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Crítica: O Orfanato

Suspense com produção de Guillermo Del Toro tem seus momentos

Marcelo Hessel
06 de Março de 2007

O Orfanato

O Orfanato

El Orfanato
Espanha , 2007 - 100
Suspense

Direção:
Juan Antonio Bayona

Roteiro:
Sergio Sánchez

Elenco:
Belén Rueda, Roger Príncep, Fernando Cayo, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Geraldine Chaplin, Edgar Vivar

Bom
orfanato
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Com o reconhecimento mundial a O Labirinto do Fauno, filme indicado a seis Oscar, Guillermo Del Toro transformou seu nome em grife. De cineasta, passou a produtor requisitado, e a primeira coisa que aparece na tela no início do suspense espanhol O Orfanato é justamente a marca "Guillermo Del Toro apresenta".

No roteiro, escrito pelo espanhol Sergio Sánchez, Laura (Belén Rueda) assume o orfanato do título, onde passou parte da sua infância. Ali ela planeja, ao lado do noivo e do filho adotado, construir uma espécie de retiro para crianças com necessidades especiais. Quando era criança, Laura foi adotada e deixou para trás as amizades que conquistara no orfanato - o retorno se desenha, portanto, como uma espécie de acerto pessoal.

Os problemas começam quando o filho de Laura, Simón (Roger Príncep), arruma amigos imaginários. Certo dia, Laura, cansada das invenções de Simón, não lhe dá ouvidos sobre os tais amigos. O menino então desaparece. Laura entra em desespero - principalmente porque Simón, soropositivo, precisa tomar remédios diariamente para controlar o HIV. Passam-se meses e nada de notícias - resta à mãe investigar o sumiço sozinha, o que a leva a descobrir coisas escabrosas sobre o orfanato.

Em entrevistas, Del Toro se diz orgulhoso de ter produzido o filme com apenas 4,5 milhões de euros (6,5 milhões de dólares) e reitera o fato de que boa parte da equipe é de novatos: o montador e o diretor de fotografia são estreantes, assim como o diretor do filme, o catalão Juan Antonio Bayona. De fato, na tela, nem a inexperiência nem a falta de dinheiro transparecem - O Orfanato é, acima de tudo, um longa-metragem altamente profissional.

Mas, para estreantes, os envolvidos já estão afundados demais em convenções do gênero. O Orfanato abusa, em boa parte por causa do esquematismo do roteiro, de diversas situações que já vimos antes, e vimos muito: o retorno à casa mal-assombrada, o filho que vê fantasmas, os macabros desenhos infantis, o personagem mascarado que deve virar action-figure, o noivo cético que não acredita no que a mulher crê, etc. No papel, e em resumo, O Orfanato não tem muita originalidade - sequer reviravoltas surpreendentes, como em Os Outros, para citarmos um modelar suspense espanhol recente.

O que O Orfanato tem de bom - e que é uma qualidade difícil de traduzir em palavras - é approach, pegada, uma vontade de remediar com arrojo visual a clicheria do texto. É difícil saber até que ponto o dedo de Del Toro influencia aí, mas o fato é que o diretor Bayona arruma algumas soluções de câmera interessantes para situações que, em tese, já são bem manjadas.

Uma dessas soluções - uma bastante louvável, aliás - é a decisão de "guardar" os sustos. O Orfanato não é o típico suspense que fica passando vultos no fundo o tempo inteiro. Economizar sustos para um par de momentos-chave é uma boa maneira de, primeiro, não banalizar esses sustos, e, segundo, pegar o espectador realmente de surpresa.

A cena do pega-pega com os fantasmas é um exemplo do tato do diretor - Bayona roda-a toda em um único plano-sequência, e percebe-se ali, ainda que em gestação, um bom faro para o suspense. Já o momento do atropelo da velha é emblemático. Naquela hora, quando a música baixa e a sequência vinha em tom expositivo, o atropelo nos pega realmente de surpresa. E o fecho da cena, com o close-up no rosto desfigurado, é Del Toro puro.

O Orfanato tende a irritar quem já conhece de cor os cacoetes do gênero, mas entre um chavão e outro há alguma invenção.

P.S.: Uma curiosidade para fechar. O ator que interpreta o gordo especialista em paranormalidade é mesmo Edgar Vivar, mais conhecido como o Nhonho/Sr. Barriga do seriado do Chaves.



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