Carmel
Israel / França / Itália
, 2009
- 93
Documentário /
Drama
Direção:
Amos Gitai
Roteiro:
Amos Gitai
Elenco:
Amos Gitai, Ben Gitai, Efratia Gitai, Amos Lavi, Ben Eidel, Amitai Ashkenazi
O começo de Carmel exige um pouco de conhecimento de história. Sob narração da atriz Jeanne Moreau, assistimos à invasão de Jerusalém pelo exército romano, processo de séculos que levou a uma das muitas expulsões do povo israelita de seu solo sagrado. Em seguida, o diretor Amos Gitai visita seu filho, que está a caminho do front de batalha da contínua guerra contra o Islã.
A associação entre o passado e o presente dos judeus é imediata e não exige explicação. Mas, a partir daí, mais do que conhecimento histórico, o filme exige domínio da própria história de Gitai - a começar pelo fato dele ter nascido em Haifa, cidade ao norte de Israel, parcialmente situada sobre o Monte Carmelo, que dá nome ao filme.
Em 1973, o futuro cineasta, então adolescente, serviu na Guerra do Yom Kippur, experiência que em 2000 renderia o libelo pacifista autobiográfico O Dia do Perdão. Com sua equipe, Gitai revisita em Carmel o local onde o helicóptero em que ele estava em 1973 foi derrubado pelos sírios. A esses dois tempos, separados por dois séculos, o filme adiciona mais um: a infância de Gitai e as memórias de sua mãe.
Depreende-se que o garoto ruivo na cena ambientada num kibbutz em construção é Gitai, já que o garoto carrega consigo uma câmera rolleiflex. Já a bela jovem que anda dentro de uma casa, sozinha, ouvindo música, é um enigma. Seria a mãe do cineasta, jovem? Ou a mulher de um dos soldados dos dias atuais? O fato é que esse esforço de dar um senso de unidade a um filme feito de retalhos de memória afetiva às vezes não leva a lugar nenhum.
Carmel tem momentos muito bonitos, que antepõem a diáspora à realização de estar em solo pátrio, e em paz. Enquanto assistimos ao pequeno Gitai no kibbutz, numa cena seguinte, no presente, o diretor já adulto relê ao lado da irmã cartas que sua mãe escrevia do exílio coletivo. O verbo é um elemento bastante precioso aqui. Por exemplo, quando Gitai conversa com o mecânico muçulmano no começo do filme, um não escuta o que o outro diz. E é por meio do verbo, da palavra, que famílias divididas, como a de Gitai, compensam a ausência e preservam um senso de pertencimento.
Uma pena que falte justamente o verbo na hora de tornar a sessão menos hermética para o espectador não versado. Falado em cinco idiomas, o filme deixa no ar passagens que seria importante explicar (só quem lê hebraico vai identificar a lápide que Gitai visita numa cena), e encavala com fusões imagens várias, como se fosse impossível escolhê-las. Ao lado de cenas de reconhecimento imediato, como ruínas presentes de algo que víamos antes crescer, Carmel simplesmente exibe outras que só fazem sentido ao seu realizador.
O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.
Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.









