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Crítica: Marmaduke

Fox adapta mais uma clássica tira animal para as telas - desta vez, com mais lições de moral

Marcelo Hessel
03 de Junho de 2010

Marmaduke

Marmaduke

EUA , 2010 - 88 minutos
Infantil

Direção:
Tom Dey

Roteiro:
Tim Rasmussen, Vince Di Meglio

Regular
marmaduke
marmaduke

"Eu sei que é infantil, mas é tudo o que eu tenho", diz o dogue alemão para a câmera depois de soltar gases na cama dos seus donos. É com essa sinceridade meio resignada que Marmaduke - mais um filme da 20th Century Fox enlatado sob a fórmula de Garfield e Alvin e os Esquilos - se apresenta.

O bicho falante de computação gráfica da vez nasceu nas tiras de jornal do cartunista Brad Anderson em 1954. Cão de estimação da família Winslow, o robusto Marmaduke já apareceu também em episódios das animações Heathcliff e Garfield e seus Amigos - em comum, suas histórias sempre lidam com a desproporção do dogue alemão, a mais alta raça de cães do mundo.

No filme, essa inadequação motiva paralelos com as dores da adolescência. Marmaduke está se mudando do Kansas para a Califórnia porque seu dono ganhou um emprego na costa. A referência irônica a The O.C. logo no começo do filme não poderia ser mais adequada: assim como na série de TV, o protagonista se esforça para ser aceito na comunidade surfista, apesar das diferenças, e se apaixona pela cadela mais bonita da orla, namorada do atlético e popular rottweiler local.

O que se segue é uma típica história edificante, daquelas que ensinam que a família vem sempre em primeiro lugar e que é preciso aceitar quem somos. Como Marmaduke diz, isso é tudo o que ele tem a oferecer. A quantidade de close-ups quando o cão fala é cansativa (precisa mesmo filmá-lo sempre de frente para ressaltar o efeito visual antropomorfista?), mas, bem, pra compensar há um gato que fala com sotaque latino. Vamos com o que temos.

Em comparação, o longa de Tom Dey é mais tradicionalista, quase numa escola Disney de moral, do que Garfield ou Alvin e os Esquilos. Há menos concessões a modinhas (nada de bichos dançando "Single Ladies") e mais previsibilidade comportada (é incrível a quantidade de conflitos que se resolvem em porta de ambulância em Hollywood).

Se você acha que seu filho de seis, sete anos, já tem idade para aprender a lidar com rejeições de adolescente, Marmaduke está aí para ensinar.


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Comentários (9)

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Luiz Luiz (25/08/2010 19:56:44)   2 0
Este filme é simplesmente horrível! Se vc assistiu algum filme de animais falantes na sua vida tipo Babe o porquinho, Alvin, hotel bom pra cachorro, Como caes e gatos,etc, nem se dê ao trabalho de assistir esta porcaria porque é uma cópia mal feita de todos os que citei e não muda nada: historia, situações, etc... Pra ser sincero tem uma coisinha diferente, tem uma aborrecente americana enchendo o saco, e fazendo chatice e mimimi o filme todo (!!!!!). Se pelo menos esse cachorro tivesse dado umas boas mordidas nela, ainda valeria dar uma olhada... mas como isso não acontece é perca de tempo assistir essa coisa trash...



RAFAEL RAFAEL (09/06/2010 22:23:10)   8 0
Acredita que na minha cidade Marmaduke não entrou em cartaz.................



sem avatar Karen (07/06/2010 01:46:18)   0 0
Apenas uma correção: o cão grande e preto não é um rottweiler, e sim um beauceron, que de semelhança com um rott só tem a cor.



Paulo P. Paulo P. (04/06/2010 08:21:16)   1 0
eu lembro do desenho q passava na rede manchete nos anos 80, junto com o lorde gato (heatcliff)... q saudade! mas Infelizmente nao tenho nem paciencia pra ver se o filme é bom. Vou confiar na opiniao do Hessel. kkkkkkkkkkkkkkkkk

mas uma coisa me chamou a atençao...

mas nem nas tiras e muito menos no desenho marmaduke falava!

¬¬

ai ai ai



Rodrigo Rodrigo (03/06/2010 23:55:20)   39 0
Poxa, meu pai é fã do Marmaduke "clássico", e ficou empolgado quando contei que haveria um filme do mesmo à ele... imagino a decepção quando eu contar sobre a história da adaptação ao cinema...



Luiz Luiz (03/06/2010 23:47:44)   0 0
Queria saber como vcs definem quem assiste um filme desses!? É no palito, girando a garrafa, poker, esfregando o Hessel e fazendo um pedido ... Se fosse eu empurrava esse fardo para qualquer estágiário!!!



bomdiavermes bomdiavermes (03/06/2010 22:47:45)   -23 0
@xabdrelima: sabe qual é o problema? é tanta paranóia em influenciar a criançada hoje em dia que os produtores acabam ficando no água com açúcar.

quando eu era moleque, me divertia vendo o patolino explodir a própria cara com uma bomba nos desenhos, e quem criava os roteiros não estava nem aí se isso era violento demais para crianças, pois, como você mesmo citou, não subestimavam a inteligência das mesmas.

hoje, se uma arma de fogo aparece num desenho infantil, a associação de pais e mestres surtam achando que seus filhos vão virar terroristas, e um psicólogo de meia tigela já sai dizendo que "devemos proteger nossas crianças das más influências".



@xandrelima @xandrelima (03/06/2010 18:33:27)   -1 0
Não sei por que mas sempre tenho a esperança que este estilo de filmes vai mudar... Quando vi os cachorros dançando no trailer eu percebi que este sonho ainda está muito longe.

Spielberg tinha uma frase interessante (não lembro com as mesmas palavras) que dizia que o problema dos adultos era tratar as crianças acomo crianças e não como seres que possuem uma inteligência, sentimentos, necessidades e esperanças. Por isso filmes como E.T. e Goonies faziam tanto sucesso e marcavam gerações.

Me parece que hoje em dia tudo é muito bobo, colorido, bichos dançando, muita festa, muito família, muito "no final tudo dá certo". Mas a vida não é assim...

Tenho saudade do cinema infantil dos anos 80 não pela nostalgia, mas pelo conceito de ser criança.

Claro que uma criança vai gostar desses filmes, está na natureza dela se divertir, mas não é um filme que ela vai querer rever por décadas a frente e/ou que vai traze-la para casa se sentindo bem toda vez que lembrar do filme (como foi comigo quando vi Labirinto com minha mãe no cinema).



Marcio Marcio (03/06/2010 17:25:54)   1 0
Eu aposto que o restante da equipe deve se acabar de rir quando alguém tem que ver um filme desses.

Sobrou pro Hessel e ele foi até simpático.




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