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Era Uma Vez no México

Era Uma Vez no México

Érico Borgo
30 de Outubro de 2003

Era uma vez no México

Era uma vez no México

Once upon a time in Mexico
México/EUA , 2003 - 101 min.
Faroeste

Direção:
Robert Rodriguez

Roteiro:
Robert Rodriguez

Elenco:
Antonio Banderas, Salma Hayek, Johnny Depp, Mickey Rourke, Eva Mendes, Danny Trejo, Enrique Iglesias, Marco Leonardi, Cheech Marin, Rubén Blades, Willem Dafoe, Gerardo Vigil

Bom
Era Uma Vez No México
Era Uma Vez No México
Era Uma Vez No México

O nome Robert Rodriguez aparece nove vezes nos créditos de Era Uma Vez no México (Once upon a time in Mexico, 2003). O cineasta é diretor, escritor, produtor, compositor, diretor de fotografia, montador, desenhista de produção, supervisor de efeitos especiais e operador de câmera.

Polivalência desse tipo é algo que geralmente só é encontrado em produções independentes, em que o mesmo profissional precisa acumular funções para manter os custos no mínimo, viabilizando assim sua idéia. Entretanto, esse não é o caso em Era uma vez no México. O filme teve 30 milhões de dólares de verba, custo de filmes de nível mediano em Hollywood. O que leva então Robert Rodriguez a trabalhar nove vezes mais que um diretor de cinema comum? A resposta parece ser uma só: princípios.

Rodriguez começou sua carreira com parcos 7 mil dólares, dinheiro que (reza a lenda) conseguiu servindo de cobaia em testes de drogas. Aprendeu a ser econômico e não abandonou as origens no decorrer de sua carreira. Na trilogia Pequenos Espiões (1, 2 e 3), por exemplo, gerou lucros homéricos para a Dimension Films com tal comportamento.

Para Era uma vez no México, isso não poderia ser diferente.

O filme encerra a trilogia formada por El Mariachi (1992) - seu primeiro filme - e A Balada do Pistoleiro (Desperado, 1995). Surpreendentemente, os 30 milhões do capítulo final pouco destoam dos 7 mil do original. Claro, agora há mais pirotecnias e grandes astros no elenco, mas a essência da primeira produção e a aura de produção independente está lá. Intacta.

A idéia da realização do terceiro filme partiu de Quentin Tarantino, que, numa conversa com o amigo Rodriguez, disse que El Mariachi e Desperado eram os equivalentes mexicanos aos primeiros "spaghetti westerns" do italiano Sergio Leone (1929-1989). Tarantino sugeriu então que, como Leone, Rodriguez deveria revisitar o tema com verba maior. E ele o fez. O próprio título do filme, "Era uma vez no México", presta homenagem à obra máxima de Leone no gênero: Era uma vez no Oeste (Cera una volta il West, 1968).

Na história, El Mariachi (Antonio Banderas) está em um exílio auto-imposto depois do cruel assassinato de sua esposa Carolina (Salma Hayek) e de sua filhinha. Quem consegue encontrá-lo é um camaleônico sujeito chamado Sands (Johnny Depp, com a competência habitual), um agente da CIA que tem uma proposta tentadora para o trovador mercenário.

Sands precisa da ajuda do Mariachi para impedir o assassinato do presidente mexicano e um subsequente golpe de Estado. Os crimes estão sendo arquitetados pelo chefão das drogas local (Willem Dafoe, ostentando um tremendo bronzeado), auxiliado por seu exército de capangas e seu braço direito, Billy (Mickey Rourke, deformado pelas plásticas e engraçadíssimo). Interessado no serviço, que pode render-lhe a sonhada vingança pela destruição de sua família, o Mariachi recruta Lorenzo e Fideo (Enrique Iglesias e Marco Leonardi), também músicos matadores, e começa a planejar suas ações. Entretanto, Sands escondeu alguns detalhes que poderão custar a independência do povo mexicano e culminar numa guerra civil que nem o Mariachi poderá impedir.

Analisar o resultado é interessante. A trama é confusa e a história se perde em diversos momentos, mas as atuações caricatas, os movimentos de câmera, as extravagâncias e os detalhes divertidos tornam o roteiro uma verdadeira alegoria. Só mesmo Robert Rodriguez para conseguir algo assim. A diversão proposta pelo "trash chic" do cineasta faz valer cada um dos 102 minutos da produção e deixa-nos ansiando pelo seu próximo projeto.


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