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Crítica: Carmel

Amos Gitai mistura memórias afetivas e história judaica em docudrama pessoal

Marcelo Hessel
26 de Outubro de 2009

Carmel

Carmel

Carmel
Israel / França / Itália , 2009 - 93
Documentário / Drama

Direção:
Amos Gitai

Roteiro:
Amos Gitai

Elenco:
Amos Gitai, Ben Gitai, Efratia Gitai, Amos Lavi, Ben Eidel, Amitai Ashkenazi

Regular
carmel
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O começo de Carmel exige um pouco de conhecimento de história. Sob narração da atriz Jeanne Moreau, assistimos à invasão de Jerusalém pelo exército romano, processo de séculos que levou a uma das muitas expulsões do povo israelita de seu solo sagrado. Em seguida, o diretor Amos Gitai visita seu filho, que está a caminho do front de batalha da contínua guerra contra o Islã.

A associação entre o passado e o presente dos judeus é imediata e não exige explicação. Mas, a partir daí, mais do que conhecimento histórico, o filme exige domínio da própria história de Gitai - a começar pelo fato dele ter nascido em Haifa, cidade ao norte de Israel, parcialmente situada sobre o Monte Carmelo, que dá nome ao filme.

Em 1973, o futuro cineasta, então adolescente, serviu na Guerra do Yom Kippur, experiência que em 2000 renderia o libelo pacifista autobiográfico O Dia do Perdão. Com sua equipe, Gitai revisita em Carmel o local onde o helicóptero em que ele estava em 1973 foi derrubado pelos sírios. A esses dois tempos, separados por dois séculos, o filme adiciona mais um: a infância de Gitai e as memórias de sua mãe.

Depreende-se que o garoto ruivo na cena ambientada num kibbutz em construção é Gitai, já que o garoto carrega consigo uma câmera rolleiflex. Já a bela jovem que anda dentro de uma casa, sozinha, ouvindo música, é um enigma. Seria a mãe do cineasta, jovem? Ou a mulher de um dos soldados dos dias atuais? O fato é que esse esforço de dar um senso de unidade a um filme feito de retalhos de memória afetiva às vezes não leva a lugar nenhum.

Carmel tem momentos muito bonitos, que antepõem a diáspora à realização de estar em solo pátrio, e em paz. Enquanto assistimos ao pequeno Gitai no kibbutz, numa cena seguinte, no presente, o diretor já adulto relê ao lado da irmã cartas que sua mãe escrevia do exílio coletivo. O verbo é um elemento bastante precioso aqui. Por exemplo, quando Gitai conversa com o mecânico muçulmano no começo do filme, um não escuta o que o outro diz. E é por meio do verbo, da palavra, que famílias divididas, como a de Gitai, compensam a ausência e preservam um senso de pertencimento.

Uma pena que falte justamente o verbo na hora de tornar a sessão menos hermética para o espectador não versado. Falado em cinco idiomas, o filme deixa no ar passagens que seria importante explicar (só quem lê hebraico vai identificar a lápide que Gitai visita numa cena), e encavala com fusões imagens várias, como se fosse impossível escolhê-las. Ao lado de cenas de reconhecimento imediato, como ruínas presentes de algo que víamos antes crescer, Carmel simplesmente exibe outras que só fazem sentido ao seu realizador.

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