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Crítica: Um Ato de Liberdade

Diretor de Diamante de Sangue mostra história de irmãos judeus que lutaram contra nazistas

Marcelo Forlani
07 de Maio de 2009

Um Ato de Liberdade

Um Ato de Liberdade

Defiance
EUA , 2008 - 137
Drama / Guerra

Direção:
Edward Zwick

Roteiro:
Clayton Frohman, Edward Zwick

Elenco:
Daniel Craig, Liev Schreiber, Jamie Bell, Alexa Davalos

Bom
Um Ato de Liberdade
Um Ato de Liberdade

Em Diamante de Sangue, o diretor Edward Zwick provou que consegue fazer um filme bonito, bem ambientado, dramático, com cenas de ação, teor sócio-político e arrancar boas atuações do seu elenco. Mas nem tudo isso foi suficiente para transformar o filme em algo empolgante a ponto de se tornar inesquecível, uma obra-prima.

Seu novo filme se chama Um Ato de Liberdade (Defiance, 2008) e antes de estrear no Estados Unidos surgia até mesmo como nome potencial para o Oscar. Pode parecer exagero dizer que o filme tinha "cara" de Oscar, mas não é. O longa usa toda a "matéria-prima" necessária para figurar na lista da Academia de Cinema: tem bons atores Daniel Craig (007 - Cassino Royale), Liev Schreiber (X-Men Origens: Wolverine) e Jamie Bell (Billy Elliot); é um primor técnico, com fotografia e figurino impecáveis; e é ambientado durante a Segunda Guerra Mundial e mostra um grupo de judeus que consegue sobreviver aos ataques das tropas de Hitler e contar a história.

Quem comanda a história são os irmãos Bielski, Tuvia (Craig), Zus (Schreiber) e o caçula Asael (Bell), fazendeiros judeus do interior da Bielorrúsia. Em 1941, depois que seus pais são assassinados pelo exército alemão, eles fogem para a floresta que conhecem desde pequeno. Apesar dos massacres provocados pelos nazistas, a cada novo dia, mais e mais judeus que conseguem fugir dos guetos se juntam ao grupo, que vai ganhando fama pela sua resistência e acaba virando uma comunidade que se ajuda com o objetivo comum de sobreviver.

Mas mesmo entre eles há divergências e disputas. Líder autoproclamado, Tuvia quer se vingar dos alemães sobrevivendo e salvando o máximo de vidas possíveis. Já Zus acredita na vingança armada, e parte para o combate armando emboscadas, até que finalmente se junta ao exército russo. E o próprio aumento do número de pessoas vivendo em conjunto - aliado ao frio e à fome causadas pelo rigoroso inverno local - causa rusgas entre os partisans.

Duas cenas são fundamentais para entender um ponto importantíssimo ao filme: o ser humano é individualista, ganancioso e quando está em vantagem faz de tudo para aproveitá-la. Na primeira, judeus brigam entre si por comida. Na segunda, com um soldado alemão desarmado capturado, chega a hora da vingança. É a cena mais impressionante do filme e a forma como Tuvia reage ao que está acontecendo resume a essência humana.

Mas de nada adiantam os violinos tocando, Um Ato de Liberdade sofre do mal da falta de identidade. Ao tentar ser tudo ao mesmo tempo e englobar do drama à ação, da selvageria à esperança, acaba se perdendo, transformando-se em apenas mais um bom filme. Mais uma vez Zwick e seu time jogam bem, mas só conseguem um empate.

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Comentários (3)

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LordMarcio LordMarcio (04/08/2011 23:50:30)   -13 0
O Marcelo Forlani não vai com a cara Edward Zwick!
Tem que deixar o lance pessoal de lado velho! Relaxa!!
Dizer que Diamante de Sangue não chega perto de ser uma obra prima é quase perseguição. Cara, 'Diamante de Sangue' é quase 10, de 0 a 10.
Ótimas tomadas, fotografia mto linda, cenas de ação bem filmadas...

O problema que os críticos da Omelete (isso é em geral) não entendem muito das técnicas de cinema eu acho. Aí ficam presos ao enredo dos filmes. Pois, quando se quer achar defeitos em estórias, se acha mesmo irmãozinho.
Porém, quando vê uma cena bem fotografada, uma edição de tirar o chapéu, uma boa montagem eles nem detalham, nem notam.
Aí ficam falando da história e comparando o filme recente com meia dúzia de filmes clássicos (ou nem tão clássicos assim).

Deus me livre de ser um crítico assim!
Prefiro estudar e melhorar naquilo que faço. Pior se ganhasse pra dar críticas a filmes!



Carlos Carlos (20/12/2010 20:53:37)   1374 0
Eu gostei bastante do filme...
Achei que foi um bom trabalho do Edward Zwick e uma boa atuação do Daniel Craig!
O filme tem seus defeitos, mas é uma bonita história sobre coragem, união e luta pela liberdade...
Uma pena que o filme tenha se saido mal em bilheteria, pois merecia ter tido um pouco mais de reconhecimento, ainda mais se levarmos em conta que foi baseado em uma história real!



sem avatar 1.berto (13/10/2010 12:02:06)   -1 0
Gostei do filme e da crítica do Omelete. Mas, há, para mim que gosto de história, um erro grave. No filme, o exército vermelho é retrato como indiferente ao sofrimento dos judeus, alguns deles sendo, inclusive, maltratados pelos soviéticos. Acho que isso é historicamente falso. Pode ser a opinião do diretor, mas não foi o que aconteceu. Observem que no fim, quando se diz o que aconteceu com os personagens reais nos quais o filme se inspirou, mostra-se que o Asael entra para o exército vermelho. Por que ele entraria para um exército cuja única diferença em relação ao nazista era o tamanho do bigode do seu líder? A história contada no final desmente o que é mostrado na tela.




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