Como já tínhamos assistido e falado em outubro passado (leia) tudo o que era necessário sobre a prévia de Watchmen, vamos nos ater ao que foi mostrado na grande novidade da noite: Star Trek.
Mas antes: Atenção! Se você não quer saber mais sobre a trama do que deveria, este não é o seu lugar. Que tal dar uma olhada no nosso Preview 2009, que lista mais de 140 filmes que vão estrear este ano - incluindo aí Watchmen e Star Trek, claro!
Quando as luzes se apagaram, o criador de Lost e Alias J.J. Abrams apareceu na telona para agradecer a presença de todos e explicar um pouco do que veríamos a seguir. Foram quatro cenas, com efeitos ainda inacabados (sinceramente, nem deu pra perceber) e que mostraram um pouco do que é o filme. Sem demagogia, Abrams disse que não era fã da série, mas que adorou o roteiro escrito por Roberto Orci e Alex Kurtzman - os mesmos de Transformers e Missão: Impossível III - então, não teve escolha, "teve" que dirigir o filme.
Mas vamos ao que interessa, o que foi mostrado:
Cena 1: Uma linda mulher chega no balcão e pede uma bebida. James T. Kirk (Chris Pine) chega até ela, dando em cima sem o menor pudor - e como se não tivesse um ser de outro mundo (literalmente) entre os dois. Logo descobre que ela tem um nome: Uhura (Zoe Saldana). Não demora para os amigos da moça chegarem e Kirk engrossar, achando que daria conta de encarar todos eles. A cena se desenrola em uma pancadaria violenta, daquelas que espirra sangue na tela, e mostra bem o estilo e temperamento do jovem Kirk. Para acabar com o massacre chega o Capitão Pike (Bruce Greenwood), que conversa com o rapaz, diz que conheceu seu pai e que ele deveria se alistar na Frota Estelar, dizendo que em quatro anos ele seria um oficial. Na manhã seguinte o moleque aparece por lá e desafia: três anos no máximo.
Cena 2: Três anos depois, Kirk, por mau comportamento, não deveria, mas está dentro da Enterprise. Quem o carrega até lá é seu amigo, Dr. McCoy (Karl Urban), que o infectou com um vírus para que ele pudesse ter acesso à ala médica. A estratégia aproveita uma brecha no regulamento da Frota que dá acesso às naves a qualquer pessoa que necessite de cuidados médicos. Na ponte de comando, Capitão Pike conversa com um cara de orelhas pontudas chamado Spock (Zachary Quinto) e dá ordens a um jovem russo de nome Chekov (Anton Yelchin), que transmite aos tripulantes a missão que eles estão prestes a iniciar, em Vulcano. Kirk, quando recobra a consciência, vê que determinados padrões estão se repetindo e que aquilo é uma armadilha dos romulanos, idêntica àquela que vitimou seu pai. A tentativa de explicar tudo isso é uma mistura de tensão com humor que dá bem o clima que devemos ter durante o filme.
Cena 3: Chegou a vez de conhecermos dois novos personagens: um escocês de nome Montgomery Scott (Simon Pegg) e o Spock do futuro, interpretado por Leonard Nimoy. Essa é a única das quatro sequências que não tem momentos de ação, focando-se nos diálogos, que são cômicos quando envolvem Scott e serenos quando saem da voz do vulcano. Em pauta, viagem no tempo. "Mas voltar no tempo e modificar o passado não é trapacear?", pergunta Kirk ao seu futuro melhor companheiro. "É um truque que aprendi com um velho amigo", retruca, fazendo brotar um sorriso nos lábios dos trekkers presentes.
Cena 4: A grande cena de ação que foi mostrada na noite. Com o ataque iminente ao planeta Vulcano por uma broca gigantesca, Kirk, Sulu e um dos famosos "caras de uniforme vermelho" (e aí Abrams encaixa uma piada clássica da série, os "red shirts") são destacados para ir até lá desligá-la. Depois de saltarem em queda-livre, num incrível skydiving sub-orbital, eles atingem a plataforma onde devem destruir o aparelho. Mas a tarefa não é simples: os jovens ainda têm de enfrentar romulanos brutamontes nada amistosos em brigas nada simples ou justas. E Sulu (John Cho) mostra que o treinamento de esgrima que comentou há poucos momentos na cena vem a calhar, dando um show de acrobacias com uma lâmina retrátil. A cena termina com um empolgante teletransporte para a Enterprise comandado por Chekov.
Parece tratar-se de um recomeço incontestável para a franquia: Ao usarem a viagem do tempo como pretexto para o filme, os produtores não invalidam nada do que foi feito antes e ganham liberdade para seguir adiante sem as amarras do cânone já que, na melhor tradição da ficção científica, esse Star Trek cria uma linha temporal alternativa, distinta da existente (o próprio Orci já comentou isso).
Mas apesar do visual mais sexy, da ação e estruturas modernizadas, há uma bem-vinda nostalgia no filme, especialmente em relação às personagens e estética (uniformes, interiores, design...). Para o Kirk, por exemplo, aquela canastrice arrogante e sedutora de William Shatner é abraçada e levada às últimas consequências. Chekov e Scotty ganharam sotaques carregadíssimos e todos têm importância extrema na trama e seus momentos de brilho. Mais do que um filme sobre viagens espaciais e ação, o novo Star Trek tem todo o jeião de um longa-metragem sobre a formação de uma família.
Claro que quem é apaixonado pela mitologia da série deve se divertir muito mais procurando referências e encontrando - pela primeira vez - seus personagens preferidos. Quem não é fã, vai desfrutar das bem orquestradas cenas de humor e aventura. É um novo capítulo na combalida e apreciada série - e que este filme marque o recomeço que devolva Star Trek ao local de destaque da cultura pop contemporânea do qual nunca deveria ter saído.
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