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Crítica: A Jovem Rainha Vitória

O amor nos tempos da febre tifóide

Érico Borgo
17 de Junho de 2010

A Jovem Rainha Vitória

A Jovem Rainha Vitória

Young Victoria
Inglaterra, EUA , 2009 - 105 min.
Romance

Direção:
Jean-Marc Vallée

Roteiro:
Julian Fellowes

Elenco:
Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Thomas Kretschmann, Mark Strong, Jesper Christensen, Harriet Walter, Jeanette Hain, Julian Glover

Bom
A Jovem Rainha Vitória

O sonho de ser princesa, recorrente entre as meninas, era a realidade de Alexandrina Vitória Regina. Mas a vida da moça, última de sua linhagem real, não era exatamente um conto de fadas, já que ela cresceu sob as duras "Regras Kensington", que visavam sua proteção a todo instante, cuidando da sucessão do trono. Esses normas rígidas impediam que ela dormisse sozinha, descesse escadas desacompanhada ou mesmo deixasse seu palácio com frequência.

Com a morte prematura de seu tio, Guilherme IV, Vitória assumiu o trono da Inglaterra aos 18 anos. Tornada rainha, a garota viu-se no centro de conspirações e jogos de poder - e também alvo de pretendentes à sua mão.

A Jovem Rainha Vitória (Young Victoria, 2009) trata justamente desse período de transição, em que os olhares da regente, aqui vivida por Emily Blunt, ficaram divididos entre seu primo, Albert de Saxe-Coburg (Rupert Friend), e o político Lorde Melbourne (Paul Bettany). A trama mostra os erros e acertos de Vitória em seus primeiros meses no cargo, incluindo uma bizarra crise constitucional gerada pela escolha de camareiras, mas o faz como escancarada desculpa para o real interesse da produção, o romance.

O filme de Jean-Marc Vallée (C.R.A.Z.Y.), com roteiro de Julian Fellowes (Feira das Vaidades), flerta com ideias que parecem arrojadas, como a de um amor igualitário (Vitória já era rainha e poderosa o suficiente, mas viu na troca de ideias com Albert o futuro de seu reinado). Mas é nos ideais do amor romântico que ele efetivamente se encontra. A imagem das escrivaninhas frente a frente, como duas metades de um todo, não deixa dúvida disso.

Dá pra entender o fato do filme ignorar temas importantes do reinado de Vitória, como a política expansionista britânica e a Revolução Industrial, afinal, optou-se por um romance típico - e nos registros históricos existiram poucos como o da rainha e seu príncipe consorte. Como ela o escolheu para marido, considera-se que o casamento tenha sido o primeiro por amor já realizado na realeza.

Junte a isso os belos jardins palacianos, um "quem-é-quem" do cinema inglês, os figurinos que renderam mais um Oscar a Sandy Powell e a direção de arte e maquiagem (indicadas ao mesmo prêmio) e você tem um romance que preenche todos os melhores requisitos do gênero. Pra quê preocupar-se com expansões e revoluções quando você tem um amor ideal à sua disposição?

Saiba onde o filme está passando


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Comentários (5)

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sem avatar carlos (12/07/2010 11:57:06)   0 0
Acho que o Érico Borgo captou perfeitamente este 'aguadinho' filme de Vallée. Lamentável, pois havia achado C.R.A.Z.Y. muito bom!

Num comentário anterior alguém disse que o filme consegue transmitir as "condições de vida e bem estar social do povo inglês no sec XIX, e a arte da política entre a Realeza e o Parlamento" e fiquei pensando se isto teria sido no mesmo filme que assisti???

Aliás, onde está o povo neste filme??? Alguém viu?? Ah, por favor, o filme é um grande merengue... Nem Miranda Richardson salva este filme e atriz principal (Blunt) me pareceu inadequada ao papel!




RAFAEL RAFAEL (23/06/2010 11:55:11)   8 0
Emily Blunt é linda............



Tee Tee (19/06/2010 11:42:53)   2 0
Vou ver, só para saber se o Jackson esta certo ou não, pelo que acompanho as criticas do Érico B. acho que não, porem...



Jackson Jackson (19/06/2010 00:22:44)   0 0
A crítica e comentário acima, só enxergaram o que quiseram ver. O romance. E o filme não se reduz a isso. Lógico que o tema de fundo é este. Mas o crítico deveria saber que todo filme precisa de um porém atrativo para o público, e não somente deve estar consciente disso, como também deve superar o óbvio desta obrigação comercial que um filme possui, e se aprofundar no que a trama consegue dizer além. Só para constar, o filme toca nos assuntos que o crítico diz serem relegados pela trama. São alguns deles: as condições de vida e bem estar social do povo inglês no sec XIX, e a arte da política entre a Realeza e o Parlamento. Melhor crítica e melhores olhos da próxima vez.



Lívia Lívia (18/06/2010 11:03:37)   63 0
Baixei esse filme no começo do ano para ver com a minha avó que adora romances. É lindo. Não apenas pelos quesitos técnicos, que particularmente são impecáveis, mas pela história que atribui ao casamento da Rainha com o primo o fator por ela ter tido um reinado tão respeitado pelos ingleses.




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