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Crítica: O Bloco dos Desesperados

Filme alemão conta histórias paralelas de angústia para chorar a impessoalidade das metrópoles

Marcelo Hessel
23 de Outubro de 2009

O Bloco dos Desesperados

O Bloco dos Desesperados

Desperados on the Block
Alemanha , 2009 - 85
Drama

Direção:
Tomasz Emil Rudzik

Roteiro:
Tomasz Emil Rudzik

Elenco:
Patricia Moga, Andreas Heindel, Liu Lizhe, Helen Woigk, Johannes Silberschneider

Regular
bloco dos desesperados

O enorme edifício de apartamentos que serve de cenário a O Bloco dos Desesperados é sempre enquadrado do mesmo jeito pelo diretor Tomasz Emil Rudzik: com um ângulo que permite ver, ao fundo, as chaminés à la Chernobyl de uma usina em Munique. É uma marca visual que não nos permite esquecer: por ali a vida tem muito de maquinal, industrial.

Como também é a rotina dentro de um prédio daqueles, onde vidas só se cruzam nos segundos de elevador que separam um andar do outro. O filme alemão acompanha três histórias: de uma estudante romena de religião que desrespeita os dez mandamentos à procura de um sinal divino, de um rapaz surdo e mudo da Letônia que flerta com uma garota sem revelar sua condição, e de um jovem chinês que se apaixona pela adolescente alemã para quem dá aulas particulares de matemática.

Há em comum, em princípio, o fato de serem imigrantes, mas o preconceito só se faz notar nas cenas do chinês. O que os personagens dividem entre si mais agudamente é um sentimento de inadequação e de sufoco. E a rigidez da sociedade alemã provoca, vez ou outra, arroubos de liberdade (mesmo aqueles travestidos de pecados cristãos) - seja roubar uma bicicleta, comer jornal ou cortar uma árvore de outra pessoa.

A cena em que o letoniano vai a uma festa sem ouvir à música dançante pode fazer lembrar de outro filme constituído de subtramas cruzadas, Babel, mas o trabalho do polonês Rudzik é bastante inofensivo, se comparado à tendência ao choque de um Alejandro González Iñárritu. Na verdade, a origem de O Bloco dos Desesperados é autobiográfica. O diretor cresceu em um desses prédios gigantescos, e os personagens do filme se inspiram em memórias alheias reais.

Movido por essa emotividade, Rudzik constrói um painel irregular da realidade de uma metrópole impessoal. Das três histórias, a da menina romena é a mais interessante, porque não depende tanto de causalidades como a do chinês, nem é tão melodramática quanto a do letoniano, e também porque alcança um desfecho satisfatório, condizente com a iconografia que O Bloco dos Desesperados tentava construir desde o início, de uma cidade emparedada em concreto. Termina em um muro de Autobahn.

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