México
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- 100
Drama
Direção:
Jorge Pérez Solano
Roteiro:
Jorge Pérez Solano
Elenco:
Lazúa Larios, Mayra Sérbulo, Xochiquétzal Rodríguez
Em busca de uma nova vida, na direção dos ilusórios "pastos mais verdes", pessoas infelizes com sua atual condição aventuram-se em outros países. A história é conhecida e comum - acontece todos os dias e em todos os lugares - e em Espiral (2008), longa-metragem de estreia do diretor e roteirista Jorge Pérez Solano, é mais uma vez contada do ponto-de-vista de mexicanos de um pobre vilarejo, que sonham com os ricos vizinhos do norte.
Mas se a premissa é batida, Solano ao menos escolhe uma nova maneira de contá-la - e o faz com estilo.
A trama é ambientada toda no México, no estado de Oaxaca, e segue o drama de quem fica. Os amigos Macário e Santiago são deixados de lado quando suas silhuetas mergulham no deserto. Eles serão vistos novamente, mas são as vidas das jovens Diamantina e Araceli, deixadas para trás, que importam agora.
O cineasta estreante é econômico com as palavras. Usa a ótima cena de abertura para sugerir o problema abordado sem efetivamente mostrá-lo: para o desgosto do padre local, a reencenação anual da Paixão de Cristo tem que ser realizada com elenco composto apenas por mulheres, inclusive Jesus. Pequenos detalhes visuais também estabelecem relações entre as épocas do filme (são três) e funcionam como guias cinematográficos de sentimentos e evolução dos personagens (note a caminhonete vermelha, por exemplo).
A fotografia coloridíssima de César Gutiérrez Miranda está sempre em busca de um ângulo interessante e possibilidades de enquadramento. Beira o exagero, mas se contém na hora certa, acompanhando de longe as cenas mais carregadas de tensão dramática, mesmo em momentos mais marcantes, algo esperado pelo tema um tanto melodramático (e o audiovisual mexicano tem conhecido apreço pelo exagero).
O diretor erra apenas ao estereotipar demais o "vilão", Don Taurino, sujeito turrão a quem não falta um icônico bigodão. Igualmente cansativa é a repetição de certos quadros - bonitos, vale dizer - que envolvem reflexos. Dá pra entender logo na primeira vez em que o recurso é empregado o que Solano quer dizer. Não seria necessário usar mais duas ou três vezes a ideia... de qualquer maneira, um erro honesto de principiante um tanto deslumbrado.
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