1

Assista Agora

Crítica: Choke

Escritor de Clube da Luta tem novo livro adaptado para o cinema

Marcelo Hessel
03 de Outubro de 2008

Choke

Choke

Choke
EUA , 2008 - 2008
Comédia / Drama

Direção:
Clark Gregg

Roteiro:
Clark Gregg

Elenco:
Sam Rockwell, Anjelica Huston, Brad William Henke, Kelly Macdonald

Bom
Choke
Choke
A adaptação para as telas de Choke: A Novel (no Brasil, No Sufoco), romance do cultuado escritor de Clube da Luta, Chuck Palahniuk, é uma aposta certa, pela sua popular mistura de humor politicamente incorreto com cinismo. Mas os livros de Palahniuk são também uma armadilha, com sua variedade de piadas e referências puxando o leitor para longe do fio narrativo central. É fácil perder o foco num filme como Choke (2008), e digamos que o roteirista e diretor estrante Clark Gregg não é nenhum David Fincher.

Gregg é mais conhecido por seu trabalho na televisão. Ele vive o ex-marido de Julia Louis-Dreyfus na sitcom The New Adventures of Old Christine. Nas comédias de situação da televisão se permite perder o foco - afinal, o que importa em cada episódio são as piadas; a narrativa propriamente dita se dá ao longo de uma temporada. Reflexo do tipo de criação a que Gregg está acostumado, Choke é ótimo na hora de contar piadas e fraco na hora de contar histórias. Se Palahniuk apenas flerta com as tentações da comédia fácil, Gregg deixa-se apaixonar completamente por elas.

Em outras palavras, não espere um Clube da Luta. O filme de Fincher era inconsequente, no sentido de não medir suas consequências. Choke é inconsequente no sentido de não ter consequência alguma.

Na trama, Sam Rockwell vive Victor Mancini, um "intérprete histórico", como se autodenominam os atores que vivem personagens dos Estados Unidos colonial em um parque temático. Victor é também viciado em sexo. Ele diz, numa frase típica da "literatura suja" de Palahniuk, que, por pior que seja um boquete, ainda será melhor que a mais bela rosa ou o mais belo pôr-do-sol. Acontece que Victor anda atormentado. Sua mãe doente (Anjelica Huston) veio com uma história de que Victor não é filho de quem ele pensa que é.

Palahniuk parte do tema clássico do Complexo de Édipo para tirar sarro da própria condição edipiana - em que a desgraça de Victor é tão cartunesca que ele engasga com comida de propósito em restaurantes (daí o nome do filme) só para ser salvo por estranhos, "embalado" como um bebê. É, em resumo, um material mais com vocação para a destruição - figurativamente, no sentido de extrair qualquer seriedade desses temas - do que para a construção.

Partindo desse princípio de que o cinismo prevalece, ao menos a parte do humor de Choke vale a pena? Vale, mas tinha potencial para ser mais.

Assista aos clipes


Compartilhar

Comentários (1)

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Raul Raul (22/05/2012 22:39:35)   550 0
Estou querendo ler as obras do Palahniuk. Só recentemente li Clube da Luta, e vou atrás de outros livros dele.




Omeletop : cinema

None