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Crítica: O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel

Um filme para a todos agradar

Marcelo Forlani
23 de Dezembro de 2001

O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel

O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring
EUA , 2001 - 178
Aventura / Fantasia

Direção:
Peter Jackson

Roteiro:
Peter Jackson, Frances Walsh, Philippa Boyens, Stephen Sinclair - baseado na obra de J.R.R. Tolkien

Elenco:
Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Billy Boyd, Liv Tyler, John Rhys-Davies, Dominic Monaghan, Miranda Otto, Brad Dourif, Orlando Bloom, Cate Blanchett, Karl Urban, Bernard Hill

Excelente
O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel

Muito já foi dito sobre O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel. Na verdade, tudo já foi dito! Basta procurar na Internet e achar críticas, notícias e fofocas a dar com pau. Na verdade, basta vasculhar aqui no Omelete mesmo para saber tudo é preciso para entrar no mundo criado por J.R.R. Tolkien. Mas afinal, o que há de tão especial assim neste filme&qt& Bom, ele foi concebido seguindo fiel, mas não cegamente, o livro homônimo, lançado em 1954. Este é o grande diferencial, por exemplo, em relação ao seu maior concorrente nos cinemas, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

O diretor Chris Columbus se limitou a fazer um filme certinho, seguindo parágrafo a parágrafo o texto de J.K. Rowling. Nenhum demérito nisso. Columbus deixou os fãs do menino bruxo felizes, os executivos sorrindo à toa com o sucesso obtido e garantiu o emprego para as seqüências da série.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, o até então semi-desconhecido Peter Jackson transformava em realidade o seu sonho de transportar a Terra-média para as telonas. A tarefa era ingrata e o fanatismo que envolve O Senhor dos Anéis meteria medo em muito diretor de prestígio em Hollywood. Num golpe que demonstra toda a audácia do projeto, Jackson conseguiu convencer os engravatados da New Line Cinema a abrirem os cofres. Com US$ 300 milhões nas mãos, ele conseguiu reunir um elenco sem estrelas de cachês exorbitantes, mas muito experiente e difícil de ser criticado. Usando sempre o argumento de que queria ser fanaticamente leal à obra, Jackson convenceu os atores (e também fãs) a filmar toda a trilogia de uma só tacada. Foram 15 meses (um filme normal leva em média 4 meses) na longínqua, porém riquíssima em cenários naturais Nova Zelândia, terra natal do diretor.

Os preparativos da Comitiva do Anel

Era a primeira vez que três filmes inteiros eram filmados sem um intervalo entre eles. (Antes disso, me lembro apenas de De Volta para o Futuro 2 e 3 e Matrix 2 e 3, que também usaram o mesmo recurso.) E esta idéia, apesar de beirar a insanidade (afinal atores geralmente carregam egos inflados), foi a mais acertada. Os personagens vão ganhando experiência de acordo com o andamento dos acontecimentos, o que acontece também com os atores. Isso sem contar as quantias que cada um deles pediria para repetir o papel. Vale lembrar que O Senhor dos Anéis só foi dividido em três partes (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) pela sua complexidade e riqueza de detalhes, pois trata-se, na verdade, de uma única história. É por isso que o diretor e todos os outros fãs aguardam ansiosamente o dia em que poderão passar o dia todo no cinema, assistindo à saga completa.

Para conseguir alcançar seus objetivos, Jackson se assegurou de escolher o que o mercado tinha de melhor seguindo dois requesitos: ser fã de Tolkien e estar dentro do orçamento, que apesar das monstrusas cifras deveria durar os três filmes. A escolha da WETA (a melhor empresa de efeitos da Nova Zelândia) ecoou do outro lado do oceano. Boatos dão conta de que George Lucas declarou que só a Industrial Light and Magic seria capaz de criar a Terra-média. Se o pai de Star Wars realmente falou isso, ele estava errado. Todos os detalhes descritos por Tolkien se tornaram realidade. Os verdes gramados do Condado com as tocas dos hobbits, as caminhadas até as belíssimas Valfenda e Lothlórien, as geladas e traiçoeiras Montanhas Sombrias, os gigantescos labirintos de Minas de Moria e tudo o mais foram recriados com perfeição. Transpor o imaginário das pessoas para a realidade das telas sempre foi um problema para as adaptações dos livros para o cinema ou TV. Por isso, a criação dos orcs era um dos grandes obstáculos para a equipe de produção. Cada pessoa fazia uma idéia diferente dos monstros. A saída encontrata não poderia ser melhor: não existem dois orcs iguais entre os mais de duzentos produzidos.

Para agüentar os 274 dias de filmagens, em que teriam que escalar montanhas, pular, correr e cavalgar, os atores passaram por um rigoroso treinamento físico. Para as lutas, foram contratados especialistas que criaram diferentes modos de combate para cada um dos povos (anões, hobbits, elfos, humanos, orcs, Uruk-Hai, magos e ents, que só aparecerão no próximo filme). O alto nível atingido é provado a cada nova batalha. No MTV Movie Awards de 2000, George Lucas falou que em 2002, o prêmio de melhor luta seria entregue a Samuel L. Jackson, um dos jedis de Star Wars Episódio II - A Guerra dos Clones. A disputa entre Saruman (Christopher Lee) e Gandalf (Ian McKellen) na Torre de Orthanc é estupenda e um baita complicador para que a promessa se torne real.

A longa jornada

Os atores tiveram até que aprender o élfico, linguagem dos elfos, para ajudar a contar a história de Frodo Bolseiro (Elijah Wood). O jovem hobbit recebe de seu primo e tutor Bilbo (Ian Holm) o Um Anel. O objeto foi criado por Sauron, um poderoso ser que quer governar o mundo. Ele foi derrotado há eras e agora ressurge para reaver o seu precioso. A missão de Frodo e seus amigos é destruir o Um Anel e, para isso, terão que andar até Mordor, onde Ele foi construído.

Além dos cenários e figurino perfeitos, o que mais se destaca é a trilha sonora. Não apenas as músicas que remetem ao clima da Terra-média e ajudam a criar o ambiente de tensão e batalhas, mas os sons criados para as aparições dos Cavaleiros Negros e, o que mais chamou atenção, a forma como é mostrada a visão de Frodo quando ele usa o Um Anel. (saiba mais sobre a trilha sonora aqui)

Segundo o próprio diretor, o projeto se tornou realidade porque cada membro do elenco trouxe sua interpretação individual ao papel. Há de se acrescentar que ele mesmo conseguiu um grau de satisfação entre os fãs e os até-então-não-fãs de Tolkien impensável até o momento. A única seqüência que de fato ficou mal explicada foi a parte em que o atrapalhado Pippin (Billy Boyd) e Merry (Dominic Monaghan) se juntam à jorrnada do primo Frodo Bolseiro e o fiel companheiro Sam Gangi (Sean Astin). De resto, todos os papéis se fortaleceram na telona. Aragorn (Viggo Mortensten), Legolas (Orlando Bloom), Gimli (John Rhys-Davies), Boromir (Sean Bean) e, principalmente, Arwen (Liv Tyler), demonstram um caráter mais apurado do que no livro. Jackson fez com que a apresentação de todos eles cativasse o público e criasse a expectativa dos filmes que estréiam nos próximos dois anos. A única que perdeu um pouco do seu poder foi Galadriel (Cate Blanchett). Culpa dos restritos 176 minutos de filme. Mas o tempo na Terra-média deve ser diferente da Terra atual. As três horas de A Sociedade do Anel parecem mais curtas que o normal. Longos serão os doze meses de espera para ver Duas Torres e eternos os dois anos até O Retorno do Rei.


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Comentários (11)

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sem avatar Paulo (02/01/2012 11:10:56)   0 0
A saga é completa. Tem ação, aventura, drama, suspense, terror, comédia e passa uma "senhora" lição de vida... mostra os conflitos internos que qualquer pessoa pode ter algum dia ou mesmo durante toda a sua vida, mostra como devemos ter esperança mesmo quando não há nenhuma e que os laços de amizade são para sempre. Quem quer procurar defeitos no história só quer realmente atrair a atenção do filme para si mesmo.



francisco egidio francisco egidio (02/01/2012 10:16:21)   16 0
Um dos melhores se não o melhor filme que eu já assisti,tudo nele foi bem produzido a arte,as imagens,os personagens,tudo é apaixonante.O filme para guardar para a história do cinema e nem acredito que já fazem dez anos,incrível pois para mim parece recente,coisa de quatro anos ou menos que fiquei a admirar esse trabalho.
Ps:Eu não li os livros,e descobrir essa linda história pelo cinema e que venha o Hoobit....



Roncaratti Roncaratti (02/01/2012 00:01:19)   5 0
Uma palavra para definira primeira parte deste épico: INSUPERÁVEL.




Luís Luís (01/01/2012 21:47:25)   -6 0
Háh !! Boa lembrança !! Caramba, faz tanto tempo assim? Parece que foi ontem...
Acho que eu tinha ficado em São Paulo só pra assistir esse filme...




Marcelo Marcelo (01/01/2012 15:59:09)   13 0
10 anos, nossa, como o tempo voa!
Me lembro que a reçem havia começado a trabalhar (como estagiario) na sala de imprensa do sindicato (onde estou até hoje. Era o inicio do ano de 2002 e começou bastante quente, mesmo assim, levei a minha mãe para assistir, no saudoso cine Imperial de Porto Alegre, infelismente desativado (bons tempos das salas de rua).
A sessão foi inesquecivel e gostinho de querer mais era inevitavel. Por pelo menos três anos, tinhamos a maior certeza que no final de cada ano teriamos uma experiencia unica numa sala de cinema, coisa que está fazendo falta nos ultimos anos, mas isso irá retornar, por pelo menos dois anos com O Hobbit.



Luis Luis (01/01/2012 15:11:46)   1 0
O Senhor dos Anéis é uma excelente história. Peter Jakcson realizou uma obra de arte com a adaptação para o cinema. Não li os livros do Tolkien, mas creio que ainda irei ler. Excelente crítica sobre o filme. O Omelete é um dos melhores portais de pop culture que conheço. Excelente trabalho.



Carlos Alberto Carlos Alberto (21/04/2011 16:21:48)   924 1
O filme é perfeito!

O início impecável da melhor trilogia de todos os tempos...

Peter Jackson gravou o seu nome na história do cinema mundial dirigindo brilhantemente os três filmes!



Carlos Carlos (06/04/2011 17:47:45)   128 1
Lá se vão dez anos da grande magia cinematográfica. Já nasceu clássico.



edgar edgar (08/03/2011 15:52:02)   105 0
O Inicio do épico.



sem avatar Mikhael (05/12/2010 16:21:06)   1 0
Com toda certeza uma das melhores trilogias já feitas



Guilherme Guilherme (10/09/2010 12:23:21)   10 0
Consegui voltar no tempo e ser o primeiro a comentar =)

Simplesmente a melhor trilogia do cinema.
Parabéns Forlani, baita crítica.




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