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Estamos Bem Mesmo sem Você

Protagonista de As Chaves de Casa se arrisca na direção de seu primeiro drama familiar

Marcelo Hessel
24 de Dezembro de 2007

Estamos Bem Mesmo sem Você

Estamos Bem Mesmo sem Você

Anche Libero va Bene
Itália , 2006 - 106
Drama

Direção:
Kim Rossi Stuart

Roteiro:
Kim Rossi Stuart, Federico Starnone, Francesco Giammusso, Linda Ferri

Elenco:
Kim Rossi Stuart, Alessandro Morace, Marta Nobili e Barbora Bobulova

Bom
estamos bem mesmo sem você

O ator Kim Rossi Stuart aprendeu bem a lição com o cineasta Gianni Amelio no belo As chaves de casa (2004). No filme de Amelio, Stuart interpretava um pai que tem o primeiro e difícil contato com o filho deficiente. Agora o ator estréia na direção em Estamos Bem Mesmo sem Você (Anche Libero va Bene, 2006) com premissa semelhante - o drama familiar, ademais, é um dos temas mais recorrentes do cinema italiano dos anos 90 para cá, particularmente o cinema italiano que roda os festivais do mundo.

Premiado em Cannes em 2006 pela Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio e vencedor do Donatello (o Oscar italiano) em 2007 como melhor direto estreante, Stuart também protagoniza o filme. Ele interpreta Renato, pai de dois filhos que foi largado pela mulher mais de uma vez. Sempre que ela retorna para casa, Renato a perdoa. Ainda assim, o filho menor do casal, Tommaso (Alessandro Morace), de onze anos, sabe que a recaída sentimental da mãe não vai durar - e que ela os abandonará de novo.

Sustenta-se nessa tensão o desenrolar de Estamos Bem Mesmo sem Você: a família está bem de fato sem ela, mas a nuvem da mãe não se dissipa, e o tempo inteiro Renato parece ansiar pelo retorno da esposa. Quem mais sofre nesse embate é o garoto. O longa, no fundo, trata do amadurecimento do pequeno Tommaso. É um mote clássico - o peso de uma família disfuncional nos ombros de um jovem em formação - com a emotividade peninsular de sempre.

Haja lenço, reconciliação e abraço coletivo. O diretor conduz bem a porção naïf do filme, da descoberta solitária do mundo de Tommaso, mas, quando precisa se dividir entre a atuação e a câmera nos momentos tensos, o lado ator de Stuart não se dá muito bem com o lado diretor. Talve falte aí um domínio maior do melodrama, domínio que um Gianni Amelio detém. Na conta do estreante Rossi Stuart, no fim, podemos depositar o crédito da descoberta do estreante Alessandro Morace, grande ator-mirim.


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