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Crítica: Flores Partidas

Flores partidas

Érico Borgo
24 de Novembro de 2005

Flores Partidas

Flores Partidas

Broken Flowers
EUA , 2005 - 106
Comédia / Drama

Direção:
Jim Jarmusch

Roteiro:
Jim Jarmusch

Elenco:
Bill Murray, Julie Delpy, Heather Simms, Brea Frazier, Mark Webber, Jeffrey Wright, Alexis Dziena, Sharon Stone, Frances Conroy, Christopher McDonald, Chloë Sevigny, Jessica Lange, Chris Bauer, Larry

Excelente
Flores Partidas
Flores Partidas
Flores Partidas

Dois mestres do minimalismo, Jim Jarmusch (Ghost dog) e Bill Murray trabalharam juntos pela primeira vez em Sobre café e cigarros (Coffee and cigarettes, 2003), a divertida coleção de curtas do cineasta. Flores partidas é seu primeiro longa-metragem juntos... e que venham muitos mais.

O drama cômico conta a história de Don Johnston (Murray), um solteirão mulherengo que acaba de ser deixado pela namorada. Você me trata como sua amante, mas nem sequer é casado, reclama a moça. Melancólico e solitário, ele recebe quase que simultaneamente uma carta anônima. Dentro do envelope cor-de-rosa, sem remetente, a informação bombástica de que ele tem um filho de 19 anos. Johnston não demonstra interessa na missiva, mas seu vizinho xereta, o etíope Winston (Jeffrey Wright, excelente!), apaixonado por romances policiais, o convence a investigar o assunto e encontrar a mulher que escreveu a carta. Assim, o hesitante Don embarca numa viagem através dos Estados Unidos em busca de cinco antigas namoradas que podem ter pistas de seu filho.

Murray está mais uma vez perfeito como o protagonista, homem de emoções represadas, mas indisposto a romper o dique para deixá-las sair. Sua interpretação segue a linha contida/pensativa de Encontros e desencontros e A vida marinha com Steve Zissou. Coincidência ou não, dois dos melhores filmes estadunidenses dos últimos anos. Com este Flores partidas são três.

Mas o ator está em excepcional companhia. Sharon Stone, Frances Conroy, Jessica Lange, Tilda Swinton, Julie Delpy e Chloe Sevigny. Cada uma delas fica não mais do que cinco minutos na tela, mas roubam as cenas. É palpável nos encontros de Johnston com as ex-namoradas a velocidade com que o passado vêm à tona. Aliás, esse é o grande trunfo do filme. Na maioria dos road movies, o protagonista sai em busca de experiências novas. Neste, parte para reencontrar o passado. Obviamente, em nenhum dos casos há como permanecer o mesmo.

Jarmusch é um mestre em sua arte. Deixa a câmera parada, sem excessos de estilo, com a iluminação e cores mais naturais possíveis. Conhece a força de seu roteiro e dá um passo atrás para deixar o filme nas mãos dos atores e seus personagens. O único recurso de que se vale é a música, companhia de Johnston na estrada. E a seleção é extremamente feliz. O cineasta nos apresenta Mulato Astatke, um jazzista etíope, e mistura a exótica sonoridade do músico com Marvin Gaye e uma pitada de rock alternativo.

Sabe aqueles filmes em que você pensa se terminasse agora seria perfeito? Flores partidas é exatamente assim. Concluiu num momento tão perfeito que a edição parece ter sido feita em nível subatômico. Nem um átomo antes, nem depois. Deixa o espectador com vontade de ver mais, de conhecer mais aqueles personagens, de descobrir o passado, de acompanhá-los no futuro. Mas, como os casos passageiros do protagonista, encerra a relação logo, partindo-a como as flores do título.


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Comentários (4)

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sem avatar felipe (01/04/2012 17:16:39)   1 1
Sinceramente, o filme não te prende, pouco importa quem é o filho, aliás, importa muito pouco! O foco do filme, pouco importa! O filme te mostra que deixamos coisas para tras e temos de viver com isso, mas quer saber? dane-se os minimalistas, ESSE FILME É UMA DROGA! E nem de longe o melhor papel de MURRAY! Péssimo. Chato, sem sal, passa batido!



sem avatar Gabriel (01/03/2011 00:42:25)   103 0
Jarmusch é foda... filme excelente!



Igor Igor (14/06/2010 14:26:39)   7 0
Cara, o filme (como disse o Érico na crítica) é muito minimalista. Você tem que prestar atenção a cada detalhe se quiser entender e, mesmo assim, levará um tempo pensando. Não é um filme mastigado e dado na boquinha igual as super-produções hollywoodianas de atualmente, é um filme que merece uma reflexão. De uma coisa eu tenho certeza: a atuação do Bill Murray é muito bem pensada e realizada.



Gustavo Gustavo (07/04/2010 19:58:34)   37 1
Não sei como puderam gostar desse filme, o Bill murray faz a mesma cara o filme todo e no final nada se resolve!




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