Crítica: Corpo Fechado

Corpo Fechado

Rodrigo Fonseca
11 de Janeiro de 2001

Corpo Fechado

Corpo Fechado

Unbreakable
EUA , 2000 - 106
Suspense

Direção:
M. Night Shyamalan

Roteiro:
M. Night Shyamalan

Elenco:
Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright Penn

Excelente

Se, por acaso, você sair chorando após assistir a Corpo Fechado (Unbreakable, 2000) e for chamado de idiota por causa disso, não dê a mínima. É batata que isso vai acontecer. Até porque existe muita gente mal-amada neste mundo. Mas liga não. O importante é ter a consciência de que se trata de um dos melhores filmes feitos em Hollywood nos últimos (muitos) anos.

O que o diretor M. Night Shyamalan consegue na película não é pouca coisa. Ele até mesmo supera seu sucesso anterior, O Sexto Sentido - que foi um dos melhores da década de 90. Os méritos estão em toda parte; na direção fotográfica cuidadosa, que opera bem com tons escuro e faz balé com o foco da câmera; no roteiro com uma surpresa de gelar a alma no fim; e a poderosa atuação de Bruce Willis.

Duro de matar como sempre, Willis tem um dos momentos mais inspirados de sua carreira. Vivendo um desacreditado segurança de um estádio - lugar onde colheu glórias no passado como jogador de futebol -, o ator confere credibilidade à trama ao se descobrir o único sobrevivente de um acidente de trem que matou 131 pessoas. Ao escapar ileso, ele se dá conta de que nunca teve sequer uma gripezinha. Então, se, em O sexto sentido, o lance eram os defuntos melancólicos, aqui impera a paranormalidade.

Com um quezinho de X-Men na ingenuidade e Arquivo X no ceticismo, Shyamalan mete na trama uma personagem descolada e esquisitona, interpretada pelo sempre "irado" Samuel L. Jackson. É ele que joga a pulga atrás da orelha de Willis. Dono de uma gibiteria e fanático por HQs, o cara defende a teoria de que o segurança seria na verdade um super-herói. Por isso, não sofreu nada no acidente e nunca teve que encarar uma fila do INPS. A idéia, a princípio absurda, é explorada durante os 106 minutos do fita, desta vez, fazendo o espectador duvidar do impossível. Será que alguém pode ter nascido com a benção de ser indestrutível?

Cozida em muito suspense e boas interpretações, essa pergunta converge para o lirismo em dois momentos: quando se aproxima o sonho de todo fã de quadrinhos, ou seja, a chance de um homem comum tornar-se herói; e na crença no amor, mostrada na reconciliação de Willis com sua esposa, vivida pela competente Robin Wright Penn, de Forrest Gump. São duas seqüências em que fica difícil conter a emoção. Tudo bem se você verter uma lágrima ou outra. É perfeitamente compreensível. Pode ser até que tudo termine em berreiro. Aí é que algum retardado pode implicar. Mas tudo bem, porque, na sua origem, a palavra idiota quer dizer puro. E isso não é para qualquer um. Nem ser herói...



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Comentários (8)

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sem avatar Pablo Lisandro (25/06/2012 01:30:33)   173 2
O filme é maravilhoso, perfeito. Totalmente envolvente. Agora, claro que o caminho para a conclusão é, no minímo, emocionante. A cena da ''primeira vez'' de Dunn foi emcionante. Mas não seria nada se não fosse a trilha de J. N. Howard. Aquela cena ganhou força com aquela música (que é The Orange Man).
Ótima crítica, traduziu o que eu penso do filme, que é o meu favorito de Shyamalan.



O Besouro Azul O Besouro Azul (07/11/2011 15:24:32)   182 0
Shyamalan so fez um filme bom,o 6 sentido ,o resto nõa presta...



Raphael Raphael (23/06/2010 09:51:55)   9 2
Imcompreendido. É isso que Corpo Fechado é. Pra mim, o melhor filme de Shyamalan e um dos melhores que vi. Só não chorei... rsrsrs... mas adorei.


Bella Bella (15/02/2013 20:11:55)   3 2
Concordo plenamente. É um pouco frustrante saber que a maior referência do Shyamalan é o Sexto sentido, sendo que Corpo fechado é tão genial quanto. A diferença é que a do primeiro é uma genialidade mais compreendida do que a do Corpo fechado. É frustrante vir aqui e ler comentários como o do "Besouro Azul" ali em cima. Falar que um filme desses não presta mostra o tamanho do nível de compreensão do amigo ali, ou seja, nada.



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