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Crítica: Procurando Elly

Filme de iranianos supostamente modernos vira furiosa DR coletiva à moda Festa de Família

Marcelo Hessel
31 de Dezembro de 2009

Procurando Elly

Procurando Elly

Darbareye Elly
Irã , 2009 - 119
Drama

Direção:
Asghar Farhadi

Roteiro:
Asghar Farhadi e Azad Jafarian

Elenco:
Golshifteh Farahani, Shahab Hosseini, Taraneh Alidoosti, Merila Zare'i, Mani Haghighi, Peyman Moaadi, Ra'na Azadivar, Ahmad Mehranfar, Saber Abbar

Ótimo
procurando elly

Procurando Elly (Darbareye Elly, 2009) começa em movimento, carros atravessando um túnel, gente com as cabeças fora das janelas gritando ao vento. Não é um filme ostensivamente de simbolismos, mas o início se faz entender bem: vamos acompanhar iranianos que estão num momento de passagem, de transição, fazendo-se ouvir.

São famílias da capital Teerã que, como todo mundo, resolvem passar uns dias na praia, numa mesma casa, ao norte, às margens do Cáspio. Organizadora do veraneio, Sepideh (Golshifteh Farahani) inventa de bancar a cupido sem avisar ninguém: leva consigo uma amiga, Elly (Taraneh Alidoosti), pensando em arrumar-lhe um noivo. Mas tudo dá errado, Elly fica intimidada, some, e os erros se congestionam a partir daí.

Os iranianos do filme do diretor Asghar Farhadi não combinam com a imagem fundamentalista que se faz do país. Há marcas de cosmopolitismo por todos os lados: os carros franceses, o celular sempre à mão, a falta de jeito para os passos da dança típica. A própria premissa, que também envolve o pretenso noivo, um jovem que morava na Alemanha e retornou ao país, atrás de uma nova esposa, em si já sinaliza que estamos diante de pessoas senão abertos ao menos habituados à modernidade.

A trama, porém, se desenrola a provar que há costumes e dogmas na sociedade iraniana que, arraigados, são difíceis de superar - e saltam imediatamente nos momentos de conflito. Procurando Elly não é um filme estranho para quem conhece bem o espírito de violentas DRs coletivas como Festa de Família e similares: todos falam o que ninguém quer ouvir, maridos e esposas antes em paz podem acabar na porrada, e daí por diante, com o agravante das questões de honra que envolvem as mulheres nas teocracias islâmicas.

Premiado em Berlim pela direção do longa, Farhadi segura bem as rédeas desse tipo de trama, que tende ao descontrole. Com outra cena simbólica no final, delimita com metáforas, como se fossem dois porta-livros, o carro no túnel e o carro na praia, um filme cujo miolo está mais para a discussão sem meias palavras.

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