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Um Lugar Qualquer | Crítica

Sofia Coppola volta às situações de Encontros e Desencontros testando um outro olhar

Marcelo Hessel
27 de Janeiro de 2011

Somewhere

Somewhere

EUA , 2010 - 98 minutos
Comédia / Drama

Direção:
Sofia Coppola

Roteiro:
Sofia Coppola

Elenco:
Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Karissa Shannon, Kristina Shannon, Laura Chiatti, Michelle Monaghan

Bom
somewhere
somewhere
sofia coppola

Seria muito fácil dizer que a comédia dramática Um Lugar Qualquer (Somewhere), o quarto filme de Sofia Coppola, marca a volta da diretora ao terreno seguro de Encontros e Desencontros, depois dos riscos de Maria Antonieta. São muitas as semelhanças entre os dois filmes, é evidente, mas há também uma mudança no olhar.

O ator de filmes de ação Johnny Marco (Stephen Dorff), assim como Bill Murray em Encontros e Desencontros, fez check-in no purgatório da fama e não tem previsão para sair. É a companhia de uma loira delicada - desta vez, em relação literalmente paternal - que oferece ao personagem um senso de autenticidade. Ao lado de sua filha Cleo (Elle Fanning) em alguns dias em Hollywood e na Itália, Johnny desperta das miragens.

Em Encontros e Desencontros, a câmera seguia Bill Murray e Scarlett Johansson a meia distância, em enquadramentos duros, frontais, um pouco à Wes Anderson, para aumentar a sensação cômica de deslocamento dos dois em Tóquio. Já a câmera de Somewhere tenta ser mais sutil (fica à diagonal, invisível, quando retrata os entornos) e ao mesmo tempo mais urgente (os close-ups em Dorff são constantes, às vezes com câmera na mão).

Com essa mudança de aproximação, Sofia Coppola procura entender o seu protagonista melhor. "Quem é Johnny Marco?", pergunta ao ator um jornalista em uma coletiva de imprensa. O mundo ilusório para nós está claro desde o momento em que a dançarina de pole dancing se multiplica como uma vertigem, mas seria Johnny Marco também um delírio? Em dois planos - a cena da coletiva e do molde na cabeça - a câmera se aproxima de Dorff com um zoom-in lento. É como se o personagem exigisse cuidado no toque, para não desintegrar à nossa frente.

Se Johnny Marco exige cuidado, se pede um olhar atento, é porque talvez seja não uma pessoa fora de lugar, mas uma pessoa que, como a conhecemos, só pode existir naquele único lugar (o gesso no braço é uma grande sacada, como se tudo em Johnny Marco fosse transitório, com exceção da tatuagem com o nome da filha). A questão essencial em Somewhere, assim como em Encontros e Desencontros, não é a inadequação, e sim a adequação: de que precisamos para ser completos onde estamos?

Enxergar que existe uma parcela de verdade dentro de um cenário hollywoodiano de aparências - o violeiro do hotel, os games que não escondem ser uma imitação da realidade - é o grande passo que Sofia Coppola dá aqui. A essa altura da carreira, negar que a vida se faz de máscaras, ademais, seria um retrocesso. Assim como fez o zoom-in antes, a câmera executa o zoom-out na cena em que Johnny e Cleo estão estirados à beira da piscina do hotel Château Marmont. O movimento abre o quadro e nos revela o entorno, e ali os dois parecem desfrutar a plenitude. A câmera se afasta para eternizar o momento.

A especialidade de Sofia é pensar sempre esses instantes singelos que seriam perfeitos para encerrar um filme. Mas Somewhere não termina ali, à beira da piscina. O final acontece bem depois, e é uma decepção. Não só por ser um desfecho de uma ingenuidade tremenda, mas especialmente por tirar de Johnny Marco tudo aquilo que, a nós, o tornava real.

Entrevista | Stephen Dorff
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Um Lugar Qualquer | Cinemas e horários


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Comentários (19)

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sem avatar Nawaki kenshin (19/01/2012 00:32:47)   0 0
O filme ja começou há quinze minutos e a sensação que eu tenho é de que não vai me levar a lugar nenhum!
Neste momento por exemplo, uma cena de sexo no escuro...



Saulo Victor Saulo Victor (26/06/2011 09:50:05)   39 1
Não acho que o filme caiu em qualidade por ter mudado o personagem, o filme é sobre isso: adequação e redenção.

SPOILER------------------

Johnny Marco começa o filme dando voltas e voltas. Uma metáfora à sua própria vida, que embora ele seja tão conhecido e importante, ele se sente sem rumo. Não vê significado para tudo aquilo. Quando se aproxima de Cléo, ele começa a desfrutar da plenitude (cena retratada na piscina) e percebe um significado para sua vida. Cléo lhe deu uma direção, por isso no final, o carro anda, mas em 1 direção. Ele finalmente está indo para ALGUM LUGAR.

Fato que se o filme tivesse terminado na piscina, teríamos tido a rendenção já, mas é pós-piscina que vemos a real transformação de Johnny Marco em um homem real com propósito.



Marco Marco (14/03/2011 01:50:00)   2 0
Gosto das criticas do Hessel. As conclusões sobre os planos são as mesmas as quais cheguei. Mas ainda acho a Sofia um tanto quanto "Hypada" apesar de admitir que ela é uma excelente diretora. Gostaria de vê-la dirigindo roteiros de outras pessoas. Somewhere tem cara de filme nacional, brasileiro mesmo, ou um filme de arte off hollywood. Como se fosse um dos muitos filmes sobre pobreza nacional, só que com uma pesperctiva diferente, mas uma analogia parecida. daria 3 ovos também, pela direção.



sem avatar Rodolfo (15/02/2011 07:47:55)   -1 0
Alguém me explica aquele final por favor? Não entendi mesmo o significado...

Vlw, flw.



danilo danilo (31/01/2011 20:56:19)   0 0
O filme é muito bom, mas eu compartilho da mesma opinião do Hessel; o final desmanchou a personagem.



giuseppe giuseppe (30/01/2011 22:10:54)   56 0
eu pulei quase toda critica. porra. fale sobre as historia, sobre o desempenho dos atores, sobre os sentimentos que o filme evoca. mas não me venha falar sobre as nuances da camera. que critica chata do caralh*. larga mão de ser esnobe, Hessel!



sem avatar Flávio Bruno (30/01/2011 13:52:24)   11 0
Um amigo me contou que o nome desse filme devia mudar de Somewhere pra Nowhere, pois o filme não vai à lugar nenhum.

De qualquer maneira, checarei a veracidade da informação.



Renan Pacheco Renan Pacheco (29/01/2011 01:30:05)   -2 0
Hessel, com algum papel de destaque com certeza, mas eu deu uma geral na net e vi que ele fez uma ponta em As Panteras Detonando, eu não lembro da cara dele naquele filme, mas deve ter sido uma participação maior que a do Santoro. kk

Pelo menos ele tá fazendo filmes com histórias melhores que as produções que o seu colega, o Knoxville faz, que dentro de sua filmografia a melhor coisa deve ser a franquia Jackass.



Pedro Pedro (29/01/2011 00:19:33)   1 0
Olha... Pela primeira vez eu concordo 100% com a crítica do Hessel! É ele que sempre dá a cara a tapa naqueles filmes difíceis de avaliar e esse é um deles.

Apesar de a última cena apelar para um simbolismo frustrante e muito clichê, não acho que chega a estragar o filme (eu daria 4 ovos), pois é rápido e ignorável. O que conta aqui é o ótimo ensaio sobre o tédio e a irrelevância da grandiosidade.

Li que alguns acharam o filme chato, lento, sonolento (meu pai dormiu roncando, rs)... Que ironia!



Marcelo Marcelo (28/01/2011 21:35:13)   30 -2
@Renan

Esse deve ser o primeiro.



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Renan Pacheco Renan Pacheco (28/01/2011 15:24:55)   -2 0
Eu nem sabia que o Party Boy fazia filmes normais.



Lívia Lívia (28/01/2011 10:27:26)   106 0
Eu amo a Sofia, mas esse filme é muito chato! MAS OLHA! Se alguém estiver com insônia, favor assistir a esse filme. Cura na hora!



CARUNCHO CARUNCHO (27/01/2011 22:07:14)   -5 0
é claro que o hessel iria fazer a crítica desse filme...

típico.



Louriberg Louriberg (27/01/2011 21:30:27)   1 0
NÃO ENTENDO NADA DO QUE O HESSEL ESCREVE...ENFIM, DEVE SER CULPA MINHA...ELE DEVE SER DE PANDORA....



Caio Caio (26/12/2010 18:11:17)   47 0
3 ovos são mais do que o necessário. O filme merece 2, no máximo. Decepcionado demais com o filme.



Daiane Daiane (16/10/2010 12:10:24)   5 0
quero mto ver esse filme! q estreie logo!



Matheus Matheus (05/10/2010 16:28:21)   -3 0
Uma das melhores críticas que já li no site e logicamente, do Hessel. Mesmo sabendo que posso ter uma futura decepção, fiquei bastante animado depois da crítica.



Marlos Marlos (05/10/2010 15:20:14)   434 0
Auehuahuehuh a viagem seria mesmo foda



Rafael Rafael (05/10/2010 13:43:49)   0 0
Execelente crítica. O omelete devia bolar uma promoção oferecendo uma viagem ao Rio para dar uma conferida no Festival :P




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