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Crítica: Caramelo

Drama romântico libanês é - desculpe o trocadilho - um tanto açucarado

Marcelo Hessel
04 de Junho de 2009

Caramelo

Caramelo

Sukkar Banat
França / Líbano , 2007 - 95
Drama / Romance

Direção:
Nadine Labaki

Roteiro:
Jihad Hojeily, Rodney El Haddad, Nadine Labaki

Elenco:
Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Adel Karam, Sihame Haddad

Regular
caramelo

A cosmopolita Beirute, no Líbano, é uma das cidades do Oriente Médio que melhor sintetizam o choque da cultura ocidental com a árabe. No açucarado Caramelo (Sukkar Banat), de Nadine Labaki, Beirute é vista a partir de um microcosmo, um salão de beleza.

Ali, o que o conflito desses dois mundos tem de mais evidente se amplifica: a cosmética. Numa cidade em que muitas mulheres ainda cobrem todo o corpo com o rigor islâmico, acompanhamos personagens cuja rotina trata de exteriorizar a feminilidade.

Com uma paleta de cores almodovariana, Nadine Labaki se cerca de personagens que cobrem, a contento, todos os lados do drama da "mulher libanesa": tem a noiva em conflito porque não é mais virgem, tem a lésbica que não se assume, tem a quarentona divorciada que ainda quer ser jovem, tem a bela moça que namora homem casado, tem a velha senhora ainda com energia para amar.

Dá pra argumentar que são arquétipos facilmente encontrados em qualquer teledramaturgia de qualquer lugar do mundo, e de fato são. A "mulher libanesa" de Caramelo está mais para uma projeção do que é ser uma heroína romântica no cinema: por mais que o mundo te sufoque, mulher, seu ímpeto por independência pode falar mais alto.

O roteiro de Labaki em parceria com Jihad Hojeily e Rodney El Haddad aborda especificidades da cidade - o anacronismo das rondas policiais, o rigor machista dos hotéis - mas fica difícil dizer que Caramelo é um "mergulho na alma da mulher árabe". Seu desenvolvimento óbvio e seus dramas simplificados são universais.

Na verdade, o que o filme de Labaki tem de mais interessante não é o olhar para dentro, para o Líbano, mas o flerte com signos - estéticos, narrativos - do Ocidente. Repare como, na cena final, a mulher se mostra realizada com seu reflexo na vitrine, e como a câmera a enfoca também de dentro para fora da loja. A vitrine é o grande símbolo dessa busca por uma imagem exterior. "Exterior", no caso de Caramelo, em todos os sentidos.

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