Go Get Some Rosemary
EUA
, 2009
- 90
Drama
Direção:
Ben Safdie e Joshua Safdie
Roteiro:
Ben Safdie e Joshua Safdie
Elenco:
Ronald Bronstein, Sage Ranaldo, Frey Ranaldo, Eleonore Hendricks, Abel Ferrara
Parece nome daqueles filmes iranianos que, na hora, não mostram alecrim nenhum. Mas Traga-me Alecrim é produto indie dos EUA. O mais indicado teria sido manter o título original, Go Get Some Rosemary, porque "alecrim", em inglês, também é um nome de mulher. E o que o nosso herói mais precisa no filme é de uma figura materna, uma Rosemary para socorrê-lo.
Lenny (vivido pelo cineasta Ronald Bronstein, ator estreante) é um pai divorciado de dois filhos que tem duas semanas para ficar com os garotos - e no filme parece que se passa um mês inteiro. Ele aproveita ao máximo: leva-os para jogar squash, comer na rua, passear fora de Nova York... Por trás dessa urgência, descobrimos depois, lenny esconde um medo terrível de ficar só - e de se ver diante da sua vida de adulto.
Porque Lenny não só faz o papel de amigo dos filhos como é, ele próprio, uma eterna criança, carente de atenção em níveis que chegam a ser inverossímeis (como na cena do barco) e caricato a ponto de parecer estereótipo (coleciona quadrinhos...). O filme abre com uma cena ótima em que Lenny derruba o hot dog que tinha acabado de comprar - e ri da situação. A forma (alguém diria irresponsável) como o pai aceita o caos como modo de vida provocará, ao longo de Traga-me Alecrim, algumas situações dramáticas, e todas elas nervosas.
A escolha dos irmãos diretores Ben e Joshua Safdie pela câmera na mão - tremida de um jeito que pode enjoar muita gente - tem a ver com essa construção do personagem. Lenny está a todo instante na luta definitiva para conquistar seus filhos, e os Safdie marcam essa presença algo sufocante colocando Lenny em quase todos os planos do filme. Os amigos adultos dele surgem em cena, mas não se fixam.
Quando o pai não é o foco - como na cena em que os filhos estão na sala de cinema e a câmera estaciona nos dois sem tremer - percebe-se ali um desvio biográfico, uma memória afetiva. Lenny é inspirado no pai de Ben e Joshua, a propósito. Não por acaso, a trama se passa nos dias atuais (dá pra perceber, entre outras coisas, pela lâmina de barba que o pai usa) mas parece viajar aos anos 70 em que os Safdie cresceram. Lenny grava fitas K7, escuta vitrola, domina o "velho" projetor de cinema, faz mágicas...
A estética granulada, meio desbotada, ajuda a dar uma cara old school a Traga-me Alecrim - e quem vê no filme um herdeiro dos temas e dos procedimentos de John Cassavetes tem aí mais um elemento, o visual emulando os anos 70, pra argumentar a seu favor.
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