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Crítica: Wall-E

E a Pixar conseguiu outra vez...

Érico Borgo
26 de Junho de 2008

Wall-E

Wall-E

Wall-E
EUA , 2008 - 0
Animação

Direção:
Andrew Stanton

Roteiro:
Andrew Stanton

Elenco:
Ben Burtt, Fred Willard, Jeff Garlin, Paul Eiding, Kim Kopf, Garrett Palmer

Excelente
wall-e
wall-e
wall-e

Uma historinha curiosa antes de começar o texto do filme. Normalmente as sessões de imprensa (que exibem os filmes antes para os críticos) terminam bastante tranquilas. Afinal, em respeito pelo colega ao lado, você guarda suas opiniões sobre o que acabou de ver para si. A maioria, os melhores profissionais pelo menos, não querem influenciar ou serem influenciados. Em sessões de grandes filmes aguardados, porém, é comum aparições de uns tipos estranhos àquele ambiente. Na maioria das vezes são inofensivos... Mas na saída de Wall-E, preso no elevador da Disney enquanto ele se deslocava doze andares abaixo, tive que aturar um insistente sujeito que teimava em disparar sem convite suas impressões negativas sobre o que, naquele momento, eu já considerava uma verdadeira obra-prima. Felizmente pra ele, graças ao efeito pacificador do robozinho, calei-me e literalmente fingi não ouvir, estudando cuidadosamente os botões dos andares.

Esta é minha resposta que ele não merecia ouvir:

O Pixar Animation Studios é hoje o estúdio de Hollywood mais apaixonado pelo que faz. Fato.

Desde Walt Disney não havia no ocidente produtores tão empenhados em levar o mundo da animação a um novo patamar de qualidade técnica e narrativa. Aliás, muito mais narrativa que técnica. Diferente da maioria dos projetos de computação gráfica que se vê por aí, o meio aqui é mero veículo para a mensagem. Pense: Quando você se lembra de Toy Story pensa primeiro em Woody e Buzz Lightyear ou em como o visual era bem feito? E quando você lembra de Ratatouille? E de Incríveis? Monstros S.A? Procurando Nemo? Na Pixar a computação gráfica vem em segundo plano. O que ela cria são mesmo personagens e momentos eternos. "Personagens com apelo às crianças, mas que têm problemas adultos", como escreveu David A. Price no livro The Pixar Touch.

E Wall-E, o nono longa-metragem da irretocável carreira da empresa, é cheio desses personagens - e desses momentos.

Começa memorável já na primeira cena, uma tocante panorâmica pelo planeta Terra completamente tomado por torres de lixo. Lá embaixo, rastros na poeira, sem qualquer trilha sonora, um robozinho segue sua programação: Limpar a bagunça dos humanos. Surge então, sem qualquer alarde, o título do filme.

A cena é tão impactante que chega a dar arrepios... Cortesia tanto do diretor e co-roteirista Andrew Stanton (Vida de Inseto, Procurando Nemo) quando do consultor visual Roger Deakins. Sim, a Pixar contratou o diretor de fotografia de O Assassinato de Jesse James e Onde os Fracos Não Têm Vez, entre dezenas de outros projetos, profissional indicado a sete prêmios Oscar, para dar realismo ao movimento das câmeras virtuais e não-virtuais (já que pela primeira vez um filme da Pixar tem elementos reais, que não estragarei aqui).

Quanto ao robozinho, mais um engano vergonhoso daquele sujeito no elevador, que elencou com desprezo todas as referências visuais óbvias possíveis, como E.T., 2001, Star Wars, Contatos Imediatos... Enfim, todos os grandes clássicos da ficção científica. Wall-E é muito mais que mera homenagem a um gênero. O pequeno autômato apaixonado é Charles Chaplin - no espaço! A paixão cega pela robô Eve, a solidão, o interesse na humanidade, o jeito atrapalhado, os olhos tristes e ao mesmo tempo engraçados, os problemas com as autoridades e até mesmo a mudez (toda a "voz" do robô é composta por pequenos sons criados por Ben Burtt - o lendário designer de sons da série Star Wars) reforçam essa idéia de que esse mega-blockbuster tecnológico é, em essência, uma comédia romântica do cinema mudo.

Não pense, porém, que trata-se de algo "velho". A Pixar não esqueceu a ação e a coreografia digital de seus pixels é das mais empolgantes. O balé espacial de Wall-E e Eve é pra entrar para a história das animações ao lado do spaghetti com almôndegas de A Dama e o Vagabundo. E se o final soa um tanto óbvio e previsível, já estamos suficientemente cativados por esse personagem e seu universo pra chegar à feliz conclusão de que às vezes o óbvio bem realizado é exatamente o que queremos. E se isso não bastar, logo depois há aquela belíssima seqüência de créditos finais, verdadeira aula de história da arte, começando nas pinturas rupestres e seguindo até os gráficos digitais no estilo Atari. Gênios.

Os criadores encontram espaço ainda para encaixar questões ambientais e humanitárias sem soarem panfletários - e ainda assim obtendo algo tão impactante quando os documentários-denúncia que nos assustam nas telonas e na TV. Mas diferente desses filmes, Wall-E é otimista. Afinal, há algo de reconfortante em saber que o robozinho é definido pelas sutilezas materiais descartadas de uma raça incapaz de entender seu lugar ou viver em conjunto. Ao nos colecionar, Wall-E extrai o melhor de nós.

Parece que a Pixar tem mesmo fé na humanidade. E não é que também tenho mais fé no mundo sabendo que temos a Pixar?


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Comentários (13)

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Celso Renato Celso Renato (08/04/2012 21:18:24)   20 0
Em minha opinião a melhor animação de todos os tempos, junto com "os Incríveis", e um dos melhores filmes da última década, possivelmente de todas as décadas.



sem avatar Laíssa (02/02/2012 23:06:31)   1 0
Não está na minha lista de favoritos, mas com total certeza na lista de melhores filmes, ñ somente animações.Ótima historia, trilha sonora, grafico, a forma como se desenvolve, realmente ótimo trabalho da Pixar.



Capitão Sparrow Capitão Sparrow (02/07/2011 15:34:07)   29 0
Esse filme é uma verdadeira obra de arte! Um dos melhores filmes de animação que eu assisti, melhor filme de 2008 junto com TDK.



Gabriel Rodrigo Gabriel Rodrigo (06/04/2011 16:31:42)   -2 -1
Que crítica Sensacional, Tocante. Eu sinceramente gostei do filme, mas não prestei muita atençao quando fui assistir e acabei perdendo algumas partes essenciais para compreender o filme, então foi algo monótono pra mim, porém as poucas partes que vi, fizeram o filme sensacional, mas em alguns momentos a monotonia toma conta ... 3 ovos


sem avatar Wesley (07/08/2011 21:49:05)   0 0
Gabriel, penso que, se você não assitiu o filme com a devida atenção, como você mesmo citou, seria interessante revê-lo antes de dar nota. Afinal, se você realmente perdeu momentos importantes, o restante da experiência fica incompleto.


edgar edgar (09/02/2011 11:53:47)   110 0
se não tivesse The Dark Knight em 2008 Wall-e seria o melhor!

não é o melhor da Pixar más a animação e linda...a ousadia da pixar é impressionante filme que tem menos dialogos do que 2001!
Wall-e é sem dúvidas o personagem mais carismatico que a pixar já criou!
a Trilha sonora está no meu TOP10 de melhores da HISTORIA!
Te digo que a cada vez que ouso ela me arrepio e cai lagrimas.



Samuel Samuel (29/12/2010 19:18:47)   39 0
Érico,
esta é a melhor crítica que você já escreveu. Muito boa mesmo!



R@finha R@finha (29/12/2010 16:29:03)   5 0
Um dos melhoers filmes de 2008 e juntom Happy Fett uma das minha animações preferidas!



sem avatar Luís Eduardo (06/08/2010 13:14:04)   0 0
Eh, ótimo filme, só para citar uma leve sutileza no filme, a princípio ele obedece leis da física como a inérsia e o fato de não há espanção de som no vácuo, mas durante a narrativa as vezes ele pede "licença" para deixar as leis de lado e geralmente cita outras obras que fazem o mesmo, seja com a linda cena do baile no espaço em que cita "Até mais, e obrigado por todos os peixes" (livro de Douglas Adams, no trecho em que Arthur voa com a sua amada) e na cena do retorno a terra, onde o efeito da entrada no "hiper-espaço" é uma citação ao clássico efeito de Star Wars, em que as estrelas viram linhas. Ao todo, simplesmente perfeito, pena que os momentos mais lindo ficam embaçados pelas lágrimas...



Carlos Carlos (18/07/2010 16:39:01)   33 0
Absurdo!!! Maravilhoso!! Incrível perceber exatamente o que o Érco Borgo ressaltou: O amor que o estúdio tem pelo que faz. Impressionante e cativante.

P.S.: A música de Peter Gabriel no final só faz reforçar o quão maravilhosa é essa obra da sétima arte. Well Done, Guys!! ;-)



Leonardo Leonardo (09/07/2010 00:08:02)   14 0
Melhor filme da Pixar e um dos 10 favoritos meus de todos os tempos!

P.S. Ainda não vi Toy Story 3 :/



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sem avatar Dérick (21/06/2010 23:59:42)   -24 0
Filme MARAVILHOSO! Não tem como não gostar, é incrível ver que um filme tão pouco falado seja tão gostoso de assistir. Vale demais a pena.
É sutil, romântico e ao mesmo tempo atrapalhado.
Uma história de amor excelente, sem qualquer tipo de comentários negativos, impecável.



Alessandro Alessandro (02/04/2010 21:06:46)   5 0
Bom, só queria compartilhar a emoçao q é assistir Wall-e. O filme é lindo, muito melhor que a grande maioria de live-actions por ai. Muito bom, muito bom mesmo!




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