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Na clássica seção Da Frigideira o Omelete escreve sobre filmes no calor da saída do cinema, sem pensar muito, ainda sob o efeito narcótico da telona e o crítico ainda está maquinando idéias, enquanto o fã já tem a sua já na ponta da língua.
Em Batman Begins a frase "você tem que cair para aprender a se levantar" é martelada na cabeça dos espectadores (e do Bruce Wayne) algumas vezes. Parece que a Warner Bros e a DC Comics levaram a mensagem a sério. Depois do tombo espetacular com os filmes de Joel Schumacher, o Homem Morcego, um dos maiores super-heróis das histórias em quadrinhos, ganha a oportunidade de reerguer-se com honra em seu novo longa-metragem.
A idéia é simples: esqueça tudo o que você já viu sobre o personagem nas telonas. Nada de bat-mamilos, bat-cartão de crédito e metralhadores com neon... o novo Cavaleiro das Trevas tem os pés plantados no chão (exceto quando está voando com a capa por Gotham, mas essa é uma outra história). Todos os detalhes sobre a origem do personagem são esmiuçados. Descobrimos quais suas motivações, como ele encontrou a caverna que lhe serve da base, como treinou suas habilidades, de onde vêm seus apetrechos e, principalmente, como foram forjadas suas alianças. Batman realmente "Begins" aqui.
Mas não é só o lado emocional que funciona. A ação também é das melhores (superbacana o Batmóvel em ação) e muito da mitologia do personagem é misturada e colocada pra funcionar em conjunto. Só assim mesmo pra explicar a aparente salada que é misturar vilões como Ra´s Al Ghul (Ken Watanabe), o Espantalho (Cillian Murphy), o maníaco assassino serial Zsasz (Tim Booth) e o gângster Carmine Falcone (Tom Wilkinson).
Alterações na origem, claro, são realizadas, mas nada que vá deixar os fãs irados. Na verdade, muito do que aparece na telona deveria mesmo é ser incorporado nos quadrinhos. O treinamento de Wayne e sua transformação física e mental no defensor de Gotham City, por exemplo, é uma das melhores HQs nunca realizadas do personagem.
Quanto aos atores, outro ponto extremamente positivo da adaptação. Christian Bale é o primeiro Batman do cinema que não incomoda em momento algum. Keaton, Kilmer e Clooney, apesar de bons atores, pareciam apenas Michael, Val e George vestindo uma fantasia. Bale grita, aterroriza, põe ordem na casa quando veste o uniforme. Michael Caine como Alfred - leve alívio cômico da produção, pra evitar que ela se leve a sério demais - e Gary Oldman, o sargento Gordon, também aparecem excepcionais.
Claro, há defeitos, mas nada que impeça Batman Begins de despontar como o melhor blockbuster da temporada de férias 2005. Sim, ele é superior a Cruzada, Guia do mochileiro das galáxias e Star Wars: Episódio III. Resta saber se Quarteto Fantástico e Guerra dos Mundos conseguirão encará-lo.
Aguarde a crítica e o Especial Omelete Batman que começará na próxima semana.
Batman begins chega às telas mundialmente dia 17 de junho.
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