Crítica: Onde Vivem os Monstros

Uma discussão sensível, verborrágica e um tanto depressiva sobre a infância

Érico Borgo
14 de Janeiro de 2010

Onde Vivem os Monstros

Onde Vivem os Monstros

Where The Wild Things Are
EUA , 2009 - 101
Drama / Fantasia

Direção:
Spike Jonze

Roteiro:
Spike Jonze, Dave Eggers, Maurice Sendak

Elenco:
Max Records, James Gandolfini, Catherine Keener, Paul Dano, Catherine O'Hara, Forest Whitaker, Michael Berry Jr., Chris Cooper, Lauren Ambrose

Bom
Onde Vivem os Monstros
Onde Vivem os Monstros
Onde Vivem os Monstros

Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are), o livro de Maurice Sendak, é pra ler em dois minutos. Na obra de 1963, econômica no texto e com ilustrações de página inteira, o menino Max, é mandado pro quarto depois de fazer malcriações. Na cama, sem jantar, ele começa a imaginar um mundo onde pode reinar em paz. Até perceber, porém, a "vontade de estar em algum lugar onde alguém gostasse dele de verdade".

A concisão de Sendak torna-se, nas mãos de Spike Jonze (Adaptação), uma discussão sensível, verborrágica e um tanto depressiva sobre a infância e amadurecimento.

A adaptação do próprio diretor, ao lado do romancista Dave Eggers, busca significados e extrapola cada página do livro. Razões para a rebeldia juvenil de Max (Max Records) são criadas, assim como paralelos entre o mundo real e a terra dos monstros. Cada criatura ganha personalidade bem definida - manifestações das facetas do próprio Max, comuns à maioria das crianças - e intérpretes à altura.

Carol, vivido por James Gandolfini (A Família Soprano), é o principal deles. Representa a confusão egocêntrica e impetuosidade de Max e, não por acaso, torna-se o favorito do menino. A jornada é fruto justamente desses sentimentos. Gandolfini é o maior trunfo de Onde Vivem os Monstros e a cena em que Carol carrega Max nas costas um retrato do próprio filme. A voz anasalada, em que fragilidade, angústia e poder caminham juntos o tempo todo, é Tony Soprano pura.

Ao lado de Gandolfini estão Paul Dano (o bode carente Alexander), Catherine O'Hara (a agressiva Judith), Forest Whitaker (o amável e criativo Ira), Michael Berry Jr. (o contemplativo e melancólico Touro) e Chris Cooper (o solícito e companheiro Douglas). Completa o elenco Lauren Ambrose (a Claire de A Sete Palmos) como KW, o único sentimento externo à Max - o materno.

As relações funcionam de maneira excepcional. Cada diálogo entre os habitantes da ilha, uma tentativa infantil de compreender mudanças. Como o livro, Onde Vivem os Monstros é uma metáfora de crescimento interessante.

Enquanto fica nesse campo das sugestões, o filme é ótimo. O roteiro, porém, tem problemas. Talvez acreditando que ele funcionaria para crianças (não funciona, é adulto demais), Jonze parece ter sentido necessidade de explicar demais certos aspectos. Pegue a cena em que Max inventa à mãe a deprimente história do vampiro que mordeu um prédio, por exemplo. Serve como desnecessária introdução à criatividade do menino, algo que já estava claro apenas observando seu quarto, suas brincadeiras. Sendak precisou apenas de uma ilustração para mostrar isso. Jonze, verborrágico, lança mão de minutos de película.

Ao menos acompanha esse falatório constante uma direção de fotografia inspirada. Lance Acord repete a parceria de Quero Ser John Malkovich e Adaptação com Jonze, dando uma poética qualidade de filme independente ao longa de grande estúdio. Já a alardeada trilha sonora de Karen O., ex-namorada do cineasta e vocalista do Yeah Yeah Yeahs, ainda que excelente pra ouvir como álbum, é um pouco opressiva durante o filme. Funciona muito melhor durante as (poucas) cenas de ação - como a da "bagunça geral" e a guerra de bolas de lama - do que sobrepondo-se aos diálogos. É informação demais.

Enfim, é um filme esquisito. Infantil indie norte-americano pra adultos feito por um estúdio major, a Warner Bros. E vale lembrar que Jonze precisou de um ano a mais - e mais dinheiro - para terminá-lo depois que os produtores pediram a ele que equilibrasse melhor sua visão como cineasta e as necessidade de mercado, algo que oferecesse entretenimento ao grande público. Será que as explicações desnecessárias partiram dessa demanda? Ou o filme era simplesmente esquisito demais? A resposta deve se perder na história do cinema, já que o corte anterior não deve ver a luz do dia. Só o que se sabe mesmo é que, goste ou não, os monstros agora vivem também nas telas.

Omelete entrevista: Max Records e Catherine Keener
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Comentários (23)

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sem avatar Charlie (11/05/2014 17:13:20)   0 0
eu realmente, gostei muito do film. Ele é bem pesado para uma criança, assisti ele quando eu tinha 13 anos, eu adorei o filme. Captei de primeira o que o filme queria passar e me senti..como posso dizer, melancolico. Ele é bem sentimental e tals. Assisti ele hoje de novo, e adorei de novo. Apesar de ser meio estranho, é bem sentimental, e quando assisti pela primeira vez fiquei meio estranho.



R@finha VERDÃO Rises R@finha VERDÃO Rises (11/01/2014 12:41:58)   705 0
Gostei! Não achei estranho, nem esquisito...



sem avatar Ricardo (31/01/2012 13:25:39)   0 0
O filme é bastante sensível... Tem que se ver com sentimento. Nem todas as pessoas tiveram uma infância melancólica como Max. Mas mesmo assim o filme funciona mostrando as atitudes de fronte ao medo e às incertezas. Eu tive uma infância melancólica como Max, vi o filme com muito sentimento e me tocou. Entretanto, não é para qualquer dia e nem para qualquer pessoa.



Lucas Lucas (07/12/2011 15:41:37)   -8 0
Como é de se esperar, achei o filme estranho, bem esquisito mesmo; Mas achei acima de tudo muito bom, e fácil de se entender. É um daqueles filmes para se ver em dias nublados, com a família. Lembrar-se da infância. Gostei muito realmente, e conheci o diretor neste filme


sem avatar giovanna (02/02/2012 23:36:51)   6 0
Com certeza nao e' filme para família(muito adulto e com reflexões muito pesadas para uma criança )se seu filho viu e e entendeu ele deve ter uma infância muito perturbada



sem avatar Aroldo (05/10/2011 10:59:59)   0 0
É um excelente filme. O diálogo muitas vezes básico deve ser preenchido com as expectativas de cada um sobre sua propria infância. O filme é como a vida, e se assusta e causa estanheza é porque a vida também é assim. Acho que o filme é mais para adultos que se esqueceram dos sentimentos da infância.



sem avatar Carlos André (02/07/2011 02:18:02)   1 1
Há adultos inócuos
que foram
crianças mal resolvidas
E há crianças selvagens
que serão
adultos bem resolvidos
Qual desses você foi
ou
quer ser?



Diego Diego (24/06/2011 09:35:27)   11 -2
Achei esse filme ridiculo. . . . .

Quem liga pro sentimentos desse mulequinho mimado querendo atenção.

Vai pra frente do video-game e pronto.


sem avatar vagner (02/10/2012 23:43:39)   40 0
Ué!!! Então por que assistiu? ¬¬
O filme é sobre o garoto e não quer saber sobre ele!


sem avatar renata (20/12/2010 12:09:39)   1 1
É um filme muito legal.

Deve ser assitido com um olhar pedagogico sobre os sentimentos das crianças.
Acho que todos os pais deveriam assistir. (Dê preferencias, com as crianças)



sem avatar giovanna (02/02/2012 23:38:03)   6 0
Uma criança que visse esse filme só ia ter duas reações ou nao entender nada ou ficar realmente perturbada


Vinicius Vinicius (30/08/2010 05:49:50)   1 1
Jonze é Jonze.



natalia natalia (22/07/2010 23:44:49)   1 1

O filme mostrou extamente como me senti quando crianca, na mesma situacao! Que pena que nao foi rodado ha uns 15 anos atras, terias sido bom ve-lo naquela epoca... Nao achei "depressivo" ou "pesado", pois muitas criancas ja se sentiram como Max.Elas precisam aprender a lidar com suas frustracoes,'e algo importante na vida. E acho que o filme transmite bem isso...
Cativante!



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sem avatar gabriel (10/06/2010 18:31:29)   -2 -2
fime ridiculo



Ana Ana (08/06/2010 17:47:25)   7 1
um filme lindo, esquisito, pode ser.. mas lindo. superou as minhas expectativas..



Fabio Fabio (07/06/2010 01:47:36)   0 0
Não gostei. Sei lá pq, além de ser esquisito, acho que não consegui pegar as mensagens. Achei até bem ruim



sem avatar João (06/06/2010 10:09:37)   1 1
Pelo que li na critica em nenhum momento se fala que não teve nexo o filme, muito pelo contrário acho que se percebe muito bem que a ilha onde vivem os monstros foi inventada pelo Max, e que cada monstro era na verdade uma parte dele, que cada um representava algum sentimento dele. Mas discordando do Érico talvez fosse realmente necessária explicações para a compreensão do filme, como ficou claro no outro comentário. Realmente pensei também que fosse um filme infantil, mas muito pelo contrário achei pesado demais para um criança assistir, embora seja realmente genial.



RODRIGO RODRIGO (06/05/2010 01:17:09)   -27 0
nao gostei concordo plenamente com a critica o filme ficou sem nexo mesmo sendo uma fantasia pode se tornar um classico daqui ha 20 ou 25 anos!!!!



Tee Tee (05/05/2010 23:45:43)   0 1
acabei de ver, é realmente é um filme estranho, mais geral gostei, mais preciso ver de novo




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