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Crítica: Juno

Jason Reitman, Diablo Cody e Ellen Page fazem o filme independente do ano

Érico Borgo
21 de Fevereiro de 2008

Juno

Juno

Juno
EUA , 2007 - 96
Comédia / Drama

Direção:
Jason Reitman

Roteiro:
Diablo Cody

Elenco:
Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons

Excelente
Juno - 1
juno - 2

A história de Juno (2007) é simples: uma menina esperta acidentalmente engravida de seu melhor amigo, na única noite que passaram juntos. Ela decide entregar o bebê para adoção - e inicia uma convivência com o casal que vai adotá-lo enquanto segue com sua vida cotidiana, agora complicada pela barriga que cresce.

Diablo Cody, roteirista-sensação do momento, blogueira, ex-stripper, ex-operadora de tele-sexo, é dona de um estilo invejável. Os diálogos da menina Juno (Ellen Page) são espertíssimos, ácidos, com uma linguagem elaborada (que a legenda nacional destrói sem qualquer dó) e ao mesmo tempo inocente. Material excepcionamente bom, com um notável equilíbrio entre drama e comédia - e perfeito para o estilo do cineasta Jason Reitman, que havia mostrado as mesmas qualidades em sua estréia no cinema, no igualmente afiado Obrigado Por Fumar.

Juno é um filme de personagens. A história não tem grandes emoções ou surpresas (bom, tem uma) e nem tem a intenção de ser assim. A relação da personagem com o mundo é o que torna o filme memorável.

Obviamente, esse tipo de estrutura, que deixa a responsabilidade nos ombros dos protagonistas, exige um elenco à altura - e Reitman foi extremamente feliz na seleção do seu. Começando por Ellen Page (a Kitty Pryde de X-Men 3). A menina está simplesmente perfeita como Juno MacGuff, transformando aquelas linhas escritas por Cody em suas. E está em ótima companhia: J.K. Simmons (o J.J. Jameson de Homem-Aranha), Allison Janney (The West Wing), Michael Cera (Superbad), Jennifer Garner (Alias) e Jason Bateman (O Reino)... não há um só elo fraco na corrente e todos parecem partilhar do particular senso de humor da roteirista e do diretor. Sem falar em Olivia Thirlby, que vive a melhor amiga de Juno e dispara as melhores frases do filme.

Particularmente, acredito que o longa só erra ao fazer um juízo errado do "nerd moderno", representado ali por Mark (Bateman). Diablo Cody pode entender perfeitamente o universo feminino, mas faltou uma certa paciência com o pobre Mark - uma coisa que só entende quem, como ele, sofre com reclamações a respeito da pilha de gibis, o volume com que escuta Sonic Youth e precisa assistir ao seu "gorezinho" querido tarde da noite (sim, tomei as dores dele). Mas, novamente, é algo meramente particular, que não prejudica o todo.

Reitman acerta a mão também na trilha sonora - clássicos como Kinks e Buddy Holly dividem espaço com nomes alternativos da cena atual, como Belle & Sebastian e Cat Power, e tem até um Velvet Underground ali pro deleite dos fãs. Sinceramente, nunca imaginei que ouviria a voz de Maureen Tucker, que canta "I'm Sticking with You", na tela grande. A música, aliás, representa a direção da trilha. Tem um "quê" de canção de ninar - perfeito.

Sem exagero, Juno é o tipo de filme que eu gostaria de assistir toda semana. Sensível, honesto, inteligente e bacana como poucos. Um filme sobre comunicação, entendimento e escolhas. Uma nova pérola da cinematografia independente norte-americana, com uma pitada de esquisitice, um jovem herdeiro de Wes Anderson - e esse é o melhor elogio em que eu consigo pensar.

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Comentários (3)

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Gabriel Rodrigo Gabriel Rodrigo (01/07/2011 10:23:46)   -2 -2
Eu fiquei abismado que um filmeco desses ganhasse 5 ovos. Que coragem ein Borgo ?

Eu achei o filme ruim, principalmente pelas atuações do Próprio Michael Cera. Eu gostei da Ellen Page e da Jennifer Garner que conseguiram atuar positivamente e de forma sensacional, principalmente a Ellen.

Em relação ao filme, achei totalmente muito Vulgar, com palavreado muito inapropriado e muito desnecessário. Juno, demonstrou como não só o cinema Nacional é vulgar, o internacional também. Eu achei o filme muito ruim, sem gênero definido, pois não ri em nenhum momento e sem drama, exceto no final que tem uma pitada de drama.

Filme péssimo, 1 ovo


Vinicius Vinicius (12/10/2011 20:16:48)   63 0
Concordo plenamente e totalmente o mesmo pensamento q eu tive dps q eu assiste o filme eli a critica, eu tentei aguenta o maximo q eu pudi aquele palavriado, e cara sinceramente voces vem dizer na minha cara q esse filme ganhou o oscar de melhor roteiro? q palhaçada cara um filme desse foi um dos unicos q eu n consegui assistir todo aquela cena dos carinha correndo e o penis balançando foi o fim do filme pra mim. 1 ovo com todo a certeza desse mundo


Victor Victor (20/05/2011 00:29:13)   25 1
Confesso que custei a tomar coragem pra assistir este filme...

Tinha medo de que fosse algo teen, no mau sentido da palavra (vide Crepúsculo).

Mas, então... Que filme adorável! Sincero, sensível, bem humorado, com um time de atores afinado.

Concordo com o Borgo, a escritora pegou pesado com Mark, a mulher o sufocava demais o que dava pra perceber desde o início (ela deixou eu usar um pedacinho do sótão pra ser seu estúdio...), e ele fez a coisa decente em pular fora do navio antes que a coisa ficasse mais séria (com o bebê em casa) ou a mulher o levasse ao suicídio.

No mais, é um filme ótimo, como têm sido todos do filho do diretor de Caça-Fantasmas... Recomendo!




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