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Crítica: Baaria - A Porta do Vento

Diretor tenta reeditar fórmula de Cinema Paradiso, mas não consegue

Marcelo Forlani
16 de Setembro de 2010

Baaria - A Porta do Vento

Baaria - A Porta do Vento

Baarìa
Itália, França , 2009 - 150 min.
Drama

Direção:
Giuseppe Tornatore

Roteiro:
Giuseppe Tornatore

Elenco:
Francesco Scianna, Margareth Made, Nicole Grimaudo, Lina Sastri, Salvo Ficarra, Valentino Picone, Enrico Lo Verso, Nino Frassica, Michele Placido, Luigi Lo Cascio, Monica Bellucci, Raoul Bova, Paolo Briguglia

Bom
Baaria - A Porta do Vento
Baaria - A Porta do Vento
Baaria - A Porta do Vento

Em 1988, o cineasta italiano Giuseppe Tornatore emocionou o mundo com Cinema Paradiso. Guardadas as devidas proporções, Baaria - A Porta do Vento (Baarìa, 2009) é uma continuação da história do menino apaixonado pela sétima arte. Ou melhor, é uma refilmagem, mostrando agora a paixão de um outro garoto italiano (Peppino Tornatore) pela política e, principalmente, pela sua terra natal, a Baaria, subúrbio de Palermo, na Sicília (Itália). Ou deveria dizer que é um prelúdio, já que o filho de Peppino é, ele também, apaixonado por cinema?

O filme é grandioso, mostrando 50 anos da história da região, desde o regime fascista de Mussolini - bastante odiado segundo a ótica do cineasta - passando pelo pós-guerra, o fortalecimento da máfia e o crescimento do comunismo na Itália. O desenvolvimento da cidade e o "progresso" são mostrados a conta-gotas, com os bois que são puxados pela rua no início do filme dando lugar a carros e o caótico trânsito italiano.

As passagens de tempo são não lineares e acontecem durante todo o filme, indo e voltando na história dos Tornatore. Mas o personagem principal é mesmo Peppino, que na sua versão adulta é interpretado por Francesco Scianna. Desde jovem ele é apaixonado por Mannina (Margareth Made), que desrespeita até mesmo a palavra do seu pai para ficar com o amor de sua vida. Juntos, os dois passam por muitos momentos de privações até que Peppino consegue solidificar sua carreira na política, no Partido Comunista da Itália.

Porém, ao contrário do que se poderia imaginar, todo o pano de fundo político serve mesmo apenas de cenário. A cada momento em que se imaginaria um aprofundamento maior nas questões da máfia, da reforma agrária ou da viagem de Peppino para um treinamento na União Soviética, o diretor puxa a história para a sua raiz, focando apenas no que acontece na vida de Peppino. É como se fosse um Forrest Gump italiano em que os momentos importantes na história do país fossem desimportantemente deixados de lado. O que é uma pena.

Em tempos de Passione, mais uma macarrônica novela da Globo, é interessante notar como Margareth Made se parece Maria Fernanda Cândido e como Francesco Scianna é a cara de um Paulo Betti mais novo. Mas paremos com as comparações, pois as interpretações italianas são superioras ao que se vê diariamente nas novelas das 20h. Francesco, aliás, surpreende no final do filme, quando aparece bem mais velho.

Baaria - A Porta do Vento trata-se da mais cara produção italiana, com centenas de extras em algumas cenas, Ennio Morricone fazendo a trilha sonora e minúsculas participações de luxo de renomados atores italianos como Michele Placido, Luigi Lo Cascio, Monica Bellucci, Raoul Bova e Paolo Briguglia. Mas não se engane. Apesar de cheio de amor e emoção como um domingo comendo macarronada na casa da "nona", o filme é também igualmente histérico e muitas vezes você vai se pegar imaginando como seria melhor se durasse menos tempo.

Saiba onde Baaria - A Porta do Vendo está passando


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Comentários (5)

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sem avatar Melizabb (21/01/2012 23:08:17)   0 0
Assisti ao filme Baaria... surpreendente. As pouco mais de três horas do filme passaram num piscar de olhos! A história poderia ser de qualquer pais onde a exploração do mais fraco pelo mais forte tem lugar. Interpretacao magnifica dos atores e, hbem lembrado pelos colegas, a semelhança com os atores brasileiros deram a sensação de serem velhos conhecidos.



sem avatar Valdeci (22/01/2011 15:04:30)   -1 0
Escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore o filme Baarìa – A Porta do Vento acompanha quatro décadas de história de Baarìa uma pequena localidade siciliana em que os moradores do local se referem, em dialeto, a cidade de Bagheria. Para quem não viu o mais novo trabalho de Tornatore um aviso: Não tente entender os personagens que aparecem no decorrer da narrativa porque eles entram e saem de cena em uma velocidade espantosa. Aliás, o filme é um grande painel histórico, político e social desta cidade siciliana e, como tal, relega a segundo plano as histórias pessoais de seus moradores. Inúmeros personagens surgem a todo o momento e suas motivações, complexidades psicológicas, emocionais e tudo mais vão se perdendo ao longo de quase três horas de duração do filme. Fica difícil, em certos momentos, saber quem é quem e as razões de serem retratados nesta ou naquela cena. O espectador fica com a impressão de estar assistindo a uma retrospectiva histórica de um povo e seu país em que os acontecimentos ali retratados ele, o espectador, não possui familiaridade ou não a conhece de todo. Para entender Baarìa - A Porta do Vento na sua complexidade, seria necessário ter um pouco de conhecimento prévio da história da Itália e de seu povo. Só assim, com conhecimento de causa, é que é possível assimilar e apreciar, como se deve, os acontecimentos ocorridos em mais de 40 anos nesta pequena localidade da Sicilia.

Com certeza este filme é uma daquelas produções em que é preciso rever e rever várias vezes para se poder entender e, principalmente, apreciar toda a grandiosidade da obra. Cada vez que o espectador assistir a Baarìa – A Porta do Vento vai maravilhar-se com esta ou aquela cena, esta ou aquela passagem que passou despercebida e emocionar-se com este ou aquele momento retratado em tela. Não pense que estou só a fazer uma crítica ao trabalho de Tornatore. Longe disso! Só gostaria que o leitor deste texto tivesse um pouco mais de paciência com o roteiro e a visão do diretor e se deixasse levar pela beleza plástica das cenas (e são muitas cenas...); apreciasse igualmente o incrível trabalho de reconstituição de época; maravilhar-se com os figurinos e cenários feitos com maestria e é claro emocionar-se, às lágrimas, com trilha sonora composta por Ennio Morricone. Um pequeno adendo: A música de Ennio Morricone faz toda a diferença e não se lembrar de Era “Uma Vez na América” de Sérgio Leone foi impossível já que Morricone também foi o responsável pela trilha sonora deste filme. Ficar indiferente a toda aquele gestual característico do povo italiano e ao seu belo idioma igualmente impossível o que torna esta obra imperdível. Sendo assim, deixe-se levar pelas belas imagens, pela estupenda trilha sonora e depois reveja o filme uma segunda vez para poder entendê-lo melhor no que diz respeito as suas motivações e a história que realmente Tornatore queria contar.

Para não ficar divagando muito devo dizer que foi possível acompanhar a história de Peppino Torrenuova (Francesco Scianna) desde sua infância como um menino problemático nos anos 30 que percorria as ruas de sua cidade a puxar uma vaca e a vender seu leite de porta em porta e sua dura experiência de guerra nos anos 40 sob o fascismo. Foi possível também assistir seu romance proibido com a bela Mannina (Margareth Made) e suas artimanhas para finalmente conquistar e casar com a mulher amada. Juntos passam por privações, sofrimentos e alegrias... Finalmente chegar à maturidade, à vida política e os anos de sucesso na militância no Partido Comunista Italiano e a criação dos seus três filhos. As passagens de tempo não são lineares e acontecem durante todo o filme, indo e voltando na história dos Torrenuova o que dificulta acompanhar as trajetórias dos inúmeros personagens que surgem a todo o momento e a entender algumas passagens históricas da Itália e seu povo. Todavia, é possível focar a atenção na família de Peppino e Mannina e assim não ficar muito perdido na trama. Acompanhar o desenvolvimento da cidade de Baarìa de cidade tipicamente agrícola em uma grande metrópole com seu caos no trânsito foi interessante. Bem como ver o surgimento dos partidos fascistas, socialistas e comunistas (em qual ordem se deram não me pergunte...) e toda a questão política italiana e a influência da máfia nos destinos daquela gente também foi possível acompanhar apesar de toda a caótica edição. Enfim é um filme imperdível para quem gosta de filmes com fundo histórico e social emoldurado numa bela trilha sonora e imagens impactantes. Se você não entender muita coisa desta colcha de retalhos que é o enredo não se preocupe. Até porque, Giuseppe Tornatore não facilitou muito a vida de quem não conhece a história do povo italiano. Se você entender melhor esta história me escreva porque ainda preciso rever muitas vezes Baarìa – A Porta do Vento para entendê-lo completamente. Uma coisa é certa: As imagens (em turbilhão) e a trilha sonora são belíssimas e valem o valor da locação.

Meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com



Massayuki Massayuki (19/09/2010 19:33:21)   148 0
Não se enganem com o crítica, é um filmaço!!! É melhor do que Cinema Paradiso, acreditem. E um filme épico, não dá para ter 90min. Tornatore é um dos grandes diretores de cinema em atividade ainda. Concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano.

E a atriz é linda, uma mistura de Sofia Loren com Maria Fernanda Cândido.




Daniel Daniel (17/09/2010 02:07:05)   52 0
Tornatore é meu cineasta preferido.

A desconhecida
A lenda do pianista do oceano
O homem das estrelas
Cinema Paradiso
Uma simples formalidade
Estamos todos bem
Malena...

Gosto muito de todos. Esse fim de semana exibiremos "A desconhecida" no cineclube da cidade, aqui na PB. Será do caralho!

Quanto à crítica do Forlani, achei por demais passional, como sempre. Um pouco de consciência (ou estudo) Estética não faria mal. Talvez essa histeria e essa lerdeza do filme de repente ganhassem significado.



Panaceia: Panaceia: (16/09/2010 22:39:23)   0 0
A necessidade de uma narrativa histórica aprofundada é uma carência nossa. Os italianos são muito politizados e têm a memória histórica como premissa cultural. Aliás, diga-se de passagem, foi lá que nasceu a História como arte, recurso e disciplina. O território mediterrâneo, condensado na história da civilização , confunde a própria história de Roma, com a do ocidente. Percebe?

É obrigação de todos nós sabermos "decor" o panorama histórico do ocidente. Não é necessário ficar ressaltando o óbvio do contexto histórico e sufocar o drama. Aliás, a Itália inventou uma coisa muito boa: a Historicidade e a História Oral, que valorizam, respectivamente, o contexto específico dos fatos históricos e as vivências individuais de cada sujeito na ocorrência de tais fatos. Bravo, não? E sabe por que? Porque eles conhecem bem sua história, o suficiente para relegá-la a pano de fundo.

Agora, Forlani, seus dois últimos parágrafos são lamentáveis.




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