Toy Story 3
EUA
, 2010
- 103 min.
Animação /
Aventura /
Comédia
Direção:
Lee Unkrich
Roteiro:
Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich
Elenco:
Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Don Rickles, Wallace Shawn, Estelle Harris, John Ratzenberger, Ned Beatty, Michael Keaton, Kristen Schaal, Blake Clark, John Morris, Laurie Metcalf, Jodi Benson, Timothy Dalton, Jeff Garlin, Whoopi Goldberg, Bonnie Hunt, R. Lee Ermey
Dá para contar a história da Pixar e da animação atual acompanhando a trilogia Toy Story. O primeiro filme, de 1995, é um marco pois foi o pioneiro no uso exclusivo de computação gráfica, abrindo um filão depois explorado por outros estúdios. Toy Story 2 (1999) é importante dentro da empresa porque foi a primeira (e por enquanto única) continuação (Carros e Monstros S.A. já têm sequências programadas para 2011 e 2012). E agora, Toy Story 3 (2010) marca a inauguração no 3-D estereoscópico. Isso sem contar que no meio do caminho, a Pixar Animation Studios - que começou como braço da Lucasfilm - foi comprada pelo Walt Disney Studio e John Lasseter passou a comandar todo o departamento de animação da casa do Mickey, com carta branca para refazer projetos que já estavam em andamento, como Bolt - Supercão. Mas nada disso é novidade, a não ser que você tenha vivido em Marte nos últimos 15 anos. Aliás, depois de Wall-E, acho que até no planeta vermelho a Pixar deve ser conhecida.
Tudo isso para dizer o que todo mundo já sabe: a Pixar ainda não aprendeu a fazer filmes ruins. Dá para falar que Carros, por exemplo, fica abaixo da média estabelecida pelo estúdio, mas não é ruim. O mesmo vale para o curta-metragem Pular (Boundin'). Mas tanto o curta-metragem/aperitivo Dia e Noite quanto Toy Story 3 são irretocáveis. Falando rapidamente do curta, é impressionante como há na Pixar pessoas preocupadas em inovar e encontrar novas histórias ou novas formas de contá-las, por mais simples que elas sejam. E em Dia e Noite isso fica claro.
Agora, partindo para o prato principal, Toy Story 3 é épico desde a primeira cena. A sequência de abertura já é um aquecimento para o que virá a seguir: muita aventura, humor na medida certa e uma gostosa nostalgia. A cada filme, nós acompanhamos uma nova etapa na vida de Andy, o dono dos brinquedos. Agora, 15 anos depois que o conhecemos, ele está pronto para ir para a faculdade e sua mãe bota pressão para que ele arrume o seu quarto, separando o que vai ser guardado no sótão, o que vai ser doado e o que vai para o lixo. E aí começa a ação.
Conformados com seu destino longe do Andy, os brinquedos se juntam em uma missão de encontrar um novo lar e novas crianças que queiram brincar com eles. A primeira parada é a creche Sunnyside. Ao chegarem no local, são recebidos com festa pelos outros brinquedos, principalmente Ken (Michael Keaton) e o veterano urso de pelúcia Lotso (Ned Beatty). Porém, por trás de todo aquele aroma artificial de morango existe um ditador duro, que envia todos os antigos brinquedos de Andy para a ala das crianças menores de dois anos, que só sabem bater, puxar, jogar e sujar. O único que escapa ileso é Woody, que tenta a todo custo fazer com que seus amigos voltem para a casa do antigo dono e só retorna para salvá-los quando fica sabendo dos planos de Lotso.
Um dos trunfos da Pixar em relação à sua concorrência é que essa não é toda a trama do longa. Eles não se preocupam em ter apenas um arco simples para ser desenvolvido. A cada esquina virada, muito mais acontece e os personagens encontram novos desafios, que os forçam a parar, pensar e trabalhar em equipe. Ao contrário de outros estúdios por aí que fazem sequência até de filme ruim e que ninguém quer ver (sim, Shrek, estou falando de você mesmo!), a Pixar desenvolve os roteiros de forma envolvente e, não raramente, nos mostra que as vidas mostradas ali na tela são também as nossas.
E é por isso que já está rolando na Internet a piadinha de que a melhor coisa que a Pixar fez com Toy Story 3 foi incluir o 3-D, porque agora, com os óculos, vai ser mais difícil as pessoas perceberem quando você estiver chorando. E é verdade! Apesar de ser um filme em que a aventura dos brinquedos mais uma vez é o principal elemento, quando chega na hora de mostrar o lado mais pessoal, é impossível segurar as lágrimas que vão se agrupando no canto do olho. É a Pixar fazendo história. De novo.
P.S. A versão exibida para os jornalistas foi o 3-D legendado. Esta é a forma ideal de se ver o filme, pois ele foi pensado dessa forma. Porém, a tridimensionalidade é bastante discreta e utilizada muito mais para aumentar a sensação de profundidade dos cenários do que apontando e jogando coisas na direção do público e por isso não deve fazer falta aos que optarem (ou não tiverem outra opção) pelo 2-D.
O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.
Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.









