefia e da prefeitura. Assim, procura faturar o seu também em propinas, pequenos desvios destes recursos do tráfico. Mas precisa sempre mais e mais e a tal casa com piscina precisa ser adquirida o quanto antes. Vive realmente uma situação limite entre a lei e o crime e sua última ação desesperada pode ser a última. Ethan Hawke tem uma interpretação digna, competente e impactante. Com certeza, um dos seus melhores desempenhos de interpretação.
A trilha sonora é pulsante como o sangue que se esvai em profusão. As ruas noturnas do Brooklin e seus “inferninhos” (cabaré ou boates para os leitores mais novos) com seus neons em vermelho chegam a ser claustrofóbicas e torna esta produção um exemplar notável de um bom filme policial.

Meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com



sem avatar Sandra (26/04/2010 21:05:47)   0 0
Gostei do filme talvez porque eu goste muito dos atores envolvidos. Antoine Fuqua não é o melhor diretor, mas tem alguns filmes interessantes os que me lembro agora são Lágrimas do Sol e Dia de Treinamento. Mas a trama de Atraídos pelo Crime é legal e na minha opinião, retrata bem o cotidiano dos policiais visto do ponto de vista deles mesmos. Acho que vale a pena ver pelo menos pela fantástica atuação do Ethan Hawke que faz muito bem esse tipo de personagem e, como a Andrea disse, se entrega em todos os personagens que interpreta. A atuação de Hawke é tão impressionante que muitas vezes a crítica americana confunde ator e personagem. Fizeram isso com ele em Caindo na Real e Antes do Amanhecer.



sem avatar Andréa (12/04/2010 10:00:41)   0 0
Não sou muito afeita a filmes de ação. Mas admiro aqueles que conseguem trazer ao espectador sequencias bem cortadas, daquele tipo que é impossível piscar os olhos sem perder algum momento crucial. Esse filme não consegue apresentar um ritmo interessante. É arrastado, os dilemas dos protagonistas são repetidos a todo momento, e os diálogos são pra lá de batidos. Há uma cena entre Don Cheadle e Wesley Snipes, em que o primeiro dispara algo assim: ao sumir, você se torna um fantasma, mas também uma lenda. Muito solene para dois chefes do tráfico do Brooklyn...
O filme poderia se passar nos anos 70 ou nos dias que correm. Ele não tem frescor, não traz nenhum novo ângulo ao espectador. Não recomendo, apesar de destacar a interpretação de Ethan Hawke, que para mim sempre realiza um trabalho de entrega total aos seus personagens. Richard Gere está o canastrão de sempre!



sem avatar SERGIO (08/04/2010 20:30:57)   -1 0
Olha gente! Nao e uma obra prima. Mas sem duvida e um otimo passa tempo. E depois senhor Marcelo tentar encontrar um filme cabeca nas maos deste diretor e pura falta do que fazer. Portanto va ao cinema ver uma boa diversao. E so isto.



marcelo marcelo (04/04/2010 19:07:14)   4 0
acho que vale a pena ver por causa dos envolvidos no projeto , qual a última vez que snipes esteve um filme descente ? quem sabe agora ............



sem avatar Alexandre (03/04/2010 20:55:27)   0 0
Curioso para ver por causa do elenco, mas agora me veio na cabeça que poderiam fazer um filme do jogo Heavy Rain (9 finais diferentes).

Se isso acontecer, por favor não deixem esse diretor pegar, tampouco filmarem em 3D.



Israel Israel (03/04/2010 19:04:14)   3 0
Assisti esse filme hoje. Não é um grande filme, como a análise falou, mas na falta de boas opções nas salas (ilha do medo em BH ta passando só a noite) esse filme quebra o galho. A trama que achei mais interessante foi do Sal (Ethan Hawke) e achei o desfecho dela excelente.



Publicidade
Anderson Anderson (03/04/2010 16:56:43)   3 0
Que baixar rapazeada!!!

Tem que ir ao cinema pô!
Pessoal não tem nem vergonha de falar isso né?



sem avatar Miriam Rubia (01/04/2010 21:06:39)   0 0
Ainda nao vi!!!!
Sera que vale a pena baixar??????



sem avatar rafa (01/04/2010 18:23:07)   -2 0
nao vou baixar esse tb nao




Omeletop : cinema

Cinema

Os filmes em cartaz, a programação das salas de cinema, bilheterias, trailers, criticas de filmes, cartazes, entrevistas com astros e as novidades de Hollywood.

Séries e TV

As séries de televisão dos EUA, minisséries, os destaques da TV e as novidades na programação.

Música

Os shows que vem por aí no Brasil, os lançamentos musicais, novos álbuns e música grátis para download.

Games

Os novos games, críticas de jogos, trailers, imagens e mais novidades do mundo dos videogames.

Quadrinhos

As novidades das histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo, previews de HQs e críticas de lançamentos nas bancas e livrarias.

Advertisement