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Crítica: Salve Geral

Ataques do PCC em maio de 2006 viram o filme que vai tentar vaga no Oscar 2010

Marcelo Forlani
01 de Outubro de 2009

Salve Geral

Salve Geral

Salve Geral
Brasil , 2009 - 119
Drama

Direção:
Sergio Rezende

Roteiro:
Sergio Rezende e Patrícia Andrade

Elenco:
Andrea Beltrão, Lee Thalor, Denise Weinberg, Bruno Perillo

Regular
Salve Geral
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Salve Geral

O Dia das Mães de 2006 foi emblemático para os paulistanos. Postos policiais e caixas automáticos foram atacados, ônibus incendiados. Quem mais sofreu foi a Polícia, que foi covardemente atacada em retaliação à transferência surpresa de vários líderes do PCC para o interior do estado. Mas o caos e o medo entre a população foram generalizados e não se limitaram apenas ao domingo. A segunda-feira, dia útil de trabalho, teve o comércio fechando suas portas, trânsito recorde no meio da tarde e um pânico que se espalhou viralmente entre toda a população.

Salve Geral (2009), o filme brasileiro que vai tentar uma vaga no Oscar 2010, ficcionaliza os fatos que levaram aos ataques daquele domingo, quando São Paulo parou. Os eventos são vistos sob o ponto de vista de Lúcia (Andrea Beltrão), uma professora de piano que cai de classe social depois da morte do marido e acaba se mudando para uma casa menor na periferia. Seu filho (Lee Thalor), fanático por velocidade, está indignado com tudo aquilo e quando sai à noite com seus amigos acaba se envolvendo em um acidente que termina em morte.

Preso em flagrante, o jovem é rapidamente jogado em uma prisão que não tem espaço, higiene ou qualquer outro tipo de condições de convivência. Na marra, aprende os bons modos e após algum tempo por lá vê o comando do local passar para as mãos do "Partido", que tem regras claras e punições ainda mais explícitas: quem não cumprir, "sobe" - gíria utilizada o tempo todo para denotar a morte de alguém.

Do lado de fora, Lúcia continua sua cruzada para tirar o filho dali o mais rápido possível. Chega até a vender o seu piano para tentar contratar um advogado melhor. Mas em uma das visitas ao presídio ela conhece a Ruiva (Denise Weinberg), exemplo de advogada de porta de cadeia, de quem recebe o "ensinamento" de que "um bom advogado não é tão eficiente quanto um mau juiz". E mostrando que todo mundo tem seu preço, em questão de minutos, Lúcia está realizando trabalhos para o Partido.

Se a ideia era humanizar o filme colocando uma pessoa comum como protagonista, dando a entender que aquela história poderia acontecer comigo ou com você, o plano naufraga no momento em que Lúcia se apaixona pelo Professor (Bruno Perillo), um dos lideres do PCC, que estava no presídio de Presidente Venceslau. Tudo bem que ele era o "Brad Pitt dos presos" e lia mais que Platão em dia de chuva, mas esse caso estilo Simony não aconteceria comigo e dificilmente com você também.

Fora isso, o roteiro é cheio de frases de efeito sendo declamados como se estivéssemos todos no teatro. Falta a naturalidade das ruas. O pior caso é do "hacker" HD, que fica metendo palavras em inglês no meio das frases, sem fazer o menor sentido, right? Wrong! Salve Geral tinha os elementos necessários para mostrar que os bandidos têm um sistema de tráfego de informações melhor do que a polícia; que o suborno, a corrupção e o "jeitinho" estão embrenhados em todas as classes; e que o comando do Brasil está nas mãos dos bandidos. Mas não conseguiu. E ainda deixou no ar a questão: é esse o melhor filme brasileiro do ano? Espero sinceramente que não.

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