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Crítica: O Labirinto do Fauno

O labirinto do fauno

Mário "Fanaticc" Abbade
30 de Novembro de 2006

O Labirinto do Fauno

O Labirinto do Fauno

El Laberinto del Fauno
México/Espanha/EUA , 2006 - 112
Drama / Fantasia

Direção:
Guillermo del Toro

Roteiro:
Guillermo del Toro

Elenco:
Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Álex Angulo, Roger Casamajor, César Vea, Federico Luppi, Manolo Solo

Excelente
O Labirinto do Fauno
O Labirinto do Fauno
O Labirinto do Fauno
O Labirinto do Fauno

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006) é com certeza um dos melhores filmes do ano. O cineasta Guillermo Del Toro apresenta uma fábula sombria recheada de metáforas e alegorias. Além de ser puro entretenimento, o longa também é uma ótima refeição mental para os cinéfilos e amantes da literatura fantástica. É fácil encontrar referências a filmes como O Iluminado, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, O Mágico de Oz, Hellboy (do próprio Del Toro) e livros como Alice no País das Maravilhas e as fábulas de Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm.

O filme abre com uma pequena narração sobre uma princesa que abandonou seu reino subterrâneo para conhecer a realidade humana e as conseqüências de seu ato. Depois disso conhecemos Ofelia (Ivana Baquero), uma menina de 10 anos fascinada por livros de contos e fábulas com fadas. Ela está viajando junto com a sua mãe Carmen (Ariadne Gil) para o campo, onde vai encontrar seu padrasto, Vidal (Sergi Lopez). Ele é o capitão das forças fascistas do general Franco, que governa a Espanha em favor dos ricos e poderosos com a aprovação da Igreja Católica. Logo de cara percebemos que Vidal é um homem extremamente sádico e que maltrata Ofelia.

Aos redor de sua nova casa, a menina encontra um labirinto que leva a uma trilha subterrânea. Lá ela conhece o Fauno (o mímico Doug Jones), uma criatura metade humana, metade bode, que a convence de que ela é a princesa perdida do reino subterrâneo e que precisa realizar três tarefas para retornar para seu reino. Ao mesmo tempo em que Ofelia embarca nessa viagem repleta de fantasia, Vidal não poupa esforços e sadismo para exterminar os rebeldes que ameaçam o governo.

O mundo fantástico

Realidade e fantasia se completam em um verdadeiro banquete de cenas e personagens inesquecíveis. Visualmente, o filme é soberbo. A cor é extremamente carregada de um sombreado que transforma a narrativa em um livro antigo de fábulas.

Inteligentemente, Del Toro transporta seu argumento para o campo. Cercado de florestas, o público se sente confortável em aceitar que possa existir por ali um universo mítico. Envolvendo este universo estão as duras cercas do mundo real, característica que também marca o trabalho de outros diretores fantásticos, como Tim Burton e Terry Gilliam. O único ingrediente diferente no filme de Del Toro são os toques surrealistas herdados do cineasta espanhol Luis Buñuel, outro que utilizou sua obra para criticar os fascistas.

Esse universo onírico e gótico é a espinha dorsal do filme. Del Toro não delimita o que é fantasia ou realidade. Ele aponta caminhos e deixa que o público embarque na viagem de sua preferência. Mesmo na conclusão, Del Toro contrasta os dois mundos. O espectador tem a possibilidade de escolher baseado em suas crenças pessoais. Quem não acredita em fadas, lendas e mitologia não se sentirá enganado. Otimistas que ainda vêem esperança no mundo caótico em que vivemos ficarão satisfeitos. E essa dualidade fica evidente na personalidade de Ofelia. Ela mostra que talvez a melhor maneira de escapar da realidade seja criando um mundo de fantasia.

Del Toro correlaciona seus personagens fabulescos com os de carne e osso. Nas tarefas, Ofelia é obrigada a enfrentar criaturas horripilantes. Impossível não associá-las à brutalidade de Vidal. Por mais aterrorizantes que sejam as aparências dos seres, fica a impressão de que os humanos são os verdadeiros vilões.

Mundos contrastantes

Fica evidente a diferença entre o mundo de Ofelia e o de Vidal. Ela acredita em sonhos e fantasia, sentimentos e características vitais para o desenvolvimento do ser humano. Vidal é um produto de mundo rígido e fascista. Sua ideologia é baseada na violência. Del Toro aproveita para analisar psicologicamente como homens dessa natureza são resultado de uma relação agressiva e abusiva dos seus pais.

Mas o debate não é só social, mas também político. Vidal não consegue ver nos rebeldes uma ameaça. Para ele, é uma questão de tempo para que todos sejam eliminados. Em A Espinha do Diabo (2001), Del Toro já tinha utilizado crianças para apresentar temas políticos como pano de fundo - a mesma guerra civil espanhola. Os dois filmes se completam em significado. E a mensagem de Del Toro não é sobre a perda da inocência, mas sim de como temos que nos abarcar a ela para conseguirmos sobreviver emocionalmente.

O elemento humano por trás dos comentários e mensagens de Del Toro reforçam ainda mais suas idéias. Todo o elenco está excelente. Mas quem chama a atenção é Sergi Lopez. Impossível desviar o olhar da tela quando ele aparece. Ele cria um vilão completamente odiável e se torna o ser mais asqueroso e repugnante, mesmo rodeado pelas criaturas mais estranhas possível.

Del Toro realizou todo seu filme com uma equipe basicamente mexicana, mas sem dispensar a máquina hollywoodiana. Ele, Alejandro Gonzáles Iñárritu e Alfonso Cuarón (também produtor do filme) são exemplos de cineastas que nunca deixaram de imprimir sua marca autoral em suas produções, mesmo com as amarras dos grandes estúdios. Coincidentemente, ou não, todos os três são produtos de um povo que até hoje é tratado com desprezo pelos norte-americanos. O preconceito está longe de acabar, mas o talento e o sucesso dos três é a melhor resposta.



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Comentários (21)

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sem avatar Lucas (18/08/2012 05:25:53)   2 3
Sensacional,totalmente fora do cliché dos filmes de fantasia americanos com fotografia e efeitos perfeitos sem dúvida um dos melhores filmes de fantasia.



sem avatar leo (28/03/2012 22:13:31)   3 2
eu adorei esse filme. não é mais um conto de fadas bobinho.lembro q concorreu ao oscar mas nao lembro se ganhou. bom, se ganhou, concerteza mereceu!



Louva Deus Rules Louva Deus Rules (21/12/2011 15:31:06)   156 3
Acabei de assistir na warner, filme muito bom mesmo,mas eu daria 4 ovos, talvez por não ter entendido direito a mensagem do filme ou sei la o que...

4 ovos.:)



Diego Francisco Diego Francisco (06/12/2011 11:31:49)   901 1
Assisti ao filme hoje mesmo, é muito fantástico, um conto de fadas digno.

5 ovos.



Thyago Roberto Thyago Roberto (12/11/2011 01:40:24)   729 1
Me lembro quando vi esse filme no dia do meu aniversário, na estréia dele. Quase ninguém na sessão dele! Depois, veio o reconhecimento público e crítico!

Parabéns Del Toro por essa obra - prima!

5 ovos!



Lauro Lauro (04/10/2011 21:47:56)   98 1
Um filme perfeito! Contos de fada pra adultos!Uma obra de arte mesmo!
5 Ovos



Tiago Elias Tiago Elias (25/09/2011 08:41:21)   22 2
Cara, é simplesmente fenomenal. A primeira vez em que o assisti, vi na versão pirata. Quando saiu o DVD fui obrigado a comprá-lo. Del Toro é único. Sabe criar histórias e ambientes. Quem sabe um dia ele possa dirigir uma história minha?



DDanilo DDanilo (28/06/2011 22:27:37)   -133 1
Uma obra prima que por algum motivo que desconheço eu só assisti uma vez(??)!

Preciso mudar isso...



Mario Mario (17/06/2011 13:46:09)   61 1
Filme perfeito, a cena com o gago é a melhor do filme



Diego Calixto Diego Calixto (10/06/2011 17:05:14)   -10 0
Um conto de fadas para adultos... LINDO. SINISTRO.



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sem avatar Christian Ordoque (01/06/2011 02:57:19)   5 0
Labirinto do Fauno. Ah poisé e agora...Entre sim ou não... Sim. Uma fantasia meio mórbida me lembrou muito a estética do Tim Burton (para o bem e para o mal). Também tem pitadas de Alice,,, Sei lá. Gostei do final, triste e até um pouco previsível, mas não de todo. Pensando melhor, muita pólvora pra pouco Chimango. Nota 4,5.



edgar edgar (08/03/2011 15:46:27)   149 0
uma Obra de arte!

Guillermo del Toro faz uma fántasia cruel e realista,coma a maquiagem perfeita,roteiro,trilha,fotografia,e tudo mais o filme chega a perfeição...
sem dúvidas um dos melhores de 2006.
5 Ovos.



jonathas jonathas (28/02/2011 12:50:41)   15 0
Sem duvida o melhor filme de fantasia que já vi... atuações perfeitas... o fauno é algo completamente original assim como o homem palido... td é perfeito... falta filmes assim hoje em dia...



sem avatar Alexandre (29/11/2010 15:27:52)   0 0
Esse filme é uma obra de arte, realmente. Más, é também uma cacetada no pobre do espectador. Precisei dividi-lo em duas partes para poder digerir. Já ouvi alguém dizer que o Del Toro é doente. Em parte eu concordo. Ele não fez concessão, é uma escalada de dor e sofrimento, paralelamente a um clima fantástico, que anestesia. Quando a fantasia desmorona, fica a realidade dura, seca, amarga. Me senti como se tivesse tomado uma soco no nariz. Ótimo filme - o melhor do ano. Não sei quando terei coragem, ou mesmo se quero assisti-lo novamente.



sem avatar claudio antonio (17/10/2010 03:24:19)   0 0
Como professor tenho convivido com a realidade sociocultural de meus alunos de 5ª série. Assisti a Labirinto do fauno e não há nada nesse filme que os alunos já não tenham assistido em outros filmes, ou que não tenham convivido em casa ou em seus bairros de periferia tal como: violência doméstica, assassinatos, drogas, abuso entre outras situações.As crianças brasileiras hoje já entendem muito mais sobre tudo. Nossa imagem sobre o que é ser criança hoje,muitas vezes está defasada. Abraços a todos.



gisele gisele (22/09/2010 17:05:23)   2 0
finalmente concordo com os 5 ovos...o horror pela otica fantastica das crianças.



Yorick Brown Yorick Brown (14/09/2010 15:31:28)   0 0
Concordo. Não deixaria meu filho ver pelo menos até os 21 quando ele estivesse de cabeçinha beeeem formada, rs...

Agora, quanto ao filme em si, para o omelete descrevê-lo à altura precisaria criar uma classificação particular para este de 10 ovos para não correr o risco de compará-lo a outros filmes não tão bons que já tiraram 5 ovos.



sem avatar Lucas (06/07/2010 18:58:13)   0 0
Bem, se com criança você se refere a pessoas com menos de 13 anos, concordo em parte. Ele não deve ser caracterizado terror, não é essa a essência do filme. Outro ponto é que o delicado do filme não é o assunto ocultismo e sim o tema principal e as críticas. Essa é a parte mais dicícil do filme e esse filme é ótimo



Erik Erik (28/06/2010 03:02:03)   8 -1
Esse filme toca num assunto muito delicado que é os rituais ocultismo.

Eu não deixaria esse filme pra criaças verem de jeito algum, ele é muito pesado.

Deviam incluir a classificação "terror" para esse filme.

Só Drama/Fantasia ?




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