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Crítica: O Senhor dos Anéis: As duas torres

Novo paradigma tecnológico

Marcelo Hessel
20 de Dezembro de 2002

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

The Lord of the Rings: The Two Towers
EUA , 2002 - 179
Aventura / Fantasia

Direção:
Peter Jackson

Roteiro:
Peter Jackson, Frances Walsh, Philippa Boyens, Stephen Sinclair - baseado na obra de J.R.R. Tolkien

Elenco:
Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Billy Boyd, Liv Tyler, John Rhys-Davies, Dominic Monaghan, Christopher Lee, Miranda Otto, Brad Dourif, Orlando Bloom, Cate Blanchett, Karl Urban

Ótimo
O Senhor dos Aneis: As Duas Torres
O Senhor dos Aneis: As Duas Torres
O Senhor dos Aneis: As Duas Torres

A tentação de mergulhar nos três livros de Tolkien veio juntamente com o primeiro filme. Eles estavam ali, enfileirados na prateleira. Seria fácil matar a curiosidade e atravessar os dois capítulos restantes. Mas o resultado cinematográfico de A Sociedade do Anel foi tão agradável que decidi resistir. O meu lado espectador, ao contrário do crítico, achou que seria melhor acompanhar As duas torres e O retorno do rei na telona com o máximo de surpresas e de descobertas.

O Eu Espectador aprovou As duas torres, babou e tudo mais. Então, entra agora o Eu Crítico. E como fica difícil avaliar as escolhas de Peter Jackson na adaptação do roteiro, a análise fica fechada a aspectos narrativos e técnicos. Primeiramente, mais do que A Sociedade do Anel, a continuação é um filme de catarse. Tem o mérito de apresentar grandes imagens e ótimos momentos de ação.

Como um todo, porém, o primeiro episódio era melhor, mais bem amarrado narrativamente. Jackson agora entra com o jogo ganho, pois o sucesso de As duas torres deve-se muito à expectativa criada e à força das personagens - força essa construída na primeira película. Aqui, a fragmentação em três núcleos (Frodo/Sam/Gollum - Merry/Pippin/Ents - Aragorn/Legolas/Gimli) possibilita um espetáculo que encanta os olhos de verdade, o clímax do filme dividido em três batalhas simultâneas, mas tira um pouco da tensão encontrada durante a Sociedade. Falta um pouco dessa tensão no miolo do segundo filme.

À parte, fica a sensação de que o flashback envolvendo Arwen (Liv Tyler) e Aragorn (Viggo Mortensen) é um excesso dispensável. A explicação de Jackson para a entrada dos Elfos na guerra poderia se resumir à participação de Galadriel. Aliás, o excerto da Senhora de Lothlórien, como uma espécie de narradora imparcial que coloca ordem na trama, chega numa hora adequada do filme. Outro aspecto a destacar (perceba que levanto aqui as imperfeições mais aparentes e as diferenças em relação ao primeiro filme, mesmo porque seria redundante falar das qualidades, que transbordam aos montes), a forma como o diretor delimita a sua adaptação. Coloque-se no lugar do espectador médio, que desconhece o mito de Tolkien e se interessa apenas por alguns minutos de diversão. Muita gente deixou Sociedade reclamando que o filme não tinha fim. Pior do que isso, o Bem não vencia, a Sociedade era desfeita. Em relação ao episódio intermediário, uma vitória na guerra substitui a falta de um gancho emotivo. Resta saber o que o público preferirá: um clímax tenso como aquela desesperança do primeiro filme, ou um clímax bélico que não apresenta evoluções consideráveis no lado dramático.

Pronto. Agora, de certa maneira, esqueça todos esses detalhes narrativos. Na verdade, eles soam como acessórios, diante da excelência técnica. A aula de inovações, de computação gráfica, cobre com folga qualquer deslize narrativo. E, sob este aspecto, não faço correções. Simplesmente, não há como fugir do lugar-comum de exaltar o trabalho de Jackson e sua equipe, levantá-lo ao status de paradigma tecnológico. Gollum (Andy Serkis) é a melhor personagem desenvolvida digitalmente até hoje. As batalhas são as mais grandiosas. As paisagens são as mais belas.

E, ao contrário da megalomania de George Lucas, Jackson faz isso em película, com a devida parcimônia, com total noção de equilíbrio artístico e, principalmente, sem desrespeitar seu elenco de carne-e-osso. Repare na cena em que Legolas (Orlando Bloom) sobe no cavalo com uma pirueta, durante o confronto com os Wargs. Aquilo é um exemplo de tecnologia a serviço da estética, sem exageros. Compare com qualquer seqüência de Episódio II e confira a diferença.

Enfim, talvez o avanço tecnológico seja a maior contribuição de As duas torres para o cinema. Por mais que A Sociedade do Anel seja mais completo.


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Comentários (3)

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Wendell Wendell (03/02/2012 15:00:47)   136 0
Tb acho melhor que a sociedade que tb é impecável.



Lucas Lucas (25/11/2011 12:57:55)   558 0
Eu também acho As Duas Torres melhor que o primeiro, na verdade As Duas Torres é o meu favorito de toda essa trilogia épica ! Acho melhor mesmo até que O Retorno do Rei !

5 ovos da galinha que bota ovos de ouro!



edgar edgar (12/04/2011 21:57:29)   105 0
Sensacional!!!
eu acho As Duas Torres melhor que A Sociedade do Anel...
As Batalhas estão épicas,Gollum melhor que nunca,épico,épico,épico...
5 Ovos.




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