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Crítica: Brilho de uma Paixão

É fã de amores puros, castos e impossíveis? Esqueça Crepúsculo e vá de John Keats

Marcelo Hessel
24 de Junho de 2010

Brilho de uma Paixão

Brilho de uma Paixão

Bright Star
Inglaterra , 2009 - 119
Romance

Direção:
Jane Campion

Roteiro:
Jane Campion

Elenco:
Abbie Cornish, Ben Wishaw, Paul Schneider, Thomas Sangster, Kerry Fox, Edie Martin

Ótimo
brilho de uma paixão
brilho de uma paixão

Com Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2009), a diretora neo-zelandesa Jane Campion voltou a concorrer à Palma de Ouro em Cannes, que ela havia ganho em 1993 com O Piano. Com o seu primeiro longa em seis anos - o anterior, Em Carne Viva, é de 2003 - ela também restaura a dignidade desse tipo peculiar de drama romântico, o de época britânico.

Trata-se da história real da relação do poeta John Keats (Ben Whishaw) com a bela Fanny Brawne (Abbie Cornish). Vizinhos, eles se encontram regularmente em chás, jantares e tardes ociosas. Keats começa a ser publicado, mas ainda está longe de ser reconhecido um dos grandes poetas românticos do país. Fanny faz aula de dança para se aprimorar, começa a participar de bailes de cortejo, mas ainda não encontrou um marido que lhe banque um dote.

Todo o conflito central de Brilho de uma Paixão se dá - depois que os dois se apaixonam - pelo fato de Keats não ter renda fixa para propor Fanny em casamento. Campion filma a roda de flertes sem medo: há muita polidez na forma como as pessoas se dirigem umas às outras, mas há também muita insinuação.

Os tecidos finos que Fanny manipula na sua costura rotineira são uma bela alegoria desse equilíbrio delicado: cobrem de leve a pele, cada ponto de linha cuidadosamente pensado, mas é só bater um vento, um desejo, para vê-los voar. (Repare no movimento das cortinas da casa a cada oscilação da paixão dos dois.)

A esse simbolismo, a diretora adiciona os dois elementos fundamentais do romance de perdição pré-vitoriano: o texto rebuscado e o arrebatamento visual. As paisagens do interior da Inglaterra e os versos de Keats formam uma dupla potente. As escalação de Wishaw e Cornish estão em sintonia - ele mostrou em Não Estou Lá que domina o texto, ela provou com Candy ser uma especialista em paixões incorrigíveis.

Brilho de uma Paixão não revoluciona o gênero - pelo contrário, trata com respeito suas regras - mas pode ser uma porta de entrada interessante para a nova geração que o desconhece. Fãs de emocore ou de Crepúsculo, por exemplo (olha a heresia), podem se identificar com o amor que se manifesta não de um jeito abertamente carnal, mas por rimas. A paixão proibida de Keats e Fanny é, acima de tudo, uma luta para se expressar.

Aliás, a defesa que Jane Campion faz aqui da castidade é de botar Stephenie Meyer no chinelo. Em comparação com Crepúsculo, Brilho de uma Paixão não só é melhor cinema, como também melhor literatura.

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Comentários (11)

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sem avatar Guilherme (20/01/2011 02:19:11)   0 0
Sem exagero algum, este filme é épico! Comovente, sensível e, acima de tudo, envolvente do início ao fim. Além disso, explora muito bem a ambivalência dos personagens centrais. Em Keats nós percebemos um homem genial, mas muito perturbado e inseguro. Fanny é plena de doçura, mas a arisquez e a sua verve manipuladora também dão a cara. Por fim, o impagável John (o melhor de todos) rasga sutis sorrisos da plateia em razão de seu humor ácido e de sua inveja incontrolável. Honestamente, quem acha este filme SONOLENTO ou não se permitiu a enxergar a história com o ritmo e os dramas típicos do seu tempo (sem um horizonte que o permita ver e sentir algo que não seja do seu tempo) ou, então, deveria se devotar mais a prazeres voltados ao entretenimento puro (um bom videogame, quem sabe até mesmo um bom show de circo - mas nunca à sétima arte). 4 ovos muito bem dados!



sem avatar Enio (09/08/2010 18:37:01)   0 0
Muito sonolento...



Marcia Marcia (06/07/2010 18:28:42)   15 0
Amei o filme! E olha que nesses tempos de crespúsculo ver um bom filme digno da época romântica é um alívio.



RAFAEL RAFAEL (28/06/2010 23:23:31)   8 0
Muito comovente..............



Katia Katia (27/06/2010 11:02:31)   0 0
Concordo com a crítica de ponta a ponta...compartilho as msm opiniões. Mais q o movimento das cortinas, prestem atenção ao toque, aos sons como o da respiração dos dois...o sensório, o sensível é divinamente explorado no filme.



Leonardo Leonardo (24/06/2010 21:34:10)   0 0
ZZZZzzzzz....



Ad Samp Ad Samp (24/06/2010 19:54:04)   182 1
Passo!!!








Bazinga!!



Nathanael Nathanael (24/06/2010 19:16:07)   18 0
Eu assisti e concordo com a crítica, é 1 milhão de vezes melhor que crepúsculo, lua nova e qualquer outra babaquísse!



Gabriel Gabriel (24/06/2010 18:51:46)   0 0
Levarei minha futura namorada pra ver este ;)



G. brucew G. brucew (24/06/2010 17:48:56)   5 0
sensacional!! só pela crítica anti-crepusculo eu vou assistir esse filme!!



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Dalton Dalton (24/06/2010 17:44:05)   315 0
parabens hessel otima critica !




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