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Crítica: Colin

Um filme de zumbis que segue o ponto de vista de um deles

Marcelo Hessel
29 de Outubro de 2009

Colin

Colin

Colin
Reino Unido , 2008 - 97
Drama / Terror

Direção:
Marc Price

Roteiro:
Marc Price

Elenco:
Alastair Kirton. Leanne Pammen, Kate Alderman, Daisy Aitkens, Tat Whalley, Kerry Owen, Leigh Crocombe, Justin Mitchell-Davey

Bom
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Zumbi bom é zumbi morto. Mas como a obra de George Romero transformou os desmortos nos principais párias da sociedade de nosso tempo, isso levou muita gente a encarar a zumbizada como uma massa de coitados. Viraram até bicho de estimação, entre outras compaixões.

O que nos traz a Colin, do roteirista e diretor estreante em longas-metragens Marc Price.

O filme começa com Colin (Alastair Kirton) lavando um martelo na pia da cozinha, percebendo que foi mordido no braço por um zumbi. Não dá 15 minutos e ele já está de volta à vida na forma de um lento cadáver. A câmera de Price então acompanha Colin em uma Londres atemporal com indícios de pós-apocalipse. Lixo na rua, fumaça, gritos, barulhos de tiro.

Vendido como o primeiro filme de zumbi narrado pela perspectiva de um deles, Colin tropeça na primeira referência à humanidade perdida do desmorto: Colin sai de casa e pega um Lego do chão, como se fosse um bebê... A forma como Price abraça o lado cafona desse melodrama, um elemento bastante marcante de seu filme, já se mostra neste primeiro instante.

E a péssima imitação que Kirton faz dos mortos-vivos não ajuda. São caras, bocas e gestos (como o ato de segurar o braço esquerdo) que passam a impressão de que Colin está sofrendo, e não apenas desnorteado. Como todo mundo sabe, zumbis não sentem dor. E só pensam em comer. Mas quando Colin passa por carne fresca, parece reticente. Marc Price escolheu o mais chato dos zumbis para acompanhar...

Ou talvez seja o mais existencialista deles. Há momentos em que Colin parece um contemplativo filme iraniano, com a câmera próxima do chão, virada pra cima, mostrando o céu, enquanto Colin atravessa lânguido o quadro. Se as momentâneas cenas de carnificina foram feitas para separar o sensível Colin da barbárie cometida pelos "outros" zumbis, fica difícil dizer. Talvez tenham sido feitas mesmo para colocar todos os amigos da galera pra aparecer no filme.

De resto, é aquele caso clássico de projeto cuja história de bastidores é melhor do que o filme em si. Colin também está sendo vendido como a produção caseira que custou apenas 70 dólares. Dá pra ver onde Price economizou. Apesar do barulho de disparos, não há nenhuma arma de fogo visível no filme (balas de festim inflacionariam o orçamento), e é muito cruel, além de cômico, o cara sair matando zumbis com um estilingue.

Com o tempo, fica a sensação de que o filme partia, desde a premissa, de uma autosabotagem: por mais que zumbis sejam legais, é muito difícil impor a identificação do público com um personagem como Colin, com o mínimo de backstory pra que possamos ter uma base de proximidade. Não por acaso, a coisa começa a melhorar quando o filme (sem tentar anular a selvageria de um zumbi, como fazia antes) coloca em cena a irmã do protagonista e nos dá algum fio para nos conectar com o drama de Colin.

Que fique aí então a lição. Não tente fazer de zumbis mais do que eles são. A mais digna demonstração de respeito que você pode ter diante de um deles é matá-lo de vez com o bom e velho tiro no crânio.

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Comentários (1)

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sem avatar Fernando (05/07/2010 16:03:14)   1 0
Tá, mas peraí... Pela crítica, o filme não receberia mais de 2 ovos (com muito boa vontade), mas recebeu 3 de 5, o q significa um filme bom. Quais os aspectos positivos?

Marcelo, tu só me deu motivos pra não assistir ao filme, e olhe q sou fã de filmes de zumbis. A idéia de um filme baseado na visão do morto-vivo (q, afinal, é o protagonista desse gênero de cinema) é muito boa, ainda não executada por ninguém.

Das turbas de "undead" q vemos, somente conhecemos alguma coisa daqueles q ressuscitaram após o começo do filme. Dos outros, não sabemos quem são, de onde vieram, o q faziam, há qto tempo estão mortos... Não conseguimos sentir pena nem raiva. Acaba sendo uma existência vazia. Um filme q mostrasse a ótica de um morto-vivo, desde o momento da transformação até, quem sabe, sua eliminação, seria praticamente um documentário, mas de horror, de tristeza, de solidão e de fome. Apenas uma fome instintiva. Sem dor, sede, cansaço, pudor...

Vou buscar na locadora para assistir. Mas não será normal ver um morto-vivo hesitante, tranquilo, etc...




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