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Crítica: Um Namorado Para Minha Esposa

Filme argentino dá lição de feminismo em todas as outras comédias românticas recentes

Marcelo Hessel
26 de Setembro de 2009

Um Namorado para Minha Esposa

Um Namorado para Minha Esposa

Um Novio para mi Mujer
Argentina , 2008 - 100
Comédia / Drama

Direção:
Juan Taratuto

Roteiro:
Pablo Solarz

Elenco:
Valeria Bertuccelli, Adrián Suar, Gabriel Goity

Bom
um namorado para minha esposa
um namorado para minha esposa

Gênero essencialmente machista, a comédia romântica hollywoodiana diz que mulher em depressão está precisando de um homem ou de um filho. Na Argentina é um pouco diferente. Pra começar, depressão é melancolia. E melancolia, por aqueles lados, quando não é só cultivada, é incentivada.

Em Um Namorado Para Minha Esposa (Un Novio Para Mi Mujer), de Juan Taratuto, conhecemos um casal, Tana (Valeria Bertuccelli) e Tenso (Adrián Suar), casado há tempos. Ela não trabalha, fica em casa reclamando de tudo e todos, o que Tenso, que trabalha numa loja de elétricos, tem que aturar quando está em casa. A nossa identificação imediata seria com o drama de Tenso - se o marido não fosse um tapado.

Desesperado por não conseguir pedir o divórcio, ele aceita o conselho dos amigos do futebol: vai procurar o lendário Cuervo Flores (Gabriel Goity), sujeito pago para seduzir a mulher do próximo. Flores tem uma condição primeira: Tana precisa sair de casa para que ele possa operar sua "mágica". Tenso então vai atrás de um emprego para a futura ex-esposa.

Para não contar demais, digamos que Tana canaliza tudo o que lhe aborrece nesse novo trabalho - e isso a contenta. É como uma personagem de Seinfeld, inconformada com regras de conduta social, esbravejando sobre o mundo - o que aqui do outro lado da tela tende a encontrar mais simpatia do que as covardias do seu marido. Num gênero sexista que parece ignorar a mais básica das conquistas feministas, Taratuto faz um filme para dizer, em resumo, que não são os homens, nem os filhos, mas o trabalho que dignifica a mulher.

Sucesso de bilheteria na Argentina no ano passado, Um Namorado Para Minha Esposa é um necessário respiro no gênero, mas isso não significa que fuja aos esquemas. Como em muitos outros filmes, a trama se passa em dois tempos (no presente Tana e Tenso fazem terapia de casal voltados para a câmera, enquanto toda essa ação se ambienta no passado) e, quanto mais se aproxima do desfecho, mais o longa se assemelha aos seus pares.

Porque se há um vício que qualquer comédia romântica sofre é o de contemporizar no final. Tana passa ao longo do filme pelas mais diversas experiências - incluindo uma regressão que praticamente nega a vida moderna, naquele passeio pelo parque-de-diversões antigo, no interior, com saia de menina e tudo, nostalgia tipicamente argentina - e talvez termine a história se acomodando no ponto em que começou...

Pode ser decepcionante, mas, de qualquer forma, o que vale mais não é a chegada, mas a viagem. E a convicção de que não dá pra ser feliz o tempo todo, durante ela.

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