A série O Exterminador do Futuro deixou sua marca no cinema não apenas pelas ideias inovadoras sobre as viagens no tempo, mas também pelos avanços na tecnologia de efeitos especiais. O Omelete foi até os escritórios da Industrial Light and Magic, empresa de computação gráfica criada por George Lucas, em Presidio, San Francisco, para conversar com dois dos especialistas que cuidaram dos efeitos de O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator Salvation), o quarto capítulo da franquia nos cinemas.
Para Christian Alzmann, diretor de arte de efeitos visuais que está há 10 anos na ILM, trabalhar em Exterminador do Futuro é uma grande pressão. "Esse é meu segundo filme que é o quarto de uma série que faço, já que ano passado participei de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. É uma pressão tremenda, pois estou mexendo com franquias que me inspiraram a fazer o que eu faço quando era criança. Ver filmes como esse quando você é jovem pode mudar as pessoas... e todos nós pensamos assim aqui, então não há ninguém mais protetor com elas do que nós. Sem falar que trabalhei em Star Wars Episódio II também... então imagine meu nervosismo", comentou.
Já Ben Snow, supervisor de efeitos visuais da ILM, conhecido pelo trabalho em Homem de Ferro e King Kong, acredita que a série Exterminador do Futuro tem um legado rico para a ficção científica e o cinema, "portanto eu tinha que entregar algo à altura". Ele se recorda que quando o primeiro filme saiu parecia que seria apenas mais um filme de gênero esquecível. "Era o que dava a entender... tinha o Conan no papel principal e tal, era focado na ação... mas acabou surpreendendo a todos pelas ideias muito interessantes sobre viagens no tempo, que provocaram debates legais. Tecnicamente, também foi um avanço. O filme usava todas as técnicas disponíveis e as misturava de maneira brilhante. Bonecos em tamanho real, miniaturas, maquiagem protética, stop-motion... foi inspirador! Em Exterminador 2 a ILM continuou com isso, usando a recém-craida técnica de morphing e avançando a tecnologia de computação gráfica com o T-1000 de metal líquido. Mesmo o terceiro teve avanços tecnológicos, com metal líquido mais realista, maquiagem protética digital... então todos os filmes tiveram seu espaço na história dos efeitos especiais. Este não é diferente", garante.
Snow explica que o diretor McG preferiu estender a mitologia, o universo de Exterminador, a criar simplesmente um robô estiloso novo. "Ele quis atualizar ideias, a ação, o realismo... hoje em dia o público espera isso, depois de O Resgate do Soldado Ryan, Bourne, Filhos da Esperança... Mundos mais reais. Então nos focamos em criar um futuro pós-apocalíptico que parecesse real. Nosso desafio foi o de desenvolver não uma tecnologia para viabilizar um determinado personagem, mas um mundo que parecesse totalmente real, habitado por humanos da resistência e máquinas da Skynet. É uma realidade levemente diferente da que conhecemos dos filmes anteriores. As coisas não são iguais justamente por causa dos eventos da primeira trilogia, então pudemos mudar os designs um pouco, o que foi ótimo."
"O design original dos filmes de Exterminador do Futuro era brilhante e cromado, demonstrando alta tecnologia", segue Alzmann. "Agora são 19 anos de guerra, com as máquinas desgastadas, usadas, sofrendo a exposição ao clima. A Skynet não recicla antigos robôs, constrói novos, então se uma máquina está em campo parece velha. A estética é gelada, enferrujada, batida... totalmente pós-apocalíptica. E a paisagem também reflete isso, totalmente arruinada por fumaça e poluição", explica, sobre o tom.
As máquinas de Exterminador do Futuro: A Salvação são precursoras das que vemos nos filmes anteriores da série, portanto os especialistas e designers buscaram um visual mais rude e primitivo. "Nós nos baseamos muito em máquinas de construção, equipamente militar contemporâneo, tanques... Dá pra identificar partes de veículos assim olhando os detalhes. Estamos voltando no tempo de uma certa maneira, então é a involução que nos motivou, o tom sombrio e mais realista e plausível, a ideia de última chance para a sobrevivência humana", diz Alzmann, que revisou centenas de designs criados em Los Angeles por outras equipes e colaborou com diversas outras ideias e outros robôs.
Esses designs todos foram ao encontro do desejo de McG que o mundo de Exterminador do Futuro: A Salvação parecesse ameaçador de todos os lados. "Nos céus temos os hunter-killers, no chão os T-600, Harvesters e Moto-Exterminadores, e na água os hidrobôs", emenda Snow. E como as máquinas são as grandes estrelas da saga, nada melhor que aproveitar para conhecê-las todas, apresentadas uma a uma por Alzmann. "Obviamente, todas as máquinas que criamos têm os icônicos e indispensáveis olhos vermelhos, marca registrada dos Exterminadores. Aplicamos isso em tudo, até como uma maneira de relacionar este filme visualmente aos anteriores, já que a elegância dos primeiros três filmes aqui simplesmente não existe." São eles:
As filmagens de O Exterminador do Futuro: A Salvação aconteceram em Albuquerque, Novo México, onde os sets foram construídos de verdade. A mistura de efeitos práticos e digitais, garantem os especialistas, foi fundamental no realismo que a produção buscava. "Sem falar no incrível trabalho do Stan Winston Studios, que pela quarta vez criou fisicamente os androides do filme - que foram recriados digitalmente pela nossa equipe", explica Snow.
No set, mesmo as mais elaboradas cenas de ação eram sempre pensadas de maneira a serem realizadas de forma prática. Com a ajuda maciça do planejamento via pré-visualização 3-D, acompanhado pelo diretor de fotografia e McG, a cena da perseguição das moto-exterminadores, por exemplo, tinha explosões e batidas de carros de verdade, registrada por câmeras steady cam montadas em uma estrutura de carro off-road ou em helicópteros. Mesmo que elas não funcionassem a contento, ou às vezes funcionassem de maneira exagerada, as explosões e batidas práticas, realizadas parte em cenários reais, parte em estúdio, serviam de base real para animações e simulações 3-D. A mistura dos dois foi o maior desafio para os responsáveis pelos efeitos especiais, mas deu ao filme o realismo que McG esperava.
"As pessoas imaginam que temos uma extensa biblioteca de efeitos especiais, explosões e batidas. Bom, é verdade, nós temos. Mas explodir coisas nunca é demais!", brinca Snow. "Sempre que podemos gostamos de sair do escritório para destruir coisas de verdade. Temos uma equipe que realiza as explosões mais inacreditáveis! E depois, claro, sempre as exageramos um pouco por computação gráfica para mais textura e dramaticidade".
Curiosamente, a mesma ILM que realizou os robôs de Exterminador do Futuro trabalha atualmente em outro filme com máquinas antropomórficas, Transformers: A Vingança dos Derrotados. Ainda que ocupem áreas distintas do belo edifício envidraçado da empresa em San Francisco, as equipes se conhecem bem. "Houve uma certa competição sadia aqui. Quando soubemos que teríamos também um robô gigante pra brincar, fomos lá tirar sarro deles. E as semelhanças não param por aí... é engraçado como essas coisas acontecem sempre em dose dupla, tipo Formiguinhaz e Vida de Inseto. Eles têm uma moto transformer, nós temos uma moto exterminadora... os robôs deles se juntam para formar outro, dois dos nossos também se acoplam", conta Snow.
"Homens metálicos estão na moda... temos Homem de Ferro e robôs gigantes sempre foram uma paixão do público". Mas o o supervisor de efeitos visuais tem um favorito? "O Gigante de Ferro é provavelmente um dos mais legais já imaginados - e um dos meus filmes de animação preferidos", conclui.
O Exterminador do Futuro: A Salvação estreia no Brasil em 5 de junho.
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