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Crítica: Entre Irmãos

Versão hollywoodiana de drama dinamarquês trata a guerra como uma culpa hereditária

Marcelo Hessel
04 de Março de 2010

Entre Irmãos

Entre Irmãos

Brothers
EUA , 2009 - 105
Drama

Direção:
Jim Sheridan

Roteiro:
David Benioff, Susanne Bier, Anders Thomas Jensen

Elenco:
Tobey Maguire, Jake Gyllenhaal, Natalie Portman, Sam Shepard, Clifton Collins Jr., Bailee Madison, Mare Winningham, Taylor Geare, Patrick Flueger, Carey Mulligan

Regular
entre irmãos
entre irmãos
entre irmãos

Quando viveu no Afeganistão um trauma de batalha, em Brothers (2004), o major Michael, do exército dinamarquês, integrante da coalização ocidental contra a Al-Qaeda, estava lutando uma guerra que não era sua. A cultura do confronto pesa mais nos EUA, então é natural que no remake hollywoodiano de Brothers, Entre Irmãos, ela se imponha mais como tema.

A trama, em si, difere pouco. Temos um oficial de carreira - no lugar do dinamarquês Michael entra o capitão Sam Cahill interpretado por Tobey Maguire - com esposa linda (Natalie Portman) e duas filhas. Quando Sam é capturado por afegãos, todos nos EUA acreditam que ele foi morto. Entra em cena o irmão problemático (Jake Gyllenhaal) do militar, que acaba de sair da cadeia e servirá de ombro amigo para a enviuvada esposa.

Ao contrário da pegada melodramática sem meios termos da diretora do original, Susanne Bier, o irlandês Jim Sheridan (Terra dos Sonhos), que assina a refilmagem, tenta impor um clima de luto, a princípio, sem movimentos bruscos. Quando chega a notícia do desaparecimento de Sam, por exemplo, o roteiro nos informa, logo a seguir, mais três mortes: durante o velório ficamos sabendo que os pais da esposa já faleceram e que a mãe dos irmãos protagonistas também se foi há algum tempo.

O roteiro nos passa essas informações assim, uma atrás da outra, talvez como uma forma de botar o luto em contexto - esses personagens já sabem o que é perder um familiar - e para não dramatizar demais a "morte" de Sam. É uma forma também de adiantar o conflito que agora a esposa enfrentará: órfã e mãe de duas meninas, ela não tem mais ninguém onde se escorar. A entrada no triângulo do cunhado marginalizado, então, fica mais palatável.

É um processo, enfim, de tentar evitar choques muito grandes com o público, esse que Sheridan e o roteirista David Benioff escolhem para o filme. Provavelmente porque o foco dos dois não é o enfrentamento de Maguire com Gyllenhaal (no original ficava muito clara a diferença de caráter dos irmãos no momento de pressão, e Susanne trabalhava em cima disso), mas mostrar como a guerra transforma todos em vítimas.

Temos aqui um personagem-chave: o pai dos irmãos, Hank, vivido por Sam Shepard. Hank passou no Vietnã por um trauma semelhante ao que Sam agora enfrenta no Afeganistão, o contato com a morte. O modo como as guerras sazonais dos EUA desumanizam seus soldados, geração após geração, é o elemento central de Entre Irmãos. Quem mais sofre são sempre os filhos. Entra aí o talento de Sheridan para dirigir os seus elencos mirins, aqui representados pelas meninas Bailee Madison e Taylor Geare.

Essa ideia de hereditariedade da culpa - ademais, um tema familiar a um diretor criado numa tradicional escola católica irlandesa como Sheridan - tira de Entre Irmãos parte do seu potencial dramático. Aqui, a redenção dos pecadores (quem roubou, quem matou) não depende só de um ato de arrependimento que possa redimi-los (crucial para o personagem de Gyllenhaal), mas também do perdão daqueles que os cercam (essencial para Maguire).

Perdão, na visão de Benioff e Sheridan, é tudo o que os Estados Unidos precisam. É curioso, então, que eles tenham passado boa parte do filme tentando evitar o melodrama. No fim, a necessidade do perdão, em termos de dramaturgia, é melodramática por excelência.

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Comentários (7)

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Audrey Audrey (18/01/2012 00:00:04)   238 0
Eu gostei e muito da atuação do Maguire. Não costumo ver- provavelmente porque não procuro-ele em papéis como esse, e me surpreendi ao ver o quanto ele pode atuar. Espero que ele arrebente em The Great Gatsby.



marlon marlon (24/07/2011 16:41:48)   1 0
exclente filme! não só pelas boas atuações de Maguire, Gyllenhaal e Portman, mas também pela fantástica atuação das duas atrizes teen, filhas do soldado Sam. Suspense/drama muito interessante. merece 4 ovos.



sem avatar Jonathan (11/12/2010 11:26:55)   0 0
Uma coisa esse filme me mostrou que eu não pude deixar de notar as garotinhas arrebentaram na atuação principalmente a irmã mais velha



gisele gisele (25/07/2010 16:54:28)   -1 0
muito bom,exemplo perfeito de que toda vez que se predomina a maioria o individuo vira numero.



sem avatar Valdeci (23/07/2010 19:40:21)   -1 0
A Guerra no Afeganistão continua rendendo roteiro para Hollywood. Entre Irmãos é mais um filme que trata deste conflito acrescido de todos os traumas psicológicos causados nos soldados e suas respectivas famílias. O Capitão Sam Cahil (Tobey Maguire) é um bom pai de família e apaixonado por sua esposa Grace (Natalie Portman). Tem duas filhas: Izzy (Bailee Madison) e Maggie (Taylor Geare). Para completar o irmão Tommy (Jake Gyllenhaal) é o que chamamos de “ovelha negra” da família e acabou de sair da prisão para cumprir a condicional. Seu pai, Hank (Sam Shepard), é um oficial do exército reformado que tem predileção por seu filho Sam e um desprezo por Tommy. Ao ser chamado novamente para combater no Afeganistão seu helicóptero é abatido pelo inimigo. Nos Estados Unidos a família recebe a notícia da sua morte. Para manter a família unida, Tommy assume algumas responsabilidades e começa a agir de forma a ser um sujeito respeitável e trabalhador. Seu relacionamento com a cunhada, antes bastante tumultuado, começa a dar sinais de melhora. Até as meninas começam a ter uma boa convivência com o tio problemático. Neste ínterim descobrimos que o capitão Sam Cahil foi capturado e é tido como refém do inimigo. Sofre horrores neste cativeiro e é obrigado a praticar um ato de extrema crueldade que lhe trará futuros problemas familiares e psicológicos.

Ao regressar ao lar encontra a esposa e as filhas já em franco progresso de familiaridade com o irmão. Percebe que alguma coisa está acontecendo e isola-se no seu mundo. Mas a angústia é tanta e a explosão acontece quando sua esposa diz que trocou alguns beijos com Tommy e uma das filhas diz, num jantar em que estão todos à mesa, que a mãe está fazendo sexo com o tio. As lembranças da guerra e o ato que fora obrigado a praticar para manter-se vivo e voltar para a mulher tornam sua vida um inferno. Seu relacionamento muda drasticamente e é internado em um hospital psiquiátrico. Neste segundo ato vamos perceber então todo o conflito existente entre o triângulo Sam, Grace e Tommy bem como as novas possibilidades de relacionamentos familiares. Interessante notar que todos são afetados pela guerra. Inclusive as meninas que sofrem com a volta de um pai psicologicamente instável e perigoso. Sofre igualmente Grace que agora se encontra numa encruzilhada de amar a dois homens e Sam por ver sua esposa numa situação bastante difícil. Claro que para Tommy também não é nada fácil ter que disputar com seu irmão o direito a também ter uma família que teve por poucos meses.

O filme é bastante verossímil no tratamento dos conflitos, angústias e medos de todos os personagens envolvidos nesta trágica guerra no Afeganistão e no seio de uma família americana. Foge dos clichês habituais e, por isso mesmo, chega a ser comovente em alguns momentos. Palmas para a interpretação de Bailee Madison como Izzy e Tobey Maguire na pele do Capitão Sam Cahil.

Para ler outros comentários sobre Cinema, Literatura, Comportamento e Cultura em Geral, você pode acessar o meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com



Dennis Dennis (19/04/2010 11:07:15)   0 0
Assisti ao filme antes de ler a crítica. Gostei muito. A interpretação dos atores está muito boa e convincente. O tema também é bem explorado. A trilha sonora acompanha o clima do filme. Fiquei supreso por ter recebido apenas 2 ovos. Achei que merecia 4, ou, no mínimo 3 ovos. Mas 2?!



Orlando Orlando (22/03/2010 04:22:11)   -1 0
Ainda bem que não entraram numas de Pearl Harbor. Merecia 3 ovos.




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